Verdade

459 Palavras
Isabela tenta, com as mãos trêmulas, ligar o carro. Gira a chave uma, duas, três vezes. — “Liga... pelo amor de Deus, liga!” — ela sussurra desesperada. Mas naquele instante, o ar fica denso. Gelado. Quase impossível de respirar. O vidro diante dela começa a se encher de gelo, pequenas rachaduras brancas que se espalham como teias, bloqueando a visão. O som do vento... não. Não era vento. Era algo... vivo. Um sussurro frio que fazia sua pele arrepiar até a alma. — “Isa... eu te amo...preciso te proteger” — uma voz grave, elegante, carregada de malícia, ecoa bem atrás dela. — “Vou te contar toda a verdade...” Isabela paralisa. As mãos congelam na chave. — “Que verdade? Que verdade Demian?...” — responde, sem entender, sem aceitar, o coração disparando tanto que ela acha que vai desmaiar. Devagar, como quem se diverte com o medo, Demiam se aproxima do vidro. Seus olhos, profundos, de um vermelho escuro, se fixam nela. Um sorriso frio e sombrio desenha seus lábios. — “Ah... Isa você é tão forte , Mas... não dá pra fugir do destino pra sempre, docinha...” — ele levanta uma mão, e as travas do carro estalam, descendo sozinhas, como se algo invisível puxasse. Isabela, em pânico, tenta apertar o botão das travas novamente, força a porta, se joga pro banco do outro lado... mas não adianta. — “Não...” — ela sussurra, as lágrimas começando a escorrer. A porta se abre sozinha. Sem que ele sequer toque. O frio invade de vez. É como se todo o calor do mundo fosse sugado. A respiração de Isabela sai em nuvens, os dedos já dormentes. Demiam se inclina, a poucos centímetros dela. — “Não tenha medo...” — ele fecha os olhos, aspirando profundamente. — “Você carrega mais do que imagina, minha querida... muito mais...” Isabela se encolhe, pressionando o corpo contra a porta oposta, com o peito arfando. — “O que você quer de mim? Quem... quem é você?” — ela quase não reconhece a própria voz. Ele sorri. Um sorriso que não tem nada de humano. — “Eu? Eu sou Demian aquele que você deseja, seu amigo de infância. . Esse sou eu Isa.” Ele estende a mão, segurando delicadamente o queixo dela, fazendo com que ela o encare. Seus dedos são gelados como gelo, mas sua presença... é fogo e escuridão. Naquele segundo, um uivo rasga a noite. Forte. Potente. E logo em seguida, asas enormes batem, fazendo um estrondo no ar. Gabriel chega. E logo atrás... Frederico, em sua forma de lobo n***o, salta com tudo sobre Demiam. A luta recomeça. Pela vida... pela verdade... e por Isabela
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