É o meu segundo copo de vodka com energético, quando um belo rapaz entra no barzinho falando alto no celular e, a bargirl tenta me convencer que eu deveria parar de beber:
— Mais uma dose? Você irá se arrepender no dia seguinte— a única bargirl de turbante florido destacando seus olhos cor de mel, enquanto despeja mais vodka no meu copo.
— Todos os dias eu me arrependo de algo, mas um dia não fará m*l. — Respondo olhando para o meu copo pela metade — Só continua me dando vodka.
Quando o bargil me serve, pego o meu copo e viro de uma vez o meu terceiro copo, goela abaixo, a bebida nem queima mais, parece que já perdeu o gosto e eu estou passando dos meus limites.
Um homem de meia idade se senta ao meu lado, pede um copo de whisky e fica me encarando o tempo todo. O meu radar de caras tarados começa a apitar, ele deve ter percebido que eu já havia passado dos meus limites e, poderia facilmente dar o bote para me levar em um canto escuro e longe de olhares.
Chamo a bargirl, peço a conta e pago, estou ficando com medo de estar ao lado desse homem estranho, quando coloco a mão no balcão para me ajudar a levantar, sinto sua mão na minha coxa direita.
— Fique mais, cuidarei de você, gracinha! — sinto o cheiro de cigarro misturado com whisky vindo da sua boca. — Você não pode simplesmente sair sozinha nesse estado, tem muito perigo lá fora.
— Aqui dentro também, senhor! — Tento tirar sua mão áspera da minha coxa.
— Gracinha, fica comigo mais um pouco! — Ele começa a alisar a minha coxa e só consigo sentir nojo.
Minha coordenação motora não está das melhores, preciso parar de querer ficar bebendo por ter sido abandonada mais uma vez pela minha amiga Rafaella. Devo começar a comprar uma garrafa, ir para casa e me trancar no meu quarto e nunca mais marcar algo com ela.
— Pare com isso, senhor! Você deveria voltar a beber o seu whisky e ir atrás de outras garotas que desejarem o mesmo— Tento tirar mais uma vez sua mão nojenta de mim.
— Venha para casa comigo e poderemos beber mais, sem esses olhares em cima da gente — Ele aproximou seu rosto mais próximo ao meu, tentando beijar meu pescoço.
Consigo tirar sua mão de mim e me levanto ficando poucos centímetros longe dele, fazendo o cair da cadeira, já que seu peso estava praticamente todo em mim.
— Obrigada pela oferta, senhor! — procuro com o olhar pela bargirl para ver se socorre. — Eu sou menor de idade e ... — começo a mentir e ele me interrompe.
— Não minta para mim, se é menor de idade, como pode estar bebendo aqui e sozinha a essa hora? Eu não sou i****a.
Ele se levanta do chão, as pessoas nos olham, mas ninguém faz nada a respeito. A sociedade é tão nojenta, sempre ficam militando pela internet, mas nunca fazem nada quando está acontecendo algo bem na fuça deles.
Com as pernas meio bambas por conta do medo e do álcool que corre já nas minhas veias, tento andar o mais rápido que posso para sair desse lugar.
— Fuja de mim, gracinha! Se eu te pegar, vou te dar um jeito!
Não consigo nem olhar para trás, meus movimentos são lentos e estou meio zonza, acabo batendo em algo.
— Não achei que aqui estava cheio. — Era o bonitão que entrou no bar com o celular pendurado na orelha.
Olha para trás, para ver se o homem estava vindo ainda. Meu coração gela ao ver ele se aproximando de mim novamente e, então eu abraço o bonitão na minha frente.
— Querido! — Ele retribui o abraço sem entender nada, mas pelo menos retribui e me ajuda-a se livrar do homem tarado.
Senhor amado, ele tem um cheiro bom. Olho para o seu rosto, barba bem feita e alinhada, cabelos penteados de uma forma que não sei bem como explicar, mas o deixou parecendo um príncipe aos meus olhos. Como pode existir um homem como esse no mundo, tão bonito?
— Poderia me fazer um favor? — Fico nas pontas dos pés e sussurro no seu ouvido. — Me salve.
O homem se aproxima de mim segurando o meu braço com força.
— Gracinha, como você pode chamar qualquer um de querido?
— Senhor, ele é meu namorado! — Olho para ele tentando segurar as lágrimas que formam no meu rosto e volto a olhar para o bonitão. — Certo, né?
— Pare de mentir. Eu gostei de você, hoje é seu dia de sorte!
Está mais para azar, como sou uma pessoa azarada? Onde é que eu fui me meter? Droga, o que faço agora?
O bonitão ainda está me abraçando sem entender nada, preciso aproveitar esse momento. Não tenho nada a perder nesse momento. Fora que dará um fim nesse inferno que o homem começou.
— É... — Não termino de falar, simplesmente roubo um beijo do bonitão.
Ele parece assustado com a minha reação repentina, mas não perde a oportunidade de retribuir o beijo.