O carro chegou rasgando o silêncio da madrugada, com as rodas cantando e levantando poeira na entrada da casa principal da Matilha da Lua. Os vigias se entreolharam assustados, e imediatamente um deles levantou o braço, emitindo um uivo curto, sinal de alerta para toda a matilha.
Rita nem se preocupou em frear suavemente. Pisou no freio bruscamente, e o carro quase derrapou antes de parar. Ela saiu chutando a porta, os olhos brilhando em dourado, completamente esquecida de que aquela não era sua matilha... e que a Matilha do Sol e da Lua carregavam anos de desavenças e feridas abertas.
Frederico saiu do carro com Isabela nos braços, apertada contra o peito, protegida. Subia as escadas da casa principal sem olhar para os lados, determinado, feroz.
— "FREDERICO! O que está acontecendo?!" — a voz de sua mãe ecoou, saindo pela porta, com um misto de choque e reprovação ao vê-lo carregar uma humana.
Seus olhos passaram para Rita e se estreitaram imediatamente. — "O que... a filha do Alfa da Matilha do Sol está fazendo AQUI?!" — a voz dela cortava como uma lâmina, carregada de rancor e desconfiança.
Mas Frederico nem se virou. Seus passos firmes soavam no assoalho de madeira enquanto subia. Rita, cabeça erguida, seguia logo atrás, ignorando os olhares cheios de ódio e surpresa dos membros da Matilha da Lua que começavam a cercar a casa.
— "FREDERICO! EU QUERO UMA EXPLICAÇÃO AGORA!" — o velho Alfa, seu pai, surgiu na porta, com a voz grave e autoritária, fazendo até os lobos mais jovens abaixarem as cabeças.
O Alfa olhava com incredulidade para o filho segurando aquela garota desconhecida — aparentemente humana — e para Rita, que trazia consigo o peso da rivalidade entre as duas matilhas.
Frederico parou no topo da escada, os olhos dourados faiscando, as presas já meio expostas. Seu lobo estava na beira, lutando contra tudo, mas sua voz saiu fria, implacável, sem espaço para discussão:
— "Depois. Primeiro... alguém CHAME UM MÉDICO DA MATILHA! E o BETA! AGORA!" — sua ordem reverberou, carregada de poder Alfa, fazendo todos se calarem, mesmo contra a vontade.
O velho Alfa rosnou, cerrando os punhos, sentindo a afronta, mas havia algo no tom do filho que gelou até seus ossos. Ele percebeu que aquilo não era apenas uma rebeldia... Era algo muito maior.
Lá em cima, Frederico levou Isabela até um dos quartos, deitou-a com cuidado e olhou para ela com um misto de fúria, proteção... e algo que ele não ousava nomear.
Rita se manteve na porta, olhando para a amiga desacordada, depois para Frederico, e sussurrou:
— “Alfa... isso vai dar guerra...”
Ele olhou por cima do ombro, olhos dourados faiscando:
— “Que venha...”