— Não sou seu brinquedo
Ela inclinou a cabeça, observando-o com um olhar de desafio. O sorriso em seu rosto era quase imperceptível, mas havia uma satisfação ali, uma confiança que parecia não ter fim.
— Você não é meu brinquedo. Eu sou sua vingança. E o que eu vou fazer com você vai muito além de qualquer desejo de controle. Eu vou te partir, Atlas. Vou destruir você, e você não será nada além do que eu quiser que você seja.
Ele queria contra-atacar, queria gritar, mostrar que ela estava enganada, mas algo dentro dele o fez parar. Algo em sua voz, em sua postura, fazia Atlas perceber que Luna estava longe de ser uma mulher comum. Ela não era só c***l ou impiedosa. Ela era inteligente, manipuladora, e ela sabia exatamente onde ele estava mais vulnerável. Era como se ela soubesse mais sobre ele do que ele mesmo. E isso o irritava.
— Você acha que me ferir vai te dar alguma satisfação?
Atlas perguntou com uma risada amarga.
— Eu sou um homem que já morreu. Eu não tenho medo de você.
Ela o encarou por um momento, seus olhos fixos nele, como se estivesse examinando sua alma, procurando um ponto fraco. E, finalmente, ela falou, sua voz baixa, quase um suspiro:
— Não, você ainda não morreu. Você só está esperando a morte vir até você. E eu sou a sua morte, Atlas. Não de uma forma literal, claro. Mas sou a razão pela qual você vai se perder. O motivo pelo qual você vai entender que toda a sua vida foi uma mentira.
Aquelas palavras cortaram Atlas mais do que qualquer lâmina poderia. Ele havia vivido sua vida inteira com uma única missão: sobreviver, vingar-se. Mas Luna estava agora jogando com algo muito mais profundo do que isso. Ela estava desenterrando a dor dele, fazendo-o encarar as fraquezas que ele nunca permitiu que ninguém visse. E, em algum lugar, ele sabia que o que ela estava dizendo não era uma mentira. Ele sabia que a dor que ele sentia, aquela raiva pulsante, estava mais conectada a ela do que qualquer outra coisa.
Luna deu um passo à frente, agora quase ao alcance de seu corpo, mas ainda assim mantendo uma distância. Era uma distância estratégica. O jogo dela nunca foi sobre se aproximar demais, mas sobre manter Atlas à beira do abismo. Ela o tinha enredado com suas palavras, com seu olhar, e agora ele estava à mercê de sua manipulação.
— Eu conheço os seus limites, Atlas.
Ela disse, sua voz suave, mas cheia de veneno.
— Eu sei que você ainda acredita que pode me m***r. Mas o que você não entende é que, ao tentar me destruir, você vai se destruir primeiro. Você está se afundando, e eu sou a razão pela qual você não pode voltar. Isso te apavora, não é?
Ele não respondeu de imediato, mas seu olhar revelou tudo o que ele não queria admitir. Ele estava apavorado. Não pela mulher diante dele, mas pela verdade c***l que ela estava impondo sobre ele. Ele não era mais o homem forte, o imbatível. Ele era um homem prestes a perder.
A tensão no ar era palpável, e a sala parecia estar se fechando ao redor deles. Atlas sentiu um peso nos ombros, uma pressão que ele não sabia de onde vinha. Era como se a própria essência de Luna estivesse sufocando-o. Ele queria se livrar disso. Queria gritar, m***r, e pôr fim a tudo aquilo. Mas ele sabia que não tinha poder sobre ela. Ele sabia que, de alguma maneira, ela era a razão pela qual ele estava aqui, neste momento.
Luna estava jogando com ele, e ele sabia disso. Mas a diferença era que ele não sabia como escapar.
— Eu sei o que você está pensando, Atlas.
Luna disse, quase como se o lesse.
— Você está tentando encontrar uma maneira de me derrotar. Mas não existe essa possibilidade. O que você não é que você vai ser meu, e você vai desejar isso. Vai desejar com a sua alma.
As palavras dela penetraram em sua mente, mais fundo do que ele jamais imaginou. Ela o tinha completamente sob seu controle. Ele sentia um fogo crescente dentro dele, uma raiva misturada com uma necessidade irracional de se submeter. Ele odiava isso, mas, ao mesmo tempo, não conseguia resistir.
Luna sorriu, vendo a luta interna que acontecia diante dela. Ela sabia que o jogo ainda estava apenas começando. Atlas Damian não havia entendido tudo o que ela queria dele. Mas logo entenderia. Logo ele perceberia que nada seria como antes. E ela estava ansiosa para ver até onde ele chegaria.
O passado entre os Damian e os Montenegro não era uma história de simples rivalidade. As duas famílias estavam entrelaçadas em uma rede de traições, intrigas e assassinatos. A morte dos Damian não foi um acidente. Não foi uma vingança simples. Foi uma decisão calculada, orquestrada por Luna para proteger um segredo que nem mesmo Atlas conhecia.
Luna Montenegro havia crescido em um ambiente onde o sangue era derramado para preservar o poder. A morte dos Damian's, em particular, foi uma necessidade. Eles sabiam demais. E Luna sabia que, ao eliminar a linhagem dos Damian's, ela estava apagando qualquer possibilidade de uma ameaça futura.
Mas Atlas... Atlas era uma exceção. Ele não era apenas um sobrevivente. Ele era o último Damian. E Luna sabia que ele era a chave para um jogo muito maior do que ele jamais imaginou.
— Você não sabe por que sua família foi destruída, não é, Atlas?
Luna perguntou, observando-o com um olhar calculista e indecifrável.
— Mas eu vou te contar. Eu vou te mostrar tudo o que você precisa saber. E você vai entender que, quando o jogo acabar, você não será mais o homem que entrou aqui.
Atlas olhou para ela, a raiva e a dor misturando-se em seu olhar. Ele queria saber. Precisava saber. Mas, ao mesmo tempo, ele temia a verdade.
Luna sorriu.