Inquietação por justiça.

1110 Palavras
OLIVER: Bato na porta da varanda com tanta força que o vidro vibra. — p***a! Travo a mandíbula até sentir os dentes estalarem. Aquela garota é impossível. Ofereço a mão e ela me cospe no rosto com uma história de ninar sobre vício da mãe. Ela não quer ajuda? Então que se dane, c*****o! Estava puto, endurecido ao extremo. — Arrgh... c*****o!! Me sentei na p***a daquela poltrona e controlei o que estava explodindo dentro do meu peito. Pego o celular com as mãos ainda trêmulas de raiva. Nunca vi isso. Alguém passar por um a***o evidente, ter a chance de justiça e preferir mentir para proteger o agressor ou para se proteger de uma verdade que ela não aguenta dizer em voz alta. Sei lá cara... Ela vai me deixar louco. Estava confuso pra c*****o, e explodir. A notificação do Kauan brilha na tela, com uma atualização que me deixa ainda confuso: "Jorge Almeida. Ficha limpa. Nada no sistema." — Mais que d***a! jogo o celular no sofá. Ficha limpa não significa nada. O d***o costuma ser um bom vizinho. Ou ela era uma mentirosa nata. De todos forma, preciso tirar a p***a dessa mulher da minha cabeça. As horas passam, mas o silêncio do meu apartamento só faz a voz dela ecoar: "Não se mete na minha vida!". Praguejo um "d***a" e pego as chaves. Vou para o pub. Preciso de barulho, de cheiro de álcool e de trabalho. Muito trabalho pra ocupar a cabeça. .... Os carregamentos chegaram, monitoro tudo, assinei o papel de recebimento, a p***a toda. O movimento de funcionários começa a ganhar corpo, mas o balcão está vazio. Ela não apareceu. — Algum problema com as cargas? Malcon me olhou confuso. — Não. — Deixa eu adivinhar, a razão pra você tá assim, tem 1,60 e não está aqui. Olhei pra ele sério e ele negou. — Adiantou o salário dela, Oliver? Pergunta, conferindo uma nota fiscal. — Adiantei. respondo seco, sem olhar para ele. — Só espero não ter feito a idiotice de pagar para ela sumir no mundo. — Você está uma pilha de nervos, irmão. Está tudo bem? Tudo bem? A infeliz saiu do meu apartamento depois de eu dizer que podia ajudar ela com aquela m***a. E o i****a aqui todo prestativo, achando que era uma garota em perigo. Estava era puto! Porque não consigo entender como uma mulher pode proteger alguém assim, alguém que podia ter mexido com ela da forma mais suja. Não... Eu não vou conseguir ficar parado. — Não, não está. Dá conta dessa p***a aí, preciso resolver um assunto. Bato no ombro dele e me afasto pra fora do pub. Subo na moto. E olho o endereço no cartão do desgraçado, que me leva a uma oficina nos arredores. Estaciono, mantendo a postura de cliente casual. Dois funcionários se mexem sob carros erguidos, mas nada do "santo" aparecer. — Posso ajudar? — Só trato com o dono. Ele não está? pergunto, sorrateiro. — O Jorge saiu para resolver problemas pessoais. um dos homens responde, limpando a graxa na estopa. — Mas eu posso ajudar. — Ótimo, queria fazer uma revisão rápida. Ele para olhando a moto. Puxo o assunto como quem não quer nada. — Soube da enteada dele. parece que a garota fugiu. Talvez tenha motivos, não? O cara para o serviço e passa a mão na nuca. O olhar muda. — Quem te contou isso? — Ele, me pediu pra ligar, caso tivesse visto ela. Mostro o cartão pra ganhar confiança. — É, com uma mãe daquela, qualquer um fugiria. Viciada em jogo e bebida desde sempre. O conselho tutelar até levou a menina quando era pequena, mas o Jorge... o cara fez milagre. Fez a mulher parar por um tempo só para recuperarem a guarda. Não sei como ele aguenta. O Jorge é um homem correto, trabalhador. O que prende um cara desses a uma mulher daquela é um mistério. Sinto o estômago revirar. Eu sei exatamente o que prende o infeliz naquela casa. E não é a mulher. — E a garota? insisto. — A Maya? Ele sorri, mas o brilho some rápido. — Eu sou padrinho dela. Era uma criança normal, doce. De repente, virou essa delinquente rebelde. Seguiu os passos da mãe, é uma pena, e agora fugir de casa? Os tempos estão perdidos mesmo. — Acha que ela fugiu por causa da mãe? — Não... Não acho. Ela era louca por aquela mãe dela, trabalhava até pra pagar as dívidas que a mãe deixa pelo mundo, eu acho que ela fez foi se perder nos mesmos vícios da mãe, a garota bebia álcool que nem carro novo. Jorge acha que ela tá se metendo com marginal, usando droga... É uma pena. Espero que ele consiga trazer ela de volta. Que desgraçado, fazendo a caveira da garota. Ele se afasta, da moto, me cobra pelos desserviço porque minha belezinha não tinha problema algum. Pago mais pelas informações do quê pelo serviço. deixo uma gorjeta generosa. — Pelo bom papo. digo antes de acelerar. Aquilo era tudo o que eu precisava ouvir. Ela nunca fugiria por causa do vício da mãe. O padrinho confirmou: ela era louca pela mãe, trabalhava em bares da vida só para pagar as dívidas de jogo da mulher. Se ela fugiu e deixou a mãe para trás, o motivo é um só. O maldito Jorge. Volto para o pub em um estado de fúria contida. Malcon me puxa para o canto assim que entro. — O Kauan ligou. Ele não achou nada contra o cara, mas encontrou um nome ligado a ele: uma filha de um casamento anterior. Franzi o cenho. — E como uma filha pode ajudar? — Não sei, mas o Kauan acha que ela pode ser um dos esqueleto no armário. Ele perguntou se você quer que ele vá atrás dela. Passo a mão na barba, isso tava indo longe... Longe de mais. — Escuta, Oliver... se a Maya descobre que você está investigando a família do cara, ela vai te odiar. Isso está saindo do controle. Saindo? Rsrs não Malcon, já saiu p***a. Não penso duas vezes. Saco o celular e digito para o Kauan: "— Vai atrás da filha. Tem um cadáver nesse armário e eu não paro até fazer esse desgraçado pagar." Meu código de honra não me deixa em paz. Aquela garota caiu de paraquedas no meu mundo, armada com espinhos e mentiras, mas eu não sou o tipo de homem que assiste a uma crueldade dessas e fica parado, esperando o próximo golpe. Se ela vai me odiar por salvá-la, que odeie. Mas ele vai cair.
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