— Você é um assassino, um homem sem piedade. Mas eu também sei que, por baixo dessa fachada, você é apenas um homem. E eu vou quebrar essa fachada. Eu vou fazer você se render.
As palavras de Luna estavam penetrando profundamente em Atlas, e ele se viu mais uma vez dividido. Ele queria odiá-la, queria destruí-la, mas cada palavra dela o fazia sentir uma necessidade de ficar, de entender mais sobre essa mulher que parecia entender todos os seus segredos mais íntimos. Ela estava se tornando a chave para a porta que ele nunca soubera como abrir.
— Você acha que pode me controlar?
Atlas perguntou, a voz carregada com uma mistura de frustração e desafio.
—Você não entende o que está fazendo, Luna. Você vai se arrepender de me subestimar.
Luna não se moveu, seu sorriso se tornando mais profundo. Ela estava saboreando cada palavra dele. — Eu já não subestimei você, Atlas. Eu sei exatamente quem você é. E é isso que torna tudo tão... excitante.
O silêncio pairou novamente, mas desta vez não era desconfortável. Era uma pausa tensa, uma antecipação que estava prestes a explodir em algo que nenhum dos dois estava completamente preparado. Luna sabia que o momento estava se aproximando, o momento em que ele não poderia mais resistir. Mas antes que isso acontecesse, ela precisava que ele fosse mais do que um simples peão. Ela precisava que ele fosse sua arma, sua obsessão, sua presa.
— Eu sou a sua vingança, Atlas.
Luna disse com os olhos fixos nos dele com uma intensidade que fazia a temperatura na sala subir. — Mas você vai ser mais do que isso. Você vai ser meu. E quando você for meu, nada mais importará.
A ideia de ser propriedade de Luna fez com que Atlas se sentisse ainda mais preso. Mas ele também sabia que não poderia escapar. Cada fibra de seu ser estava sendo puxada para ela. E, apesar de tudo, ele sabia que não conseguiria mais lutar contra isso. A batalha estava apenas começando, e ele não tinha ideia de onde ela o levaria.
A história entre as famílias Damian e Montenegro não era uma história de amizade. Pelo contrário, era uma história de sangue, de traição, de assassinatos frios e calculados. Luna sabia disso, e agora, ela sabia algo que Atlas ainda não compreendia completamente. Sua família havia matado a família dele. Mas isso não era tudo.
O assassinato da família Damian não foi apenas uma guerra entre facções rivais. Foi algo muito mais pessoal. Algo que envolvia segredos que Luna tinha guardado por muito tempo, e que ela sabia que, um dia, Atlas descobriria. Mas não era o momento para falar sobre isso. O tempo ainda não havia chegado.
— Você acha que sua vingança contra mim vai curar o que fizeram com você, Atlas?
Luna perguntou, sua voz agora mais séria, mais sombria.
— Você acha que isso vai trazer sua família de volta? Eu sou a razão pela qual você ainda está vivo. E quando você entender isso, será tarde demais.
Ela se virou para ele, um olhar de vitória em seus olhos. Luna sabia que ele estava começando a conectar os pontos. Mas ela não queria que ele soubesse tudo agora. Não ainda. Ela queria que ele vivesse com essa dúvida, com essa incerteza, até que não houvesse mais respostas a serem dadas.
— Você ainda não sabe a verdade, Atlas.
Luna disse, sua voz cheia de uma calma ameaçadora. — Mas vai saber. E, quando souber, vai entender que sua vingança não vai me destruir. Vai me fortalecer.
Luna se aproximou de Atlas com uma calma perturbadora, como se soubesse exatamente o que ele estava sentindo. O peso da raiva ainda estava evidente em seus músculos tensionados, mas ela não estava interessada em controlá-lo de forma óbvia. Não era preciso. Ela o tinha em suas mãos de uma maneira muito mais sutil.
— Você pode tentar me odiar, Atlas.
