-- Isso não saiu tão bem quanto eu esperava.-- Theodoro finalmente disse a Arthur, após uma hora sentados em silêncio na sala de espera da clínica veterinária de Daegu Arboretum, a mais ou menos uma hora e meia de distância de Damyang. Ele pareceu surpreso por o pássaro ter aguentado a viagem. Arthur não se espantou.
-- Sinto muito por tudo. -- Respondeu.
-- Porque está se desculpando? Vocês não fizeram nada de errado. Foram eles.
-- Não é como se eles soubessem, ou pudessem compreender, a relação que eu tenho com Rico. Não se pode os culpar. Eles pensaram que estavam apenas atirando em um pássaro.
-- Exatamente. É esse o problema. Nós temos uma relação colaborativa com os pássaros. Principalmente com os corvos, Mas eles são leais a sua espécie. Se começarmos a atirar para cima, eles virão em cima de nós no mesmo instante.
-- Eu não sabia.
-- Seu gavião fez c**ô na minha cabeça e viveu para contar história. Isso não foi uma pista?
-- Sabe, eu pensei que você tinha deixado passar um gostar de mim.
Theodoro se inclinou até encostar seu ombro no de Arthur.
-- Ela fiz c**ô na minha cabeça!
Rindo pela primeira vez um bom tempo, Arthur anuiu:
-- Entendi.
-- Tudo bem então.
O veterinário dos fundos da clínica, sorrio para eles.
-- Bem, para minha surpresa, parece que seu parceiro vai sobreviver.
Arthur arregalou os olhos e abriu um pouco a boca, para dar impressão de que essa informação realmente ouviu chocado.
-- Tem certeza?
-- Tenho. Agora, ela vai precisar de muito cuidado nos próximos dias.
-- Claro.
-- E eu devo perguntar, você tem licença de falcoaria?
Arthur nem sabia que existia algo assim.
-- Bem. -- Decidiu dizer pelo menos uma meia verdade. -- Ela apareceu um dia, e foi ficando eu não sabia que precisava de licença.
-- Na verdade, um dos dois deveria ter. Mas não vou fazer questão dela. Apenas algo em que deve pensar, se porém levá-la a outro veterinário. Eles podem fazer várias perguntas.
-- Sem problemas.
-- Tudo bem, então. -- O veterinário sorriu. -- Logo estará pronta para sair Vamos te entregar medicamentos necessário para cuidar dela.
-- Ótimo! Muito obrigado! Assim que o doutor saiu da sala de espera, Arthur abandonou o dolorido sorriso falso. -- Não acredito ter que pagar todo esse dinheiro para uma porcaria que o pássaro nem vai precisar.
-- E porque não vai precisar?
-- Gabriel. Ele é nosso curandeiro. Assim que aquela flecha atingiu Rico, ele liberou um feitiço para cura - la. O que também explica porque ele partiu para cima do... como é mesmo o nome dele?
-- Luther.
-- Isso, Luther. Há efeitos colaterais quando se usa tanta magia viver tão rápido sem preparo anterior. Para ele é a ira. -- Arthur balançou a cabeça para contestar. -- Preciso de licença de falcoaria? Estão brincando com a minha cara?
Theodoro riu, O sorriso sumiu quando Arthur ouviu a campainha da porta de entrada ao se abrir. ele ergueu os olhos e observou um homem grande e musculoso atravessar a sala até eles. Ele parou bem em frente e deu a cabeça para Theodoro, antes de se concentrar em arthur.
-- Sr. Arthur Valentin. -- Ele disse estendendo a mão. -- Meu nome é Buck Máximo, e queria me desculpar pelo que aconteceu hoje.
Theodoro não sabia que o pai estava fazendo ali, mas enquanto via Arth apertar a mão dele. -- Tudo o que eu queria é explicar desde já que não acho certo que eles fizeram.
-- Ah, não? E desde quando?
-- Agradeço muito por ter vindo aqui pessoalmente me dizer isso. -- Respondeu Arth. -- Faz com que me sinta bem melhor.
Ele não pode estar acreditando!
-- E eu lhe agradeço por ter ouvido. também espero que acrescente qualquer despesa que tenha aqui a minha conta do hotel.
