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1383 Palavras

A mulher estava de costas, cabelo ruivo preso num coque desalinhado, mechas soltas colando na nuca pelo suor. Ela inclinava o corpo sobre uma potranca deitada, a perna do animal presa num tecido, as mãos da mulher trabalhando rápidas, costurando um corte limpo na pele. Seus movimentos eram seguros, o pulso firme. E quando a potranca se agitava, ela murmurava alguma coisa sem parar, a voz com aquela cadência que acalma. Dei um passo sem querer e a tábua rangeu. A mulher parou de costurar, a agulha suspensa no ar, e virou só o rosto, o perfil duro e bonito: maçã do rosto alta, a linha do nariz, a sombra num canto da boca que parecia mais cansaço do que idade. E os olhos… “Quem está aí?” A pergunta veio sem curiosidade, só irritação. Engoli seco, a mão cobrindo instintivamente o curat

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