Isabela corre. Corre sem saber pra onde, sem entender o que está acontecendo. O coração bate tão rápido que parece que vai rasgar o peito.
— “Quem são eles... Quem é a Rita... Quem é o Gabriel... O Frederico... Meu Deus, o que tá acontecendo?!” — seus pensamentos são uma mistura de pânico, desespero e confusão.
Mas não tem tempo. Não há tempo.
Quando vira o corredor em direção à saída dos fundos, um dos homens de Demiam surge, bloqueando o caminho.
Alto, olhos negros como breu, pele pálida e um sorriso torto, c***l. A presença dele faz o ar ficar mais pesado, difícil até de respirar.
— “Você...” — ele aponta diretamente para Isabela. — “Está com algo que pertence ao meu mestre...” — sua voz soa como metal raspando.
— “O quê?! Eu... eu não tenho nada! Me deixa em paz!” — Isabela grita, recuando, as mãos trêmulas.
Ele sorri, andando devagar na direção dela. — “Você não faz ideia do que carrega, humana...”
Mas antes que ele avance, um rosnado rasga o ar.
Feroz. Gutural. Ameaçador.
Isabela se vira, e seus olhos quase saltam do rosto.
Rita não é mais apenas Rita.
O corpo dela cresce, os ossos se esticam, as roupas rasgam, e num estalo, uma enorme loba de pelagem dourada surge. Gigantesca, majestosa, com olhos âmbar que queimam de fúria.
— “C**lho...”* — Isabela quase cai pra trás, paralisada de puro pavor.
A loba abre as presas e rosna, mostrando dentes afiados capazes de partir qualquer coisa.
— “CORRE, ISA! AGORA! CORRE!” — a voz de Rita sai misturada ao rosnado, num som quase sobrenatural, que vibra na alma.
O homem das sombras nem tem tempo de reagir. A loba salta sobre ele com violência, derrubando-o no chão. O barulho de dentes rasgando carne, de sombras se desfazendo no ar, é tão assustador que Isabela se vira e corre.
Corre como nunca correu na vida.
As lágrimas escorrem pelo rosto, o peito dói, os passos são trôpegos. Tudo parece uma loucura sem fim.
— “O que... o que tá acontecendo comigo? Quem são vocês?! O que EU sou?!” — ela grita, mas ninguém responde.
Ela só sabe de uma coisa: precisa fugir. Precisa sobreviver.
Mas o destino já escolheu... e não vai deixar ela escapar tão fácil assim