Culpa Sua

2199 Palavras
Clara narrando- acordo com alguém me chamando e aos poucos vou me dando conta do lugar que eu estou, acho prefiro não acordar, fecho os olhos e finjo que ainda tô desmaiada. Sombrio- e aí Clara, acorda mano! Se rolar alguma com tú a Vivi me mata, acorda aí véi. Essa voz? porque eu não deixei essa praga morrer antes? Que raiva. Ele me pega no colo e me coloca pra sentar. Sombrio- fala alguma coisa aí mano! Tu tá de boa? A palavra foragida começa a latejar na minha cabeça, que agora tá doendo pra caramba. Clara- eu tô viva, é o que você quer saber? Pra não ter que ficar m*l com a Vivi? Sinto as lágrimas escorrendo pelo rosto. Sombrio- qual foi mano? Não chora não pô, tú chegou aí toda fodona, dirigindo o caminhão carregado de pó e agora vai chorar? Ele respira fundo e me olha. Sombrio- Aí quer saber a real? tem um monte de bandido aí que não tem essa marra toda não pô, tú foi grandona. Clara- tá me elogiando bandido véi chato? Sombrio- tú é p**a mano, tú tá ligada disso. Clara- e agora vou ser p**a procurada pela polícia, bandida igual tú? Continuo chorando. Sombrio- para de chorar mano, não tô conseguindo nem pensar, tu chora feio demais. Clara- e tú chora bonito cão? Sombrio- eu nem choro c*****o. Clara- eu já vi você chorar praga, igual um bebê. Sombrio- essa vida não é pra tú não pô, isso é pra gente que nem eu,que não tem nada pra perder, que não tem mais como voltar atrás, que já todo fudido na vida. Clara- não quero ser presa! Sombrio- tú não vai ser presa não mano, tú acha que eu ia te aguentar morando aqui no morro? Já tenho b.o demais pra resolver. Enxugo as lágrimas do rosto. Clara- e como você vai fazer isso? Sombrio- confia pô! Confiar nele? Nunca! Sombrio- os cara vai descarregar o caminhão, vai destrocar com o que tá no pátio e tu vai voltar pra Coca Cola com o motorista, como se nada tivesse acontecido. Clara- e o cara morto? Sombrio- vai continuar morto, aí tu já quer demais. Ele é tão i****a. Meu celular toca, olho o visor é a Vanessa, eu não atendo e ela continua ligando. Subo para a boca com o Sombrio, queria ver a Vivi, más ela nem pode sonhar que eu fiz isso tudo. Tem muita gente descarregando a droga, eu não consigo parar de me culpar pelo policial que morreu, penso na família dele, e também que podia ter dado tudo errado e eu ter morrido ou passar a vida presa. O Sombrio anda pra lá e pra cá, um exibido sem camisa, já vou falar pra Vivi que ele se amostra demais, aqui trabalha umas mulheres bonitas, más nem olham pra ele, ninguém olha, ele parece o cão com essa cara r**m, só manda e desmanda. Bem rápido eles terminam de descarregar o caminhão. Sombrio- aí os cara vai destrocar o caminhão e tu vão voltar pra tua vida, pra tua vida, se ligou? Não vai nem vim com papo de crime de novo, se ligou? Ele fala de novo. Sombrio- se ligou c*****o? Clara- entendi! Sombrio- quer alguma coisa? Clara- uma coca cola por favor. Sombrio- véi vai tomar no **! Ele me dá dedo e sai rindo de cabeça baixa. Ele volta com o motorista do caminhão da coca. Sombrio- senta ai com ela, quando for a hora o mano vem buscar os dois. O cara me olha, eu olho o nome no crachá dele. Clara- me olha assim não Danilo, eu sou inocente também. Ele me olha com uma cara de coitado. Clara- ele te ofereceu quanto pra você não falar nada? Danilo- a minha vida e a vida da minha família. Clara- não se faz mais bandido como antigamente né? Fala a verdade te coloquei medo num coloquei? Na hora que eu falei perdeu, deu pra ver que tu queria chorar. Ele me olha rindo. Danilo- tô tremendo até agora. Clara- depois me manda seu endereço pra eu mandar uns recebidos pra você e pra sua família. Danilo- seu amigo ai sabe meu endereço. Clara- o Doidinho aí, não é meu amigo não, nunca precisou não faço amizade com que não presta, esse ai é uma escolha errada de uma amiga minha, pra falar a verdade, eu odeio ele. Danilo- só quero que isso acabe