Exalei pelo nariz. "Há alguns dias."
Eu quase podia ouvir o crepitar dos pensamentos em sua cabeça, sentir o calor saindo dele à medida que a verdade se juntava.
Finalmente, ele falou. "Ragnar e Sorvane escolheram o mesmo humano."
Eu não respondi.
"É por isso que Ragnar não deixa que ela se machuque", continuou ele. "É por isso que Sorvane não está satisfeito com uma única mulher neste reino." Romeo balançou a cabeça, quase um riso amargo. "Eles vão matar você, Drakkar. Por ela."
Antes que eu pudesse responder, as portas se abriram atrás de mim e passos pesados ecoaram pela câmara enquanto o restante do conselho entrava, incluindo os altos anciãos que tinham acabado de voltar de Kiev.
A câmara se encheu de mantos e murmúrios enquanto os conselheiros tomavam seus lugares. O Élder Merek, ainda tirando a poeira das mangas, foi o primeiro a falar. "Kiev nos recebeu generosamente", anunciou ele, abaixando-se em sua cadeira. "Eles trataram nossa delegação com todas as honras".
O Ancião Valassan acenou com a cabeça ao lado dele. "As rotas comerciais estão abertas. Negociamos condições favoráveis para os grãos. Em troca, eles enviarão madeira, óleos e acesso aos portos marítimos do leste."
O olhar de Romeo queimou a lateral do meu rosto, mas não olhei para ele.
Outro entrou na conversa: "As conversas sobre o fortalecimento dos laços transcorreram sem problemas, muito mais do que prevíamos."
Fiquei em silêncio, com os dedos batendo uma vez contra a mesa de pedra. Nada disso explicava como um bando de humanos invadiu meus portões enquanto metade do conselho estava fora, apertando as mãos.
"Bom", eu disse, cruzando as mãos. "E enquanto estávamos ganhando novas rotas comerciais, quase perdemos a capital."
Um ou dois se mexeram em seus assentos.
"Valassam caminhou até o aparador entalhado na extremidade da câmara. O silêncio se estendeu enquanto ele abria uma garrafa de uísque âmbar e a colocava lentamente em um copo. "Há problemas com os humanos em toda parte e, em breve, suas armas os tornarão tão poderosos quanto nós."
Valassan tomou um gole medido e depois se voltou para a mesa. "Kiev", continuou ele, andando atrás das cadeiras, "já foi nada mais do que uma pequena matilha antes das guerras humanas. Antes mesmo de o senhor nascer, Vossa Alteza". Ele parou atrás de mim. "Eles eram nossos subordinados leais e seguiam ordens sem hesitar. Ao longo dos séculos, foram concedidas a eles... pequenas medidas de autonomia. Nada ameaçador."
Valassan se moveu novamente, mais devagar agora, colocando o copo no chão.
"Eles eram como uma criança rebelde. Curiosos, mas inofensivos." Ele se inclinou para frente, com as duas palmas das mãos sobre a mesa agora. "Mas acredito que chegou a hora de trazer essa criança de volta para casa."
Seu terno, preto como breu e engomado com perfeição, se agarrava à sua estrutura alta e magra. Por cima, ele usava um longo manto cerimonial, grosso e cinza escuro, com a gola rígida e mangas largas. Uma corrente de prata prendia a frente do traje.
Seus cabelos eram cinza-ferro, seu rosto era anguloso e ilegível. Os olhos eram escuros e de pálpebras pesadas, emoldurados por linhas profundas, conquistadas em décadas de negociação.
Sua voz baixou, mais fria agora. "Estamos tendo problemas com os humanos. Eles também estão. Precisamos de uma aliança que recrudesça o poder entre os lobos. Porque é isso que os humanos estão fazendo. Eles estão se unindo."
Romeo finalmente falou, com a voz aguda sob o exterior calmo.
"Eles propuseram algum tipo de aliança?"
Um dos conselheiros mais velhos, Edran, limpou a garganta e respondeu, sem encontrar meus olhos. "O rei de Kiev expressou interesse em um vínculo mais profundo entre nossas linhagens." Outra pausa, mais longa, mais pesada. "Ele deseja que você conheça a filha dele", continuou Edran. "Kiara."
Uma onda de murmúrios passou entre os membros do conselho, mas eu não me movi. O olhar de Romeo se voltou para o meu. Eu senti isso.
É claro. Não se tratava mais apenas de grãos ou portos marítimos. Tratava-se de sangue.
E casamento.
Romeo exalou, cruzando os braços. "Todos sabemos que a Deusa da Lua não lhe deu uma luna", disse ele, lançando-me um olhar de lado. "Mas talvez o rei ainda possa nos dar uma rainha."
**
Angelina POV
Já faziam dois dias desde a invasão e eu não tinha saído deste quarto nenhuma vez. A porta nunca se abria, a menos que alguém trouxesse comida e, mesmo assim, ela era trancada imediatamente. As janelas haviam sido fechadas com barras de ferro, com vidros reforçados, grossos demais para serem quebrados.
Eu era um hóspede.
Um enjaulado.
E ainda assim... em ambas as noites, acordei com uma sensação que não conseguia explicar. Uma presença no escuro, como se alguém tivesse ficado perto da minha cama, apenas observando. E nas duas vezes, quando abri os olhos, o quarto estava vazio.
Na terceira noite, decidi não abri-los. Fiquei quieta, respirando devagar, de costas para a porta. A seda da minha camisola se agarrava às minhas pernas. Era curta, uma camisola rosa pálida que eu havia encontrado dobrada ordenadamente ao pé da cama no dia anterior. Minhas coxas nuas estavam apertadas umas contra as outras para se aquecerem.
O piso de pedra sugava o calor de tudo, e o fogo na lareira havia morrido há muito tempo, deixando apenas brasas e um leve brilho laranja.
Os minutos se passaram e eu não me movi.
Então veio.
O girar da fechadura, o gemido suave da porta se movendo para dentro, e uma corrente de ar mais frio rolou pelo chão. A porta se fechou novamente e o ar mudou... mais quente.
Eu podia senti-lo mesmo sem olhar.
Passos.
Virei-me lentamente, com cuidado.
Drakkar estava na poltrona e suas pernas estavam ligeiramente afastadas, com os cotovelos nos joelhos, olhando para mim.
Gotas se agarravam às pontas de seus cabelos escuros, mechas caindo em ondas irregulares sobre sua testa, um cacho roçando o canto de sua têmpora como se não tivesse o direito de ser tão suave em alguém tão letal.
Meus olhos se voltaram para o tronco dele, com os músculos esticados sob a pele dourada ainda úmida do banho. Ele vestia apenas uma calça de linho preta folgada, baixa nos quadris, com o tecido grudado apenas o suficiente para mostrar as linhas esculpidas por baixo.
E seus olhos... aqueles olhos azuis glaciais estavam fixos em mim. Eles rastreavam cada centímetro de mim, lentamente, sem piscar, e eu senti isso no fundo do meu estômago.
Drakkar me olhava fixamente, mas não como um homem admirando algo delicado. Não, ele olhava como se estivesse decidindo qual parte de mim quebraria primeiro se ele me tocasse da maneira que queria.
Eu me mexi na cama, puxando o cobertor para cima de minhas coxas. "Você está me vendo dormir?"