O carro cortava a estrada deserta na madrugada, quase voando. As rodas cantavam no asfalto, enquanto Rita, com as mãos firmes no volante, lutava para controlar a velocidade.
No banco de trás, Frederico segurava Isabela no colo, protegendo-a com seu corpo. Ela estava desmaiada, frágil, pequena, aninhada em seus braços fortes e quentes. Seus olhos dourados ardiam, meio humano, meio lobo, o peito subindo e descendo, lutando contra a fúria que queimava dentro dele.
— “Mais rápido, Rita...” — sua voz saiu grave, rouca, carregada de comando.
Rita apertou mais o acelerador, quase rangendo os dentes. — “Eu estou... ALFA MORLAN... mais rápido que posso!” — respondeu, usando o título dele como se quisesse lembrá-lo do peso da situação.
O silêncio foi quebrado apenas pelo som do motor e das batidas dos próprios corações. Até que Rita ousou perguntar, com a voz mais baixa, meio desconfiada, meio temerosa:
— “Alfa... você acredita mesmo que seus pais... que a matilha vai aceitar ela? Sabe quem ela é... ela é...”
Antes que ela terminasse, Frederico a interrompeu, rosnando:
— “Não temos escolha, Rita. Ela não pode ficar sozinha. Está em perigo. É a única opção.” — suas garras surgiam e recolhiam, mostrando que ele lutava contra o impulso de perder o controle.
Rita respirou fundo, apertando mais o volante, o olhar fixo na estrada. — “Então... vamos levá-la para a Matilha do Sol... Lá ela estará segura, meu pai...”
— “NÃO.” — o rosnado de Frederico ecoou tão forte no carro que Rita se encolheu por um segundo. — “Ela vai para minha casa. Para a Matilha da Lua. É responsabilidade minha... e ninguém tira ela de mim.”
O olhar de Frederico pousou em Isabela, que respirava lentamente, inconsciente, com o rosto sereno, sem saber do caos que girava ao redor dela.
Ele apertou ela contra o peito, possessivo, protetor. — “Ela é... minha. Eles vão ter que aceitar. Queiram... ou não.”
Rita engoliu seco.