logo. Clara- tamo junto amigo. Em duas horas o coruja chega, coloca eu e o motorista em um carro, meu celular não para de tocar a Vanessa já mandou um milhão de mensagens. Chegamos no posto de gasolina, o mesmo de antes, o caminhão tá lá estacionado esperando, o Coruja puxa o motorista e fala alguma coisa pra ele antes dele subir no caminhão, eu entro depois e por último sobe o soldado disfarçado pra filmar. Ele olha para o motorista. Xxx- Bora pô, se adianta aí pra fazer essas entregas que eu ainda tenho que gravar e tirar foto dessa aí. Clara- essa ai não querido, eu sou tik toker, influêncer digital, blogueira meu filho. O motorista liga na Coca Cola avisando que o caminhão tinha quebrado e que tava fazendo as entregas. De tudo que aconteceu essa foi a pior parte, que ideia de merda que eu tive, agora tô aqui andando em tudo que é mercado, bar, distribuidora, rindo e bebendo coca quente, um calor da p***a, com esse soldado chato que não acerta um ângulo meu, e ainda tem o motorista que fuma dez cigarros por minuto. Ate que enfim acabou! Pego meu carro, vou pra casa, olho para o celular descarregado, tô fudida. Abro a porta a Vanessa levanta do sofá, me olha. Clara- Oi amor, demorou né? O caminhão quebrou e..... Não terminei de falar, só senti a mão dela na minha cara, foi com força, meu rosto queima, e eu fico paralisada, sem saber o que fazer, sem saber o que dizer, não consigo assimilar, raciocinar. Vanessa- você tá mentindo, você não me atendeu, não me respondeu, você é igual a v***a que você tanto defende, eu te amo e é assim que você paga? Coloco a mão no rosto. Vanessa- olha o que você faz eu fazer, isso é culpa sua, você faz eu chegar no meu limite, você me transforma em alguém que eu não sou. Tento procurar forças pra revidar, pra gritar, más não encontro, minha voz não sai. Entro para o meu quarto, tranco a poeta, não consigo nem chegar na cama, deito no tapete, com a mão no rosto. Vanessa- abre aqui Clara, vamos conversar, amor você sabe que a culpa é sua, porquê não me atendeu? não me respondeu? não quis que eu fosse com você, demorou horrores, o que você queria que eu pensasse, abre a porta vida, vamos conversar. Um silêncio toma conta e do nada ela começa a gritar. Vanessa- abre aqui sua p*****a, você tava me traindo, sua mentirosa, v***a, abre Clara, ou eu vou tacar fogo nessa porta, eu vim do Rio só pra ficar com você , e você não me valoriza. Continuo sem falar nada, levanto, tiro a roupa, entro na banheira, espero ela encher e molhar devagar meu corpo. As batidas na porta voltam dessa vez mais suaves. Vanessa- Tô indo embora! Acabou Clara, você vai morrer sozinha, quero ver quem atura suas piadas idiotas, quem vai aguentar sua chatice, sua burrice, sua falta de classe, e ainda tá ficando gorda e feia, até seus pais foram morar em outro país porque não te suportam. Pensamentos vão enchendo a minha cabeça como a água que vai enchendo a banheira. Ela tem razão ninguém me suporta. Vivi narrando- preciso ver a Clara, tô com saudades dela, e tô sentindo que ela precisa de mim, ligo no celular dela, tá dando desligado, não tá online em nada, vou na casa dela. Espero o Sombrio chegar, más ele não aparece, vou sozinha mesmo. Não vou demorar, só preciso saber da Clara, a Vanessa tá com ela, e eu não confio na Vanessa, tenho muito medo que ela possa machucar a Clara , ela é ciúme daquelas loucas. Chego no condomínio, falo com o porteiro que libera o Uber. Toco a campainha ninguém atende, as luzes estão apagadas. Entro bato na porta do quarto, ninguém responde, tá trancado, bato de novo. Vivi- amiga? Clara? Abre aqui amiga. Eu já vi essa cena antes e o motivo é Vanessa. Vivi- abre aqui amiga. Ela abre pelada e toda molhada. Abraço ela assim mesmo. Clara- eu sou uma merda, ninguém me quer. Ela fala soluçando chorando. Vivi- você tá doida? Isso é coisa da Vanessa não é? Ascendo a luz do quarto, pego a toalha enxugo o rosto dela, e