Disse Luna, a voz doce e venenosa ao mesmo tempo, como se cada palavra fosse uma lâmina afiada.
— Mas isso nunca vai ser suficiente. Você nunca vai ser capaz de me destruir. Eu sou mais forte do que você imagina.
Ela não se movia, apenas o observava, deixando que ele sentisse o peso de suas palavras. Cada uma delas parecia despojar Atlas de sua resistência, como se ela estivesse lentamente tirando suas defesas, camada por camada. Ele queria gritar, queria lutar contra a sensação de impotência que começava a tomar conta dele, mas a verdade era que ele não sabia mais como. Ele estava emaranhado nas palavras dela, nas entrelinhas, nos olhos dela.
A sala estava silenciada por um momento, o tempo parecia ter parado. Atlas sentiu o calor do seu próprio corpo, o suor começando a escorrer pela sua testa, mas ele não ousava se mover. Não queria dar a ela o prazer de ver que ele estava começando a perder o controle. Mas era isso que estava acontecendo.
Luna se inclinou para frente, seu perfume doce e amadeirado invadindo os sentidos de Atlas. Ela não tocou nele, mas a presença dela era como uma pressão constante, uma força invisível que o oprimia. Seu olhar fixo nele, suas palavras penetrando em sua mente como uma flecha certeira. A distância entre os dois estava diminuindo, mas ela ainda não tocava nele, ainda estava apenas observando-o, como se estivesse estudando cada detalhe de sua reação.
— Você acha que pode me desafiar?
Luna perguntou com um sorriso enigmático, a expressão dela uma mistura de diversão e impiedade.
— Eu sei o que você é, Atlas. Você não é mais que um animal furioso, tentando escapar da sua própria jaula.
Ele queria gritar, queria mostrar a ela que não era um animal, mas as palavras estavam presas em sua garganta. Ela havia o desacreditado de tal forma que ele não sabia mais se sua raiva vinha de sua perda ou do controle que Luna exercia sobre ele. Aquele sorriso em seus lábios o desconcertava, o deixava confuso. Ele não queria se render, mas a cada segundo, mais parecia que ele estava se entregando a essa mulher que o odiava tanto quanto ele a odiava.
— Você não me conhece, Luna.
Atlas finalmente conseguiu dizer, a voz mais baixa, mas carregada de um ódio que ainda estava queimando dentro dele. — Não tem ideia do que está fazendo.
Luna riu suavemente, um som baixo, mas carregado de um prazer maligno. Ela deu um passo mais perto dele, quase encostando seu corpo no dele, mas sem realmente tocá-lo. Ele podia sentir a energia dela, uma força que o empurrava para um lugar onde ele não queria estar. Mas era impossível evitar.
— Eu sei exatamente o que estou fazendo, Atlas.
Ela respondeu com uma confiança que só fazia a raiva dele aumentar. — Eu sei que você está começando a entender. E isso me excita.
A tensão entre eles estava começando a alcançar um ponto de ruptura. Atlas sentiu o cheiro dela, o calor que emanava de seu corpo. Cada célula do seu ser gritava para que ele reagisse, para que se livrasse daquela pressão. Mas ele estava começando a perceber que não poderia se afastar. Algo dentro dele estava cedendo, e ele odiava cada segundo disso.
— Você acha que me dominar vai ser fácil, Luna?
Atlas perguntou, a voz se tornando mais baixa, mas carregada de um perigo palpável. — Eu sou o último homem que você vai controlar.
Ela sorriu, o olhar dela se tornando ainda mais perigoso.
— Você ainda não entendeu, Atlas.
Luna disse com uma calma arrepiante.
— Eu não preciso te controlar, eu só preciso que você se entregue a mim. Quando você fizer isso, vai entender que já está perdido. O que aconteceu com sua família... o que eu fiz, vai parecer pequeno diante do que estou disposta a fazer com você.