-- Não será necessário.
-- Para mim, é. Prometa que vai fazer isso.
-- Está bem...
-- Obrigado. -- Buck ainda segurava a mão dele, analisando antes de soltar. Depois inclinou a cabeça para ambos e saiu.
Theodoro o seguiu de perto. Quando se aproximaram da picape do pai, ele indagou:
-- Que diabos você está aprontando, velho?
Buck parou e o encarou.
-- Não estou aprontando nada. E olha como fala comigo, moleque. Não sou aquele felino com quem você cresceu.-- E ali estava a verdadeira face de Buck Máximo.
-- Você não me engana, nem por um segundo.
Buck sorriu.
-- Não sei do que está falando...filho.
Théo rosnou enquanto Buck deu a volta até o banco do motorista. Ele entrou e fechou a porta, o braço descansando na janela aberta.
-- Sabe, estive pensando, talvez esteja na hora de deixar o passado para trás.
-- Ah, é?
-- Deixaria minha Wanda muito feliz. Ela não gosta de toda essa conversa.
-- Não sabia nem que conhecer essa palavra, "conversa". Sabe como soletrar?
-- Engraçadinho... Você sempre foi engraçadinho, não? -- Buck deu partida. -- Tudo o que estou pedindo é uma chance. Só uma, para acertar tudo. Pense sobre isso.
Théo ficou no estacionamento, sem saber por quanto tempo, depois da saída do pai. Outros pacientes chegaram, os cães rosnando tentando avançar nele, ou se acovardando em suas coleiras, os gatos sibilando para ele de suas caixas de transporte. Um garanhão, trazido para se tratar nos fundos, onde eles cuidavam dois animais de maior porte, fugiu do seu trailer antes que o dono pudesse sair da cabine do caminhão, disparando rua baixo, com metade da equipe veterinária em sua perseguição. Durante esse tempo, Theodoro não moveu um músculo, até Arthur sair com Rico envolvida em bandagens, e uma caixa de transporte, e uma sacolinha de remédio pendendo do pulso. Ele para o lado de Theodoro, o estudando em silêncio.
-- Ele disse que quer deixar o passado para trás.
ARTh deu de ombros.
-- Bem...
-- Não me diga o que acha quero ouvir, Arth. -- Diga-me o que acha.
-- O que eu acho? -- Ele soltou um suspiro. -- Acho que quero um milk shake de chocolate daquela lanchonete ali. Acho que rico vai realmente explorar minha compaixão tanto quanto puder. E acho que se seu pai tiver meia chance, vai cortar sua garganta e larga - lo para morrer sangrando na margem do lago que eu acidentalmente envenenei. Mas você tem a seu favor o fato de que ele quer algo, e não fará nada até conseguir. Mas se você se afastar agora, só fará com que volte depois. Talvez em um momento muito r**m. Sou um grande fã de esperar para ver o que as pessoas vão fazer, em vez de reagir. Só se certifique de estar preparado para ele. Enfim... Essa é a minha opinião. -- Ele puxou a camiseta de Theodoro. -- Venha Vamos tomar aquele milk-shake.
Em seguida, e de repente ele fez algo que surpreendeu a ambos, erguendo-se nas pontas dos pés e beijando o rosto de Theodoro. ARTh arregalou os olhos castanhos e se afastou, tentando soar casual:
-- Isso foi por ter vindo comigo. E pela noite passada.
Pela primeira vez desde que o pai saíra, Théo viu tudo ao seu redor com clareza de um cristal. O céu azul, a terra puerenta a seus pés, o garanhão voltando correndo do outro lado da rua, os veterinários e o proprietário dele ainda tentando pega - lo, e o incrível traseiro visível dele pelo lado do passageiro do carro, enquanto Arth colocava a caixa com seu pássaro no banco traseiro.
Depois de passar alguns minutos com o olhar fixo de cobiça, Theodoro ouviu arth dar um suspiro de aborrecimento e virar-se para encará-lo .
-- Importa-se de me dar uma mãozinha, Théo?
Ele não se mexeu, pois não sabia Para que seria ajuda.
-- Ela não vai sossegar aqui. Acho que talvez você precise segurar.
