Ferida aberta.

1494 Palavras
MAYA: Ouço a porta do closet fechar e finalmente solto o ar que nem percebi que estava prendendo, revirando os olhos de alívio. Ele tinha aquela coisa que me deixava sem fôlego. Um domínio... Não sei explicar como era difícil ficar perto dele, especialmente assim. — Foi por pouco! sussurro para mim mesma, fechando os olhos, e deslizando minha mão sobre o topo da cabeça, deixando os fios caírem sobre meu rosto. Nunca senti tanto calor, euforia e luxúria. Parecia que meu corpo todo entrava em uma coisa magnética e que m***a maya. Ele não é cara pra você, não é mesmo! Mas não tinha como negar. Cobicei ele na cara dura, que ódio. O corpo daquele homem era um absurdo, não parecia esses músculos de academia, era algo tão natural, grande, bruto. As tatuagens subindo pelo peito inflado, a barriga definida... era demais para a minha cabeça a essa hora da manhã. Passo as mãos pelo rosto e dou um pulo da cama. Um gatilho rápido, aparental. Devo está h******l. Corro para a lavanderia e encontro minha roupa. Está seca, quente e com um cheiro de limpeza que eu nunca conseguiria em casa. Vou para o banheiro, e o espelho me devolve uma imagem de quem foi atropelada por um caminhão. — Meu Deus, eu estou h******l. tomo o banho mais rápido da vida e improviso: passo a pasta de dente dele com o dedo mesmo e capricho no enxaguante bucal. Saio arrumada, tentando recuperar pelo menos um pouco da dignidade que perdi olhando para a toalha dele. Ou melhor pro volume que ela escondia. O encontro na está na cozinha, vestido. Me abomino por me frustrar ao não ver aquele corpo exposto de novo. Que loucura é essa? Aquilo estava me incomodando, nunca fiquei assim Perto de ninguém, droga... Tenho que fazer isso parar. Aquele cara era um troglodita, egocêntrico, bruto e mais desalmado que já vi. Ele me ameaçou contar pro Mário que eu estava naquele bar. Acorda Maya! Olhei pra tudo que ele estava fazendo, tinha coisas prontas em cima do balcão e ele faz um sinal com a cabeça para eu levar os itens para a varanda. Eu obedeço em silêncio. Sentamos de frente para aquela vista incrível, mas o clima está pesado. — Come. ele ordena. Curto e grosso. Eu como, sentindo o olhar dele em mim o tempo todo. Assim que termino, ele tira um envelope pardo do bolso e coloca na mesa. — É teu salário. A respiração fica presa. Minha liberdade. Quando tento puxar o envelope, ele não solta. Os dedos dele prendem o papel contra a mesa, e ele me obriga a olhar nos olhos dele. — Estou te pagando o mês adiantado, Maya. Mas isso aqui é trabalho sério. Não me venha dar para trás e sumir no mundo. — Eu não vou quebrar minha palavra, se essa é a sua preocupação. respondo, sentindo o sangue subir. Ele solta o envelope. — Confere. Depois preciso dos seus dados para os próximos caírem direto na conta. Apenas aceno com a cabeça, guardando o dinheiro. — Eu vou procurar um lugar pra ficar agora mesmo. Estou prestes a levantar quando ele segura meu braço no ar levemente e solta a bomba: — Eu tenho um amigo que pode te ajudar. travo, volto a olhar pra ele nervosa. — Me ajudar? — Esse meu amigo é investigador. Tem contato direto com a polícia, a tia dele é delegada. Ele pode resolver essa sua "questão". O choque me atinge como um t**a. Sinto minhas mãos gelarem instantaneamente. Aquele clima de excitação que estava sentindo foi pro espaço na mesma hora. Puxo a mão que ele me tocava. — Não tem nenhuma questão. minha voz sai mais alta do que eu planejava. — Do que você está falando? Ficou louco? — Não tenta mentir, aquele seu padastro não faz nem questão de disfarçar e você... Tá estampado pra qualquer um vê. Meu coração arde, fiquei nervosa na mesma hora. — Não se mete na minha vida! Não é porque você me ajudou ontem, ou porque é meu chefe lá no bar, que tem o direito de abrir a boca sobre isso. Porque aqui, você não é nada meu! Ele levanta, os olhos escurecendo. O tamanho dele me desfavorece, tenho que olhar pra cima, para aquele homem enorme. — Você está defendendo um criminoso, garota. Tenha