Teste

1372 Palavras
Duas semanas depois... Lavínia narrando Saio da festa vomitando na primeira lixeira que vejo. Meu estômago revirava desde cedo, e só piorou com o barulho e as luzes da festa. — p***a, Lavínia, o que está acontecendo? Por que saiu? — perguntam pelo meu ponto no ouvido. — Estou vomitando, figlio di puttana — respondo estressada, passando m*l o dia todo. Tentei avisar que não dava para vir, mas me enviaram mesmo assim. — Vem para a van, vamos mandar a Aneska no seu lugar. Não discuto, cansada. Após ter certeza que ninguém me segue, ando duas quadras até onde pararam a van. Bato cinco vezes levemente na porta e finalmente abrem. — Toma — me jogam o kit vômito: uma maçã para cortar a ânsia, água, chiclete e um moletom. — Valeu — agradeço entrando e me sento em uma das cadeiras no canto. Fecho os olhos, me sentindo tonta, e penso se alguém não me envenenou. Já é a quarta vez esta semana, não aguento mais, pior que enfiar a faca na ferida já aberta. ### [...] Acordo batendo a cabeça na parede e me assusto. — Desculpa — falam alto do volante, e assinto, me segurando melhor. A van para e sorrio para o Brad, que abre a porta ansioso. — Você está bem? — assinto, mesmo sentindo tudo rodar. — Consegue levantar? Tento, mas quase caio. Ele me segura no colo, levando para dentro da sede. Vejo alguns olhares sobre nós, e já com ânsia, fecho os olhos, me concentrando em não vomitar. Brad chuta devagar uma porta repetidamente até abrirem. — Mas o que estão fazendo aqui essa hora da noite? Não se pode mais dormir? — olho e vejo a enfermeira abraçada com uma garrafa de whisky. — Ela foi drogada, está vomitando e m*l consegue ficar em pé — ele fala desesperado, e ela suspira, fechando a porta e andando. Fecho os olhos, sem conseguir mantê-los abertos, e apenas sinto ele me colocar na maca. — Lavínia? Está escutando? — Sim, só estou tonta e cansada, e com — tento segurar, e o Brad rapidamente enfia um treco na minha frente para eu vomitar. Abro os olhos vendo uma comadre nojenta. Já basta ter que vomitar, agora vomitar em um penico hospitalar, aparentemente limpo, mas mesmo assim, eca. — Se fosse droga ela não vomitava, tinha apagado. Comeu algo podre ou envenenado? — Não propositadamente, né — falo deitando, e ela faz alguns exames de toque. Gemo de dor quando ela passa no canto do meu seio. — Está sensível? — Sim. — Já teve esses sintomas essa semana ou antes? — Só vomitei umas vezes essa semana e tive ânsia, mas essa fraqueza e tontura não. — Eu já volto — ela fala saindo, e o Brad me olha de cara feia. — A bonita tá passando m*l há dias e não me fala nada? É isso mesmo? Se cai morta por aí, eu fico viúvo sem nem saber o porquê? — Viúvo? Larga de ser exagerado — dou risada, mas paro quando a ânsia volta. — Viúvo sim, imagina viver sem você, eu não conseguiria — ele fala, e sinto vontade de beijá-lo, mas melhor não, preciso de um banho e escovar os dentes. Ele segura minha mão rezando, e fico em silêncio. Perdi um pouco a fé ultimamente, me sinto distante de qualquer Deus soberano que exista. Após um tempo, a enfermeira volta e olha para nós dois. — Rapaz, vai para fora, por favor — ela fala, e ele pensa em protestar, mas assinto, e ele vai, fechando a porta. — O que foi? Injeção ou me fazer vomitar mais? — pergunto me sentando, e ela n**a. — Teste de gravidez — ela balança a caixinha na minha frente, e arregalo os olhos. — Impossível. Me dá soro que está tudo certo e eu melhoro. — Você é sexualmente ativa, né? — ela pergunta, e assinto. — Então pode ter neném. Desculpa, eu não sei como foi sua educação s****l. Quando um homem e uma mulher ficam juntos e se amam... — Não precisa, eu