No Morro Blade passou dias sem dormir direito. Andava pelo Complexo como uma sombra, com o rosto fechado, os olhos fundos e o cigarro queimando até o filtro. Os soldados já nem ousavam puxar conversa. Ele não queria guerra, não queria baile, não queria nada. Só Nayla. Entrava no quarto vazio e cada detalhe era uma tortura: a cama sem o cheiro dela, a penteadeira sem os batons, o armário com as portas escancaradas e sem nenhuma roupa dela. Era como se alguém tivesse arrancado um pedaço dele e deixado o buraco aberto. Às vezes, desabava na cama, abraçando o travesseiro como se fosse ela. Outras, subia até a boca, gritando com todos, descontando a raiva no mundo. Mas quando a madrugada caía e o morro dormia, ele voltava a ser só um homem quebrado, ajoelhado diante de um vazio que nada pre

