Episódio 3

1832 Palavras
— Vamos fazer uma festa apenas nos dois. Neste momento os seus olhos encontram os meus e eu engulo em seco. Eu não estava enganada. Ele sugere passar esta noite mais próximos um do outro. Até os meus dedos ficam dormentes de excitação. — Seria indecente sair da festa. Estou tentando sair dessa situação. Eu não quero ser rude. Ainda não decidi o que quero dele. Por enquanto quero ganhar algum tempo. — É bom para você se divertir, não é isso que você estava procurando até agora? Ele sorri ironicamente novamente e depois de um segundo se afasta de mim. A decepção surge como uma onda poderosa. Não resta nenhum vestígio de bom humor. O homem vai ao banheiro. E eu retiro nervosamente a toalha de papel e seco as mãos. Viro-me para sair para o corredor quando esbarro em alguém. — Tenha cuidado. Murmuro e só quero dar um passo para trás, quando os dedos de alguém apertam a minha mão com força. — Eu estava te procurando. O amigo do Igor, o mesmo que me ofereceu privacidade na sala VIP, se apoia em mim e me empurra contra a parede. Posso ver por ele que ele bebeu demais. A náusea sobe pela minha garganta. Ele cheira a álcool, o seu rosto está molhado e suado. Os olhos brilham de luxúria e me percorrem de cima a baixo. — Você não deveria ter se esforçado. Eu digo e tento afastá-lo de mim, mas ele apenas sorri repugnantemente e, pressionando-me com o seu volume contra a parede, começa a me dar lambidas. Eu grito, uma mão enorme tapando a minha boca enquanto a outra mão do bastardo tenta entrar por baixo do meu vestido. Tudo dentro está ficando mais frio. Não acredito que isso está acontecendo comigo. Naquele segundo noto um homem barbudo saindo do banheiro e olho para ele suplicante. Ele não pode me deixar em tal situação. Pode? Tento gritar, mas a música alta e uma mão nos lábios me impedem de fazê-lo. O barbudo parece sentir que precisa se virar. Tudo congela por dentro porque ele não tem pressa em me ajudar. Já estou literalmente implorando com os olhos, quando vejo que o homem revira os olhos e vir na nossa direção. O bastardo voa para longe de mim para a parede oposta em apenas um segundo. Eu suspiro por ar e coloco os meus braços em volta dos ombros do meu salvador. — Parece que a festa ficou menos podre, não é? Não tenho nem tempo de murmurar “obrigado” porque o barbudo vai embora. E caio num choque ainda maior, como estava há dois minutos. Não, agora eu definitivamente decidi, esse cara me irrita! Mesmo depois de fazer uma ação tão boa, ele pegou e estragou tudo. Não tenho tempo para ficar de pé e sentir pena de mim mesmo, porque o touro jogado contra a parede grunhe e começa a se mover aos poucos. Chegando mais perto, eu o chuto e voo rapidamente para o corredor. A vontade de ficar aqui desaparece instantaneamente. Tudo dentro de mim, agora está com raiva. O primeiro impulso é expressar tudo para minha amiga e seu namorado! Por que dia*bos seus amigos são todos loucos?! Mas eu me interrompi um pouco. Ninguém pode ser responsabilizado pelas ações de outras pessoas. — Aonde você está indo? Katya voa até mim instantaneamente, assim que tento pegar a minha bolsa silenciosamente e me levantar. — Em casa, já me diverti bastante por hoje. Viro-me para a minha amiga e tento sorrir. — Arina, alguém te ofendeu? — De onde você tirou essa ideia? — O seu olho está tremendo. A minha amiga olha para mim com um olhar sério. — Algumas pessoas beberam muito álcool e se permitiram demais, mas eu já queria ir embora. — Vou contar ao Igor agora mesmo. O rosto de Katya fica vermelho e ela começa a ficar com raiva. Eu sei que a minha amiga é capaz de qualquer coisa por mim. — E você vai estragar o humor do seu Igor, no dia do aniversário dele? Não faça isso, estou mesmo indo para casa. Dou um beijo na bochecha da minha amiga e vou até as escadas. O homem barbudo parado no bar chama a minha atenção. Cerro os dentes com mais força porque a boneca Barbie está se esfregando ao lado dele novamente. O homem diz algo no ouvido dela, a boneca balança a cabeça satisfeita e sorri para ele. Bem, é claro, ela passou a noite inteira tentando conseguir isso, polindo as calças dele com a bu*nda. Tudo dentro está fervendo de raiva e irritabilidade. A boneca vai em direção ao banheiro, e o barbudo joga algumas notas no balcão do bar e sai da boate. A princípio diminuo a velocidade e penso em desacelerar um pouco para que ele não pense que o estou seguindo. E então eu decido, por que di*abos vou esperar? Eu também decidi ir embora e não me importo com o que ele pensa. Estou vasculhando a minha bolsa procurando o meu telefone. Tenho certeza de que eu terei que esperar cerca de quinze minutos por um Uber. Saio para a rua e respiro fundo. O ar é melhor aqui. Aponto o meu dedo para a tela do telefone. Eles me oferecem uma viagem pelo dobro do preço porque é horário de pico. Sábado. O auge da diversão. Suspiro e bloqueio o meu telefone. Compreendo perfeitamente que mesmo que