sei como isso tudo rola. Só não pode rolar, eu me previno sempre. — Camisinhas rasgam, o esperma às vezes escapa, tudo pode rolar, meu anjo. Agora faz o teste, e se der negativo, a gente muda para o soro e vermífugo. — Tá bom — falo, e ela me dá água e uma barra de cereal. — Obrigada. — De nada. Você está mais branca que a neve, parece que vai desmaiar a qualquer momento. Como devagar, e quando termino, me levanto devagar, indo para o banheiro. Que eu esteja certa e seja intoxicação alimentar. ### [...] Me olho no espelho, e o Brad me abraça por trás. — Tá bem? — Sim — falo, e finjo olhar meu rosto no espelho, procurando algo. Ele me observa, parece analisar cada traço, congelo minha expressão em um rosto leve e despreocupado. — Você tá estranha — ele fala, mais como um fato, e finjo surpresa. — Estranha? Estou melhor, só pensando no que vão falar pelo meu deslize de hoje. Acha que vão reclamar? — Não, viram que você não estava bem, e conseguiram o que queriam de qualquer forma. Talvez você ganhe até uns dias de folga, sabe? — Que sonho, você podia ganhar também, né? Talvez precisemos de um tempo de paz para poder raciocinar. — Como assim? Uma viagem romântica? — ele pergunta feliz, e tento sorrir igual a ele. O nervosismo no estômago volta, me deixando enjoada e agora ansiosa. — O que ela te deu? Você parece estar melhor fisicamente, mas agora parece que viu um fantasma. Acho que temos que voltar lá — ele fala, e beijo seu braço. — Estou bem, só... preocupada e — ele dá a volta em mim e se abaixa à minha altura. — O que foi? — bato minha testa contra seu peitoral levemente, e ele ri, me pegando no colo e sentando na poltrona. — Tá carente? Fico em silêncio, mexendo nos seus anéis e pensando como vou contar algo que nem consegui acreditar e aceitar. Estou sem chão. — Tô ficando preocupado. Você tem verme? Ou sarna? Se tiver que passar pomadinha, eu não sei se consigo aguentar — ele fala brincando, e o olho séria. — Brincadeira, Lavínia. Eu passo pomada sim, me fala o que foi se não eu fico doido. — Eu estou... — me levanto sem conseguir falar e pego água, bebendo. — Tá legal, não precisa falar agora nesse momento. Quer ler um livro? — ele pergunta, e assinto, deitando na cama. Ele se abraça em mim e pega uma história que nem presto atenção enquanto ele conta em voz alta. — Eu tô grávida — falo rapidamente e do nada. Ele abaixa o livro me olhando. — Desculpa, eu não entendi. Parece que você falou... — Estou grávida. Grávida, Brad — a boca dele se abre em choque e seus olhos paralisam nos meus por minutos que parecem horas. — Grávida? — assinto já chorando, e ele sorri, me abraçando e me dando vários beijos na cabeça. — O que vai ser dessa criança, Brad? — Eu não sei. Agora, eu só posso te dizer que ela vai ser amada, que você também vai continuar sendo — ele fala, mas não paro de chorar nem assim. — Vamos voltar e vai ter guerra, sangue. Eu tô com medo, Brad, do que pode acontecer. — Não vale a pena se preocupar agora, tá bom? Vamos pensar nisso amanhã. Amanhã pensamos em como sair daqui, em voltar para casa e em contar para nossos pais. — Mas assim que voltarmos a guerra começa e... — ele me interrompe com um beijo e sorri, tentando me animar. — Ei, nós somos dois lutadores fodas, e nesse tempo que passamos aqui, aprendemos a como ser despercebidos, lembra? Como invadir um lugar sem ninguém saber, como se disfarçar. Ninguém vai saber que estamos lá até querermos. — Tá bom — falo, aceitando o ponto de vista dele. Fico pensando em qual vai ser a reação das minhas mães. Eu terei que voltar, terá uma guerra, e eu vou lutar. Mas grávida?
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