O pássaro. Ele estava falando sobre o pássaro. O que era bom, porque se fosse sobre outra coisa, eles não saíram daquele estacionamento por horas, e Daegu Arboretumera uma cidade muito familiar. No final, não seria correto. Pelo menos não por enquanto.
ARTh estacionou e desceu do carro. Já tinha levado Rico de volta para casa, e a deixado andando pelos móveis, fingindo que estava fraca demais para voar. Agora estava de volta ao hotel, para falar com seu círculo de bruxos. Especialmente com Gabriel.
foi até a escada para varanda e chegava a porta quando escutou:
-- Falei com os meninos. Eles sentem muito mesmo pelo que houve.
Ele parou e voltou se lentamente para Buck Máximo. Ele estava sentado em uma das cadeiras de balanço que ficava na varanda, observando com os olhos muito parecidos com os do filho. Mas ele era maior que Theodoro, perigosamente grande. O tipo de sujeito com quem ele não gostaria de ficar sozinho em um beco.
-- Foi só um m*l entendido.-- Arth lhe devolveu mesmo sorriso que usava com acusados que tinha certeza de serem culpados de assassinato, mais sobre os quais ainda não possuía prova o suficientes.
-- Vocês não são como os outros círculos de bruxos. Arthur se aproximou dele, mas não muito. havia algumas pessoas no mundo de quem ele não gostaria de chegar muito perto. Buck Máximo, definitivamente era uma delas.
-- Pode-se dizer isso.
-- Vocês todos são muito mais bonitos. Aqueles do meio oeste que estavam aqui por último pareciam ficar melhor atrás de um arado.
A risada de Arthur foi genuína.
-- Então, você e meu filho estão juntos?
Aquilo pareceu estranho, vindo de um pai tão relapso.
-- Não. Somos só bons amigos.
-- Algo me diz que você não tem muitos amigos.
-- E Algo me diz que você não tem nenhum. Mas, ei -- Ele continuou, antes que ele pudesse responder -- , não é por isso que você está aqui. Está aqui para ver seu filho. Para estender uma ponte. Foi o que disse a Theodoro, não foi?
-- Sim, foi.
Ele o analisou e Arth não fugiu, nem desviou o olhar. Não sabia o que ele estava olhando ou procurando, mas ele não recuava diante de ninguém. Era algo que aprender a enquanto era da polícia: "demonstre fraqueza, e a escória acaba com você em um instante. "
-- Aí está você! -- Wanda acenou da entrada do hotel.
A mulher não chegará a 3 metros de distância, e os olhos de Arthur já lacrimejavam. Será que ela se banhava naquele cheiro?
Talvez Arth não recuasse de um incêndio ou do pai de Theodoro, mas não suportava aquele cheiro. Quando Wanda chegou a varanda, Arth já estava entrando no hotel, fechando a porta com firmeza. Espirrou duas vezes e Craig lhe sorriu da recepção.
-- Wanda? -- Ele Perguntou.
-- Definitivamente,vamos precisar desinfetar o quarto dela quando forem embora.
Theodoro relaxou em uma mesa do seu bar favorito. Não era o mais chique da cidade, mas era o mais confortável, tinha sua cerveja preferida e a melhor música ao vivo da Costa. Afinal, a música era relaxante, era perfeita para ele naquele momento. Precisava relaxar e se acalmar. Não era fácil, sentindo-se, como estava, completamente estressado e tenso por causa dos planos do pai.
Theodoro bebericou sua cerveja, concentrou-se na música e deixou sua mente vagar até Kyle se sentar de um lado e Katie do outro.
-- Então como vai aquele pássaro? -- Perguntou Kyle, antes de tomar a cerveja da mão de Théo.
-- Provavelmente fazendo c**ô na cabeça dos esquilos.
Katie apoiou a cabeça no ombro dele.
-- Achei tão doce de sua parte ir com ARTh cuidar do gavião.
-- É, dito assim, parece tolo.-- Resmungou Kyle.
Théo beijou a cabeça da irmã.
-- Era a coisa certa a fazer.
-- Por que? -- Kyle perguntou, colocando a garrafa de cerveja, agora vazia, na mão do irmão. -- Não é culpa sua. Acho que, se alguém devia ir com ele, tinha que ser Luther.
