Naquela noite, tive um sonho… De longe, reconheci a casa. Pequena, de madeira clara, com o telhado baixo… a mesma onde morei com meu pai quando criança. Só que agora, ela queimava inteira. As chamas engoliam as paredes como se sempre tivessem estado ali, esperando o momento certo para destruir. O céu acima estava alaranjado, coberto por uma fumaça espessa que subia como um véu. O cheiro de madeira queimada já chegava até mim, pesado, enjoativo, e ainda assim meus pés se moveram sozinhos. “Pela Deusa…” O calor era tão denso que parecia me empurrar para trás, mas ainda assim eu avancei. O ar fedia a fumaça grossa, queimava dentro da minha garganta como se eu tivesse engolido cinzas. Cada passo rangia no assoalho, as tábuas já pretas, estalando sob o peso do fogo que devorava tudo. A c

