Rita apertou os olhos, segurando a vontade de desabar. Acariciou com delicadeza os cabelos da amiga, que ainda estava desacordada, com o rosto pálido e a respiração irregular. Sua voz saiu embargada, mas firme, enquanto sussurrava:
— "Isa... acorda... por favor. Eu sei que não vai ser fácil... nada disso é... mas estamos aqui. Estamos aqui por você. E vamos proteger você, custe o que custar." — seus olhos dourados brilharam, cheios de dor e afeto.
Nesse instante, a porta do quarto se abriu com um estrondo apressado. O médico da matilha entrou, trazendo sua maleta. Era um homem alto, de cabelos grisalhos, de postura respeitável e olhar sério, que logo percebeu a tensão no ambiente.
Ele se aproximou da cama, lançando um olhar rápido e curioso para Isabela, depois para Frederico e Rita. Seu olhar permaneceu mais alguns segundos em Rita, reconhecendo-a... e franzindo o cenho com a presença dela ali.
— "O que temos aqui?" — perguntou, já abrindo a maleta e começando a preparar os instrumentos. — "O que aconteceu com ela, Alfa Frederico?"
Frederico cruzou os braços, tenso, com o maxilar travado e os olhos fixos em Isabela. A voz dele saiu grave, cortante:
— "Ela sofreu um ataque. Magia das sombras... e provavelmente foi drenada de energia vital. Está fraca, mas não permitirei que nada aconteça com ela." — seus olhos dourados cintilaram perigosamente.
O médico assentiu, entendendo a gravidade. Passou a mão acima do corpo de Isabela, sem tocá-la, e uma leve luz azulada brilhou na ponta dos dedos. Ele estava verificando as energias dela.
— "Isso... isso não é normal. Isso não é só magia das sombras..." — murmurou, franzindo mais ainda o cenho. Olhou rapidamente para Frederico e Rita e perguntou em voz baixa, quase reverente: — "De quem é... essa garota?"
Rita e Frederico se entreolharam. Por um instante, Rita apertou os olhos, abaixou a cabeça, e sua voz saiu quase como um sussurro pesado de dor e segredo:
— "Ela... é filha de Lira e Gael."
O médico empalideceu. — "O QUÊ?" — quase deixou cair o frasco que segurava. Seus olhos se arregalaram, passando de Frederico para Rita, e depois para Isabela, como se visse ela pela primeira vez. — "Impossível... aquela criança... estava... desaparecida..."
Frederico rosnou baixo, deixando claro que não era hora de perguntas. — "Ela não sabe de nada ainda. E ninguém... NINGUÉM... irá tocar nela. Nem questionar. Nem comentar. Está entendido?" — sua aura Alfa preencheu todo o quarto, sufocando até o ar.
O médico engoliu seco, respirou fundo e acenou com a cabeça, obediente. — "Sim, Alfa. Vou cuidar dela."
Rita, de pé, segurou a mão de Isabela com força, apertando os olhos para conter as lágrimas, e sussurrou de novo, só para ela:
— "Acorda, Isa... você tem direito de saber quem você é... e ninguém mais vai te esconder isso."
O velho Alfa e a mãe de Frederico, do lado de fora, já escutavam pedaços da conversa, e as tensões começavam a ferver lá embaixo, como um vulcão prestes a explodir.