consciência disso. Quem é ele pra me dizer nada? Ele não sabe nada da vida. Olha esse cara, nesse apartamento de luxo, dono de um bar e sei lá quantas outras coisas. O que ele sabe da vida!? Nada! — Você não sabe de nada! grito, a raiva transbordando. — Eu sei o suficiente! ele rebate, a voz subindo no mesmo tom. Não... Não, você não vai falar assim comigo. — Você está defendendo um criminoso, garota. Tenha consciência disso. Quem é ele pra me dizer nada? Ele não sabe nada da vida. Olha esse cara, nesse apartamento de luxo, dono de um bar e sei lá quantas outras coisas. O que ele sabe da vida!? Nada! — Você não sabe de nada! grito, a raiva transbordando. — Eu sei o suficiente! ele rebate, a voz subindo no mesmo tom. Não... Não, você não vai falar assim comigo. — Eu não sei o que passa na sua cabeça, mas você não tem direito nenhum de... Ele n**a rápido, me barrando com vocifera mais grave me fazendo tremer em um espasmo. — O que passa na minha cabeça?? Me calei sentindo o os olhos queimarem. — Uma garota não foge de casa do jeito que você fugiu se o padrasto não tivesse feito nada! E você não faz nada pra parar aquele canalha! A verdade dói tanto que vira ódio. Ele não sabe um terço do que eu passei pra dizer que estou defendendo um criminoso. Não sabe como eu me anulei por tantos anos, como me questionei se não era eu que estava errada. Apontei pra ele com as mãos tremendo. — Você não é ninguém pra me falar isso! Ninguém ouviu! — Eu to tentando te ajudar c*****o. — Eu não quero tua ajuda!! Não quero. Me afastei sentindo meu corpo todo entrar em combustão. — Porque não tenta explicar! Está vendo, você não faz questão alguma de que as pessoas te entendam!! É uma covarde que foge! Meus pés travaram no chão na mesma hora. Meu coração ardeu como se pagasse fogo. Virei pra ele controlando tudo que queimava. — Você quer saber? Minha mãe é uma alcoólatra! Uma... Viciada que não sabe se controlar quando põe uma gota de álcool na boca, e ele fica levando bebidas e mais bebidas pra ela. Meu corpo treme, mas não paro, não consigo. — Ela passa mais tempo inconsciente do que acordada por causa do maldito vício. É isso que quer ouvir? Que eu fugi porque não quis ficar naquela d***a de vida... Eu não vou deixar ele falar assim comigo, não vou. — Se ser covarde e fugi porque eu odeio aquele homem, e não aguento mais ver minha mãe dopada porque é uma fraca que não sabe ficar sem aquele homem desperdiço, ótimo!! eu não ligo pro que você acha ou o que pensa de mim. Não se mete mais na d***a da minha vida! Dou as costas indo até a porta do apartamento, atravessando a sala. Ele vem atrás de mim, os passos pesados ecoando no piso caro. — Sabe o que eu acho? ele ruge, meu corpo para, não consigo olhar pra ele, mas sinto ele parando a centímetros de mim. — Eu acho que você tem medo! Debaixo de toda essa marra e dessa pose de rebelde, tem só uma garota aterrorizada pelo que viveu! E essa mentira tosca que você acabou de contar pra mim não cola. Fechei os olhos sentindo, meu peito arder. — Não cola mesmo, garota. Viro pra ele com os olhos ardendo, o peito subindo e descendo de tanta fúria. — O problema é meu, não é? Então fica na tua, cara! Me afasto ainda mais, sentindo as lágrimas agora cair. — Pra onde você vai!? Ignoro sua pergunta, dane-se pra onde iria. Dane-se o mundo inteiro. Bato a porta com tanta força que o som reverbera pelo corredor todo. Saio dali sentindo o vento no rosto e as lágrimas finalmente escapando. Ele acha que sabe tudo. Ele acha que pode resolver tudo com os amigos poderosos dele? Mas ele não sabe que, no meu mundo, chamar a polícia às vezes é o começo de um inferno ainda pior. ... Eu só andei, andei com tudo que tinha. Só a mim mesma. Sem bagagens, sem pertences, só... Minha alma destruída e tudo aquilo dentro de mim. Me sentei em qualquer lugar, nem sei onde estou direito e deixei sair pelas lágrimas o que me consumia.. O que já tinha destruído tudo de bom que um dia houve em mim. Já não restava nada...
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