Atlas parou. Ele a olhou com um misto de surpresa e incredulidade, tentando entender as palavras dela, tentando compreender o significado que elas tinham. Ele já sabia que sua família havia sido destruída por um motivo, mas nunca imaginou que ela estivesse tão intimamente ligada a isso. A dor que ele sentia por perder os que amava estava se transformando em algo muito mais complexo. Ele estava sendo arrastado para dentro de um jogo perigoso, e não sabia se poderia escapar dele.
O olhar dela penetrava em sua alma, como se soubesse de cada pensamento, cada insegurança, cada pedaço de dor que ele estava tentando enterrar. Luna não era apenas uma mulher. Ela era um enigma. E, talvez, o maior perigo que ele já enfrentara.
O que Atlas não sabia era que, por trás da morte de sua família, havia mais do que vingança. A história entre os Damian e os Montenegro era uma teia de traições, alianças quebradas e sangue derramado. Luna havia crescido em um ambiente onde a violência não era só normal; ela era uma linguagem, uma ferramenta, uma necessidade. E, quando sua família executou a execução dos Damian, não foi por uma simples rivalidade, mas porque Luna sabia o que estava em jogo. Ela sabia que havia algo de extremamente perigoso escondido dentro da linhagem dos Damian, algo que poderia ameaçar o império de poder que ela estava construindo.
E agora, Atlas estava diante dela. Ele não sabia de nada disso. Ele não sabia que a razão pela qual sua família havia sido destruída era para proteger um segredo que poderia mudar tudo. Luna não queria que ele soubesse disso agora. Não ainda. Mas a verdade viria à tona eventualmente.
— Você realmente acha que pode me derrubar, Atlas?
Luna perguntou suavemente, a expressão dela fria como o gelo. — Sua vingança não será o fim disso. Ela m*l começou.
Atlas estava em choque, suas mãos tremendo levemente, mas ele não permitia que ela visse. Ele precisava manter sua fachada de força, precisava mostrar a ela que não se importava com o que ela dizia. Mas, por dentro, algo estava se rompendo. Ele sabia que Luna estava certa em algumas coisas. E isso o aterrorizava.
Eu não vou te m***r agora, Atlas.
Luna disse, um sorriso c***l se formando em seus lábios.
— Não é isso que você merece. Eu tenho planos para você. Planos que vão quebrar você, corpo e alma. E, quando isso acontecer, você será meu.
A verdade estava finalmente começando a se formar na mente de Atlas, e ele não podia mais negar. Ele estava sendo puxado para um abismo que ele não podia controlar, e Luna Montenegro era o centro desse abismo.
A sala estava imersa em uma tensão elétrica, a respiração de Atlas pesada e ofegante, o olhar fixo em Luna, tentando encontrar uma saída, mas sabia que estava preso. Cada movimento dela, cada palavra, o envolvia mais em um jogo que ele não conseguia controlar. Ele era um matador de aluguel, um homem que sempre esteve no comando, que controlava a morte de outros com precisão, mas nunca havia sentido esse tipo de controle sobre si mesmo. Nunca havia sido derrubado dessa forma. E isso, de alguma maneira, o apavorava.
Luna não precisava fazer mais nada. Ela já havia conquistado o que queria: a mente dele. Cada segundo que se passava, ela via os muros de Atlas desmoronando um pouco mais. Ele poderia resistir fisicamente, poderia tentar desafiá-la com palavras, mas no fundo, ele sabia que Luna estava no controle. Ele sabia que ela poderia destruí-lo, não com força, mas com sua mente afiada e a manipulação fria.
— Você acha que ainda pode se impor, Atlas?
Luna perguntou, sua voz quase sussurrando, mas suas palavras soando como um comando.
— Não é mais só sobre vingança. Agora, você está em minha mão. E não há nada que você possa fazer para escapar.
Ele abriu os olhos, um brilho de fúria cruzando seu olhar, mas sua voz saiu abafada, como se algo o estivesse sufocando.