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2013 Palavras

Guilherme Acordei com o rádio estalando. Era cedo, ainda nem tinha luz direito no céu, mas o ar já tava estranho. Pesado. A gente sente quando o bagulho vai virar. — QAP geral, o bonde tá vindo forte, mano. Tremeu tudo na escuta. Os cana tão fechando em três frente. — veio seco no rádio. Levantei na hora, peguei a Glock da mesa, a calça tática jogada na cadeira. Vesti como quem se prepara pra um velório — só que o morto podia ser eu. — Cadê o Bico? — perguntei, já descendo as escadas do sobrado. — No mirante. Já viu os caveirão subindo pela principal. — um dos moleque respondeu, passando o fuzil pro peito. Meu sangue gelou. A rua tava em silêncio. Só o barulho dos chinelos dos moleque correndo e da minha cabeça fervendo. Eu tinha mandado ela embora dois dias antes. Com a Luna. Pro

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