O Alfa Frederico m*l abriu a boca para começar a falar quando a porta do escritório foi praticamente arremessada contra a parede, abrindo-se com força. Gabriel entrou, os olhos faiscando de luz, as asas parcialmente materializadas em sua energia branca.
Dois dos lobos guardas tentaram segurá-lo, mas estavam caídos no chão, feridos, ofegantes, e ainda assim rosnando em alerta.
— “Tentamos impedir, Alfa... mas...” — um deles tentou falar, segurando o ombro ensanguentado.
O velho Alfa se levantou num salto, batendo com as mãos na mesa. — “O que é isso? Um anjo... aqui dentro... invadindo minha casa, minha matilha?!” — seus olhos estavam dourados, vibrando em fúria e choque.
Ferdinan, o Beta, ergueu as mãos, tentando conter a tensão. — “Calma, velho Alfa... calma. Deve haver uma explicação...” — mas sua voz carregava nervosismo.
Martina cruzou os braços, olhando fixamente para Frederico. — “Então fale, Alfa... Porque aquela luta com Demian não foi à toa. E quem, em nome da Lua, é essa tal Isabela? Por que colocamos toda a matilha em risco por ela?”
O pai de Frederico virou-se, rangendo os dentes. — “Uma HUMANA, que diz ser filha de Lira... uma loba da matilha do Sol... E agora um Anjo Branco dentro da minha casa?! O que você está tentando fazer com a nossa matilha, Frederico? Quer acabar com ela?!” — o velho rugiu, sua voz reverberando nas paredes.
Gabriel, que até então mantinha um silêncio tenso, deu um passo à frente, com sua voz carregada de autoridade celestial, fria e cortante: — “Cuidado com suas palavras, velho lobo. Eu não pedi permissão para proteger o que é meu por direito proteger.” — seu olhar faiscou. — “E se não fosse eu... essa casa já estaria em cinzas... ou nas mãos das trevas.”
O velho Alfa rosnou, se colocando em posição de ataque. — “Não venha me ameaçar, criatura do céu!”
Frederico ergueu a mão, rosnando baixo: — “CHEGA!” — sua voz ecoou com força sobrenatural, usando sua autoridade de Alfa. Todos na sala, inclusive o velho Alfa, baixaram levemente a cabeça, instintivamente, sentindo o peso da ordem.
O silêncio tomou conta por alguns segundos. Então, Frederico respirou fundo, passou a mão pelo rosto e falou, olhando diretamente para todos:
— “Isabela... não é uma humana qualquer. Ela é... filha de Lira, sim. Mas não só isso. Ela carrega algo que nenhuma outra criatura carrega. Ela é...” — ele respirou fundo, encarando o próprio pai nos olhos. — “Ela é a filha da união proibida. Uma loba... e...” — olhou para Gabriel. — “...um anjo branco.”
O choque foi absoluto. Todos ficaram paralisados.
O velho Alfa deu dois passos para trás, segurando no encosto da cadeira. — “Isso é impossível...” — sua voz saiu quase como um sussurro de terror. — “Isso... nunca poderia acontecer... É contra todas as leis... É... é...” — seus olhos tremiam.
Martina abriu a boca, sem conseguir fechar. — “Isso explica... tudo...” — ela olhou para Ferdinan e Alex, completamente pasmos.
Ferdinan engoliu seco. — “Aquele ataque... não foi à toa. Demian... ele quer ela. Porque ela...” — sua voz falhou.
Gabriel completou, com a voz pesada como o trovão: — “Porque ela é a chave.” — seus olhos brilharam em branco. — “A única capaz de restaurar o equilíbrio entre luz e trevas... ou de destruir tudo. Se ela cair nas mãos erradas... todo o nosso mundo desaba. Céu, inferno, matilhas... tudo.”
Frederico, com a mandíbula travada, olhou para os presentes. — “E vocês... precisam decidir agora se estão comigo... ou se serão mais um obstáculo para protegê-la.”
O silêncio foi absoluto, até que o velho Alfa, com os olhos marejados de raiva e medo, respirou fundo e perguntou, com a voz embargada: — “E... ela sabe?”
Frederico balançou lentamente a cabeça. — “Não... Ainda não.”
Gabriel finalizou, encarando todos: — “E se quisermos que ela viva... e que nosso mundo continue existindo... ela vai precisar saber. Logo.”