Marco O jipe blindado do BOPE rangia a cada curva estreita, suas placas de aço refletindo a luz trêmula dos postes da avenida principal. Do lado de fora, o Complexo de Israel parecia engolido por uma névoa de fumaça e pó. A noite carregava um silêncio antinatural, daqueles que não trazem calma, mas prenunciam mais violência. Marco Carvalho, no banco dianteiro, parecia uma estátua. O rosto, duro como pedra, estava marcado por sulcos profundos de quem viveu mais na guerra do que na paz. O suor escorria pela têmpora, mas não era pelo calor abafado da noite — era pelo fogo frio que queimava dentro dele. O fracasso tinha gosto amargo. Michel estava vivo. E Nayla também. Seus olhos, ainda fixos na visão das vielas desaparecendo no retrovisor, captavam cada detalhe do que deixaram para trá

