TRETAGON
343 d.F (depois da Fênix)
(10 anos após a conquista do usurpador)
Era noite. O príncipe montado no dragão, mesmo com seus meros dezoito anos era uma figura intimidante aos servos sobreviventes do embate de Dragomir contra Ratifar naquela montanha rochosa. Chuva caia fazendo o fogo de outrora se apagar.
Homens de armadura prateada com emblema do dragão prendiam mulheres e homens guerreiros da nação dourada como Ratifar era conhecida
Todos os cativos de pele morena reluzente. Espécimes bonitos os homens fortes e as mulheres curvilíneas e fartas das figuras expostas. Iker deleitou-se naquela visão sentindo seu corpo inquietar-se.
Servos de prazer os mais bonitos se tornariam, com seu fogo juvenil montaria os homens e tomaria as mulheres.
O príncipe se manteve de cabeça e queixo erguidos enquanto montava Fedrer o fazendo agir como se fosse um cavalo, seu dragão dourado se esgueirava apoiando-se sobre quatro patas intimidante e com as narinas soltando fumaça
Nada de novo. Nada de surpreendente. Apenas intimidante para aqueles servos de pele morena, olhos âmbar e que com certeza seriam somente espiões do rei Rar quando levasse os dez que deixava viver para corte de Dragomir e ateasse fogo nos outros.
Mas então seus olhos azuis se encontraram com os da pessoa de olhos escuros marcantes, grandes, inocentes e dóceis que parecia perdida ali cuja pele pálida e estrutura pequenina o lembrava da histórias sobre fadas que sua mãe contava. Trajada em uma camisa molhada que agora colava-se ao corpo diminuto de forma obscena, capa e calça de couro que se assemelhava aos trajes masculinos de Fenit.
Sim. Fenitense. O que por Relian ela fazia ali?
O coração dele falhou em uma batida. Moça ou rapaz não importava queria no seu séquito de servos infantes até que tivesse idade para fazer parte do séquito de prazeres e pudesse a exibir como sua e enchê-la de presentes como fazia com Cecily.
Quando Iker percebeu apontava para ela e já gritava ordens em draconiano para seus homens de armadura prateada com emblema do dragão:
— Tragam aquela ali para mim.
E o fizeram. Os olhos escuros dela eram vagos quando um dos homens a levou até a frente de Fedrer.
Não havia medo nos olhos dela mesmo com a grandeza do seu monstro.
Não havia temor e isso fez o príncipe crispar os lábios.
Ela apenas tocou o focinho do dragão e lágrimas vieram aos olhos dela. Fedrer nada fez e até a intimidante fumaça pelas ventas parou ao ser tocado por ela. Ele ficou dócil. Iker sentiu pelo elo que tinham que Fedrer mesmo selvagem se entregou a ela. A vontade de cuspir fogo de Fedrer passou com o mero toque dela. Não queria queimá-la e devorá-la.
Ela apenas abraçou a cabeça dourada do dragão maternalmente e beijou-a várias vezes como se encontrasse algo perdido e, Fedrer em resposta fez a pata frontal se arrastar na lama rendido.
Os olhos escuros e raros dela estavam cheios de lágrimas ou era a chuva? Então os olhos marcantes dela se encontraram com os azuis indecifráveis do príncipe.
— Iker. Iker. Iker.— Ela gritou o nome dele num esforço quase sobre humano e pulou acenando para ele. Os olhos azuis estreitados do príncipe se arregalaram com a felicidade ingênua dela.
Mas antes que ele respondesse aquela insolência e a punisse a moça desmaiou.
...
Ela passou sete dias e sete noites com febre descomunal e oscilando chamando por ele, Fedrer, Kai e outros nomes que o príncipe desconhecia. Iker não sabia o que ele fazia ali naquele maldito aposento da criadagem. O curandeiro real parecia em pânico andando de um lado para o outro e preparando poções.
O aposento era um simples cômodo com parede de pedras nuas que eram frias, com uma cama de madeira, pinico, uma mesa para refeições e sem decoração ou conforto.
Quando ela abriu os olhos o reconhecimento que ele notou quando ela o chamou atrevidamente pelo nome não existia mais. Parecia outra pessoa.
Ela o fitou com estranhamento assim como ao médico real e se sentando no colchão de penas de ganso abraçou-se ao notar que estava nua e seu corpo havia sido liberto dos pelos.
Iker tirou sua capa e a cobriu. E a menina encolhida abraçou-se ao tecido.
Iker começou com um tom neutro:
— É de Fenit, não é? Não tem marca de serva, sendo assim do que fugia? Quantos dias do seu nome possuí? O que fazia na batalha da mina? Qual o seu nome?
Ela fez uma careta. Massageou as têmporas. Rugas em sua testa jovem se misturavam ao crispar de lábios dos lábios em formato de coração e aos olhos escuros ingênuos.
— Sou de Fenit.— Respondeu convicta e abraçando os joelhos apoiando o queixo neles. —Acho que possuo dezoito dias do meu nome. Falo draconiano, apesar do sotaque ser forte. Não me lembro meu nome e nem se fugia de algo, alteza.
Ela abaixou os olhos, o fez uma educada reverência com a cabeça de submissão e usou o título que o pertencia dessa vez sem abrir brecha para uma possível punição.