-- Luther Máximo no mesmo carro que Arthur Valentin??
-- Porque não? colocaríamos uma câmera no carro antes e poderíamos vender a briga em pay-per-view.
Os irmãos riram enquanto Katie puxou a manga comprida da camiseta de Théo.
-- O o que está havendo entre você e o bruxo?
-- Nada.
-- Tem certeza? Porque se for algo sério, ele vai ter que parar de me chamar de Dentinho.
-- Vou falar com ele a respeito. -- Théo respondeu de modo rápido e em voz alta, para encobrir a risada de Kyle.
ARTh entrou no bar e parou de imediato.
-- Um bar de reggae no meio do nada, em Damyang Jiknokwon? -- Falou para os meninos. -- Estou com um pouco de medo.
Gabriel passou por ele, mais uma vez todo sorrisos. Seu acesso de fúria da tarde já estava esquecido.
-- Você perdeu umas das bandas ótimas! Eu Já chamei você para vir comigo antes, mas não... Você nunca ouve!
Ele entrou mais para o fundo do bar e um grupo de homens enormes sentados a uma mesmo chamou pelo nome.
-- Vejo vocês depois!
Ele correu e se jogou sobre o maior deles.
-- Ursos. -- Disse Gail, perto de Arth.
-- Polares, para ser exato. -- Acrescentou kal.
-- Onde eu estava quando isso aconteceu?
-- É o que temos nos perguntado com frequência, ultimamente.
Arth exalou um suspiro, cansado demais para ter aquela conversa.
-- Não comece, Gay.
-- Não era a minha intenção. Você fez uma pergunta e eu respondi.
-- É amor? -- Perguntou a ele.
-- Por enquanto. -- Disse Craig, olhando em volta, até avistar Kyle e se afastar na direção dele.
-- Espero que dure até o próximo inverno.-- Kaleb suspirou, e os dois primos se voltaram para ele.
-- Você quer ver Gabriel feliz e apaixonado? -- Questionou Arth.
-- Até o inverno.
Gail ficou curioso.
-- Porquê?
-- Porque... Quero estar perto quando ele descobri se eu querido urso polar em um daqueles lagos artificiais congelados, pacientemente esperando por um bebê foca que vamos colocar ali só para levantar a cabeça, para que o urso polar possa arrancar o da água gelada,rasgado em pedaços e devora lo como um biscoito de chocolate.
-- Ele deixa você é louco mesmo não?
-- Sim! Por que ninguém deveria ser tão alegre e animado de verdade! -- Ele soltou a respiração, relaxando. -- E a propósito, estou voltando para casa. -- Quando Arth franziu a testa, ele Acrescentou: -- Estou jogando.
Como se explicasse tudo... Mas para os primos, explicava mesmo.
-- Você vai ficar?-- Arth Perguntou ao primo.
-- Uma bebida cairia bem.
-- É, para mim também. -- Arth entregou as chaves do carro para kaleb. -- Leve o carro, Nós voltamos a pé.
-- Tem certeza?
-- Tenho.
Juntos, foram para o bar, mas Craig gesticulava, chamando. Quando eles o ignoraram ele gritou:
-- Ei!
Arthur suspirou, ambos mudando de curso.
-- Lembra Quando ele era aquele menino terrivelmente tímido inseguro?
-- Bons tempos.
-- Agora que arranjou um namorado, está exigente e mandão.
-- É A mágica do s**o com gatos. -- O primo murmurou em seu ouvido, e soou tão engraçado que Arth chegando ao balcão. E quando Kyle os cumprimentou, o riso só fez aumentar.
-- O Que é tão engraçado? -- Perguntou Craig.
-- Não ligue para ele. -- Respondeu Gail, empurrando Arthur para uma cadeira.
-- Espere. -- Disse Katie, deslizando pelo balcão. -- Eu quero esse lugar.
-- Por quê?
-- Não discuta.
Katie pegou o braço de Arthur e o empurrou para o banco. E finalmente parara de rir quando olhou para o lado e viu quem estava sentado ali. Théo piscou para ele, dando ou sorriso maior e mais piegas do que era capaz, o que fez começar a rir de novo, com ele imitando-o.
-- O que foi? -- Exigiu Jimin.