Aurora O sol tava começando a se pôr quando o povo começou a subir o morro. A notícia correu mais rápido que qualquer rádio: iam fazer o velório simbólico do Guilherme no campinho de cima, perto da viela onde ele cresceu. Nem corpo tinha, mas ninguém deixou de vir. Porque ele era mais que corpo. Era nome. Era presença. Era respeito. Era pra ser um velório simbólico. Mas ninguém tratou aquilo como "só" um ritual. Tinha dor demais no ar. Amor demais também. Montaram uma tenda simples, com algumas cadeiras de plástico. Um banner preto com a foto dele estampada — aquela onde ele tava com a camisa do Flamengo, sorrindo de canto, o olhar meio desafiador, meio debochado. Como se já soubesse que o mundo era pequeno demais pra ele. No canto, um mural com fotos dele: rindo com os amigos, abraç

