O médico terminou de examinar Isabela, passou a mão na testa dela, verificando os sinais, e então respirou fundo antes de falar:
— "Ela sofreu um choque traumático. O corpo dela entrou em colapso diante de tudo que viu e sentiu. É um milagre estar viva depois de ser exposta àquela quantidade de energia sombria." — ele abriu a maleta e retirou um frasco, junto com algumas cápsulas. — "Quando ela acordar, dê esse medicamento. Vai ajudar a acalmar... pelo menos o corpo."
O médico, então, se aproximou de Frederico, abaixando um pouco a voz, embora seu olhar demonstrasse preocupação genuína. — "Alfa... você sabe... quem ela é, não é?" — seu olhar deslizou de Frederico até Isabela, desacordada na cama.
Frederico respirou fundo, seu olhar endureceu. Sua mandíbula travada, e a voz grave e controlada. — "Sei."
O médico apertou os lábios e completou, com um tom pesado, como se carregasse séculos de história não dita: — "Se... se ela for realmente a filha de Lira... então ela não está só em risco com as trevas, Frederico... ela também está em risco aqui. Nessa matilha. Você sabe disso."
O olhar de Frederico ficou dourado, vibrante, selvagem por um segundo. — "Eu sei." — respondeu, seco, quase rosnando. — "Mas quem ousar tocá-la... não sairá vivo daqui. Nem que tenha meu próprio sangue."
O médico assentiu em silêncio, abaixando a cabeça, e deixou o quarto.
Frederico puxou o telefone de emergência interna e chamou uma das funcionárias da confiança da família. Assim que ela entrou, ele apontou com a cabeça: — "Fique com ela. Não a deixe sozinha. Se acordar, dê o remédio. E... se alguém tentar entrar aqui que não seja eu, Rita ou Gabriel, você grita. E protege ela. Entendido?"
A mulher, uma loba jovem de expressão séria, assentiu rapidamente. — "Sim, Alfa."
Frederico então respirou fundo, passou a mão pelo rosto, ajeitou a postura, e caminhou para a porta. Ao abrir, seus olhos encontraram os da mãe, do pai — o velho Alfa —, do Beta da família e, logo atrás, seus primos: Martina, Alex e Ferdinan, que haviam acabado de chegar e estavam visivelmente confusos e exaltados.
O pai de Frederico foi direto, sua voz carregada de autoridade e fúria reprimida: — "Agora, Frederico... nós vamos ter essa conversa. E você vai me explicar... o que, em nome da Lua, essa garota está fazendo aqui. E... o que está acontecendo!"
A mãe de Frederico cruzou os braços, olhando fixamente para Rita que, de pé mais ao fundo, também esperava a tempestade começar.
O Beta completou, cerrando os punhos: — "Por que sinto que essa história vai colocar toda essa matilha em risco?"
Frederico respirou fundo, estalou o pescoço, e com os olhos dourados cintilando, respondeu frio e firme:
— "Porque vai. E vocês precisam estar prontos. Porque... o passado voltou. E ela... é o centro de tudo."