estabeleça uma tarifa dupla, terei que esperar pelo menos meia hora. Observo com inveja o homem barbudo que, ao apertar o chaveiro, destranca o carro. É alguém que não terá que esperar um Uber e nem a sua boneca pintada. Em geral, quem vem de carro ao clube? Não bebe ou não se importa com as regras? Você sabe o que é a zombaria do destino? É quando você decide que a pior coisa já aconteceu com você, então o destino lhe joga a cereja do bolo. Irritada, desvio o olhar do carro do cara, porque ele apenas percebeu que eu estava olhando para ele e olhou para mim com uma sobrancelha questionadora levantada. De qualquer forma, decidiu que corri atrás dele e agora não sei como desviar a sua atenção. E então Ian chama a minha atenção. Cerro os dentes até eles rangerem, as minhas unhas cravando-se na pele das palmas das mãos. Bem, que dia*bos?! Não bastava o bastardo bêbado do clube?! A vida estava definitivamente decidida a acabar comigo hoje. Ian abraça a sua nova franguinha, que claramente se revelou mais complacente do que eu. E então o seu olhar encontra o meu. Vejo os olhos do meu ex-namorado brilharem e um sorriso cr*uel aparecer nos seus lábios. Ele olha para mim e, puxando a franguinha para mais perto dele, e começa a empurrá-la na minha direção. Deus, sério? Ele ainda quer vir falar comigo? Eu sei que ele quer se gabar do fato de eu estar sozinha. Dizer que com o meu caráter nenhum homem me suporta. Ele contou tudo isso para nossos amigos em comum e até apostou com alguém que eu choraria por ele pelos próximos dois meses, e então rastejaria de joelhos e concordaria com tudo, se ao menos ele me aceitasse de volta. Nesse momento, tudo dentro ferve ainda mais de raiva. Quero arranhar a cara da galinha que está com ele. Mas, quero vencer ainda mais o meu ex! Para que ele enlouqueça e os seus olhos caiam das órbitas. Tomo uma decisão em poucos segundos. O carro do barbudo ainda está parado na frente do clube. Parece que a boneca dele decidiu se afogar no banheiro, então eu saio correndo. Estico os lábios num largo sorriso e, abrindo a porta, sento-me no assento ao lado do homem. Sinto que Ian está maluco e observando tudo isso, então, para obter o efeito total, me inclino e me pressiono mais perto do homem barbudo, e depois o beijo na bochecha. Deveríamos dizer que neste momento não foi só Ian que enlouqueceu? — Aqui vamos nós? Não deixo o barbudo ser o primeiro a iniciar um diálogo. Eu entendo que ele pode ter apenas uma pergunta agora: que po*rra é essa? Portanto, assumo a perspectiva de mim mesmo e choco ainda mais. — Vejo que o último coquetel foi desnecessário. Para meu pesar, o homem se recompõe mais rápido do que eu poderia imaginar. Não vou sair do carro dele na frente do meu ex, que ainda está me olhando. O homem barbudo terá que me forçar a sair daqui. — Estou completamente sóbria, se é isso que você quer dizer. Estico os lábios num sorriso. — Você não vai se recusar a me ajudar, vai? Não posso chamar um Uber, e a única pessoa que conheço que pode me dar carona e que tem carro é você. Eu bato os meus cílios e sorrio novamente. Posso ver pela expressão no rosto do homem que eu o convenci já nas três primeiras palavras e que todo o meu monólogo o cansou. — Pareço um Uber grátis? O barbudo estreita os olhos e me lança um olhar tão forte que começo a pensar que seria mais seguro eu mesmo sair do carro. Sem a ajuda dele. Mas quando imagino que Ian vai contar para toda a empresa e como vão me provocar por mais um mês, decido imediatamente que não vou dar esse prazer a ele. — Não, você é um homem que vai ajudar numa situação difícil. O barbudo olha para mim, do qual arrepios aparecem na minha pele e um segundo depois ouço um clique. Foi ele quem bloqueou as portas. Espero que não haja sacos plásticos e um machado no seu porta-malas. — Você é uma péssima juíza de pessoas. Diz ele num tom completamente cr*uel, e tudo dentro de mim fica frio. Ele liga o carro e, virando o volante para o lado, sai da boate. Viro-me para a janela vejo a sua Barbie saindo da boate e virando a cabeça incompreensivelmente em todas as direções. Ian cuida da saída do carro e espero que ele tenha se lembrado das placas. Caso eu seja procurada amanhã. — Aqui à esquerda, e depois... Ainda espero que ele só quisesse me assustar e agora me leve para casa... Mas não... O homem ignora as minhas palavras e continua dirigindo em frente. — Tudo bem, você pode virar mais ali, vai ter que dirigir mais um pouco, claro, mas... — Vejo que é difícil para você entender. Ele finalmente levanta a voz e eu me espremo numa cadeira. — Não vou levar você a lugar nenhum. Você tinha que pensar com a cabeça antes de se trancar no carro com um estranho. — Então me deixe aqui, eu... O homem barbudo sorri ironicamente e vira a cabeça na minha direção e olha para meu rosto. — Eu tinha planos para esta noite, você os estragou. Então você terá que resolver isso.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR