Era uma ordem

689 Palavras
O velho Alfa Alfredo, com as mãos apoiadas na mesa, abaixou a cabeça por alguns segundos, respirando fundo, como se precisasse de toda a força que ainda restava nele para reviver aquele passado sombrio. Seus olhos, antes vibrantes de fúria, agora estavam carregados de dor, raiva antiga e resignação. Ele ergue lentamente o olhar, encarando cada um na sala antes de começar: — “Lira...” — sua voz saiu falha, embargada. — “Lira era... minha irmã.” — seu olhar encontrou o de Frederico, que apertou os punhos com força. — “Ela... estava prometida desde filhote ao Victorio... hoje Alfa da Matilha do Sol. Um acordo antigo, selado para manter a paz e a força das duas matilhas. Um acordo que era... sagrado.” — sua voz ficou pesada, amarga. Ele passou a mão pelo rosto, respirando fundo antes de continuar: — “Mas Lira... Lira ousou quebrar esse acordo. E não foi por um lobo... Foi por... por um Anjo Branco. Gael.” — ele cuspiu o nome quase como um veneno. Seu olhar foi direto para Gabriel, que manteve-se imóvel, encarando-o sem piscar. Martina levou a mão à boca, chocada. — “Não... isso não...” — sussurrou, com os olhos arregalados. — “Sim.” — confirmou Alfredo, firme. — “Eles se apaixonaram... ou pelo menos... foi isso que ela dizia. Lira... se entregou a Gael. Quebrou todas as leis. As leis dos lobos, as leis dos céus e as leis da terra. E...” — sua voz falhou. — “Ela ficou grávida.” Todos na sala ficaram em silêncio, o peso daquelas palavras parecia arrancar o ar de dentro das paredes. — “Quando Victorio descobriu... foi como se a Lua tivesse sangrado. A Matilha do Sol se virou contra nós. Quebraram todos os laços, os acordos, nos acusaram de traição. Juraram vingança.” — os olhos do velho Alfa tremiam. — “E Lira... Lira foi banida. Não deles. Mas nossa também. Ela escolheu o anjo. E... pagou o preço.” Ferdinan apertou os braços, respirando pesado. — “Então... a criança...” Alfredo assentiu, sombrio. — “O nascimento... não foi natural. A força... a energia que aquela criança carregava... era mais do que o corpo de Lira podia suportar. A essência celestial... misturada ao espírito de loba... consumiu ela por dentro. Lira... morreu... no parto.” — seus olhos marejaram, mas ele apertou os punhos, segurando qualquer sinal de fraqueza. — “E o bebê...” — sua voz ficou ainda mais pesada. — “... deveria ter sido sacrificado. Era... um híbrido proibido. Algo que não deveria existir. Algo que, segundo os antigos... traria desequilíbrio.” Gabriel respirou fundo, fechando os olhos, como se revivesse uma dor antiga. — “Mas...” — Alfredo trincou os dentes — “...antes que pudéssemos fazer qualquer coisa... o bebê sumiu. Junto com a parteira.” Martina arregalou os olhos. — “A parteira...?” O velho Alfa assentiu lentamente. — “Uma loba... que nunca suspeitamos... era na verdade uma enviada dos céus. Um anjo disfarçado, colocado aqui por Gael. Ela roubou o bebê... e desapareceu sem deixar rastros.” Ele respirou fundo, finalizando: — “Achamos que essa criança tinha sido levada para longe... ou até... que tivesse morrido. Até hoje. Até esse maldito dia... quando ela volta. E volta... na forma dessa garota... Isabela.” — sua voz era uma mistura de medo, rancor e impotência. O silêncio era tão pesado que o som dos próprios corações parecia ecoar dentro dos p****s. Gabriel, com a voz baixa, porém firme, completou: — “Eu prometi... para Gael... que ela viveria. Que ela estaria protegida. Que nada... nem o Céu, nem o Inferno, nem as Matilhas... iriam tocá-la.” Frederico apertou os punhos, olhando para todos na sala, e falou com sua voz carregada de decisão: — “E eu... juro agora... que quem tocar nela... vai ter que passar... pelo Alfa da Matilha da Lua.” — e seus olhos brilharam em dourado, ativando sua aura alfa, deixando claro que não era um pedido. Era uma ordem.
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