Iker apenas soltou um suspiro a mirando pensativo e decidiu:
— De qualquer forma é minha serva agora e como já tem idade me servirá junto aos servos de prazer. Em troca te encherei de presentes se me servir bem.
Ela não ergueu os olhos. E soltou um suspiro.
— Como vossa alteza desejar. — Murmurou a moça desconhecida tristonha.
Iker apenas beijou a testa dela a pegando de surpresa e também a Vermont que os assistia horrorizado que uma desconhecida tivesse tomando o lugar de Cecily. E o príncipe tirando uma das jóias que usava que era um bracelete feito com a escama de Fedrer, colocou a peça na mão dela.
A menina pegou a jóia cedida por ele fitando-a confusa e os olhos escuros se encheram de lágrimas.
Iker apenas explicou:
— Use sempre. Assim saberão que pertence ao príncipe herdeiro e não tocarão em você. Prometo.
A menina ergueu os olhos cheios de lágrimas e os braços como uma criança que quer colo.
Iker apiedou-se e apenas a pegou no colo. Mantendo a capa que cobria a nudez dela. As pernas dela em sua cintura. Ele beijou o cabelo dela que pediu para as servas lavarem com essências de rosas. O cheiro dela era agradável apesar de ainda estar febril e com uma leve camada de suor no corpo franzino.
O velho curandeiro os assistiu desgostoso já que Cecily que era a serva preferida de Iker era sua filha.
O homem disse:
— Meu príncipe, deve colocá-la junto aos outros servos e servas do séquito de prazer. Para que minha filha não se irrite.
— Meu príncipe. — A desconhecida chamou Iker assim nos braços dele com um forte sotaque fenitense sobrepondo-se ao draconiano hesitante que aos ouvidos dele soou algo adorável. E Iker tremeu inteiro.
O príncipe deixou os olhos pairarem nela agarrando-se a ele, Iker ofegou rendido aos olhos escuros dela e ao corpo contra o seu.
O príncipe deixou a voz ecoar:
— Eu não a quero com os outros servos onde qualquer um pode tocá-la. Eu a quero só para mim.
Iker sentiu a moça estremecer contra si e gostou do efeito que tinha nela.
Vermont apenas se afastou intimidado.
—Me dê um nome, meu príncipe. — A mulher pediu manhosa nos braços dele e beijou ao ombro dele coberto pela magnânima túnica com devoção.
— Eu devo? — Iker questionou colocando uma mecha do cabelo curto dela para trás da orelha da moça, e ele deu um meio sorriso.
— O que quiser fazer. Sou sua agora, meu príncipe.
Iker apenas engoliu em seco. Aquela mulher parecia saber as palavras certas para atiçá-lo.
— Saia Vermont. — Ordenou ao homem que se mantinha ali.
O idoso se retirou assombrado.
Iker apenas sentou-se com ela no colchão horrendo e beijou ao pescoço dela escutando os gemidos cálidos. Ele a mordeu no pescoço a marcando. Ela se manteve quieta.
— Pode me tocar, querida. — Iker deixou escapar aquecido.
— Eu posso? — Ela jogou.
Ela o segurou pelo queixo e lambeu os lábios dele e enfiou a língua na boca dele com habilidade notória. E Iker rosnou sentindo ela mover os quadris para si e levou as mãos a cintura dela.
Deixou que os dedos a aliviassem ouvindo os gemidos dela de deleite e tendo os olhos escuros rendidos.
Demetria não se conteve:
— Me tome, meu príncipe. Mas devo dizer que já fui casada. Então não será o primeiro. Só que isso foi há muito tempo.
Ele a segurou pelo pescoço e a analisou incrédulo.
— É uma nobre de Fenit? Fugiu de seu marido então? — Iker quis saber lambendo o pescoço dela e selou os lábios nos dela.
—Não. Jamais. Meu marido era muito bonito, nunca fugiria dele.—Respondeu a mulher com certo humor tendo a atenção dele e tocando o cabelo escuro de Iker que não era tão longo agora e ia até o meio das costas e não até a cintura como quando o conheceu. — Mas a Morte o tomou de mim. — Os olhos dela se encheram de lágrimas novamente. —Mas agora tem você que é lindo como ele. E eu sou sua serva agora. Eu quero você, meu príncipe. Me faça sua.
Iker apenas sorriu.
— Quem era o seu marido? Um guerreiro de Fenit?— Iker exigiu.
— Não. Apesar de ele parecer lindo e mortífero com uma espada. — A moça respondeu dócil ainda mexendo no cabelo de Iker. — Me deixaria impressionada com sua espada, meu príncipe? Ouvi dizer que o príncipe de Dragomir é um exímio guerreiro, as histórias são verdade?
— Sim. — Ele respondeu sem hesitar. — Você ficaria sem ar ao me ver lutar, minha querida. — Ele beijou a testa dela. — Se é de Fenit, Considera o rei de Fenit...
Demetria não hesitou em sua fala e os olhos fervilharam de ódio:
— Um usurpador que senta-se num trono banhado no sangue do próprio irmão e coabita com a viúva do falecido rei.
— Que língua ferina essa sua. — Iker sussurrou admirado. — É atrevida ao extremo para ser uma serva. Quem é você?
— Por agora quem vossa alteza quiser que eu seja. — A moça o respondeu assim.