percebo que tá vermelho, inchado com marca de dedos. Vivi- ela fez isso com você? Cadê ela? Eu vou matar ela. Clara- você aprendeu rápido, tá falando igual ao Sombrio. Vivi- eu não tô brincando Clara, você vai esperar ela te matar? Eram mordidas, arranhões, gritos, agora isso? Clara- ela terminou comigo. Vivi- ela que terminou com você? Pego uma roupa pra ela, enxugo passo creme, desodorante, ajudo ela a se trocar. Vivi- a Vanessa é a única pessoa capaz de deixar você assim, e você permite isso Clara. Clara- eu amo ela. Vivi- amor não machuca. Ela deita no meu colo chorando muito. Clara- você não pode andar aqui no condomínio, vão te ver amiga. Vivi- eu não ligo, não vou deixar você sozinha desse jeito. Clara- O Murilo pode chegar aqui em horas, é melhor você voltar. Vivi- vamos comigo então, eu não vou sem você. Clara- tá, eu vou! Volto pro morro com ela, que não para de chorar. Sombrio narrando- distribui o pó nas lojinha, e vou lançar um baile f**a pra girar rápido e trazer dinheiro pro meu bolso, a parada tá fluindo. Se prepara jogador que seu pesadelo tá chegando, tú vai jogar meu jogo filho da p**a. Entro em casa, procuro a Vivi e não acho. Ligo pra Milena, nada! Passo um radio pra ver se alguém viu ela passar na saída, já fico atribulado quando o mano fala que ela passou. Porra! Já fiquei como? Doido mano. Já tava quase pronto pra fazer uma operação pesada, ai ela entra com a Clara. Sombrio- qual foi véi? Tú saiu sem me avisar pô, o bicho tá solto e tá vivo mano, tu tá carregando meu filho pô, vai esquecer não falô? Ela me olha e não responde, sobe as escadas com a Clara. Vai se fuder p***a! O cara tá caçando ela, e ela dá um mole desse, tá de s*******m. Carai brisei, falei no maior comando de voz, fiquei bolado, más tô na minha razão. Já passei logo a visão pros cara, não é pra deixar a Vivi passar, saiu de casa tem que me passar a voz. Subo pro quarto, tô bolado, ela tá maior tempão lá com a Clara, e de qual foi a da Clara tá aqui? O soldado falou que viu ela entrando de boa no condomínio. A Vivi entra no quarto. Vivi- porque você falou comigo daquele jeito? Sombrio- tú saiu do morro, sabendo que aquele cara tá por aí só esperando um mole pra dar um bote. Vivi- a Clara tava precisando de mim, eu tinha que ir. Sombrio- eu podia ter mandado buscar a Clara. Vivi- eu fiquei preocupada com ela e você não chegava, e nem me atendia. Sombrio- tô ligado, más tu não pode sair assim não, falô? Ela começa a chorar. Sombrio- chora não amor, foi m*l aí o jeito que eu falei com tú, mas só de pensar naquele desgraçado fazendo m*l pra você de novo, meu sangue ferve. Vivi- eu só importo pra você porquê carrego seu filho? Sombrio- tá viajando? Eu te amo patricinha, amo a mãe do meu filho. Vivi- más você falou...pra eu não esquecer. Sombrio- pra tu não esquecer que não é só você que corre risco no bagulho, o bebê também. Beijo ela, essa parada de saber falar eu ainda tenho que aprender mano, ainda mais quando tô bolado, que eu não me seguro. Sombrio- perdoa meu jeito sombrio de ser. Vivi- você teria coragem de me bater? Sombrio- não bato em mulher, e muito menos na mulher da minha vida. Vivi- isso foi lindo, eu sei que somos muito diferentes, más vamos conseguir, eu te amo. Sombrio- e aí já dá pra saber se o bebê é um pivetinho ou uma pivetinha? Ela ri. Vivi- acho que sim! Sombrio- vou lançar no baile, o baile do bebê vai ser doido, com você minh patricinha. ❤️Sombrio deu seu jeito, e Clara continua ficha limpa. A braba perde a marra quando a Vanessa oprime e machuca ela. Só de pensar que tem muitas Vanessas por aí e muitos Vanessas também, é triste! Vivi mete o louco e sai do morro, procurando problema, e sombrio já mostrou logo que quando tá bolado é Sombrio de verdade! Que nossa palhaçinha consiga acordar pra vida e que Suelen esteja lá quando ela acordar. Menino ou menina? Quem dá mais?
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