Capítulo IX

1015 Palavras
Brenda Estávamos levemente adiantados, quando Matheus parou o carro na garagem do prédio onde trabalhávamos. Estiquei os olhos por entre os carros, depois que ele me informou que Tuane dirigia um Sandero vermelho, quando não o encontrei em um lugar nenhum, imaginei que ela ainda não tivesse chegado, para a nossa sorte. —Combinou tudo com Marcos? —questionei, tocando no nome do nosso chefe. —Sim. Foi estranho pedir a ele um favor como esse, me senti um pouco como um m*l profissional, mas ele está amando essa ideia toda. —Mas vocês são amigos e, além de tudo, ele é um chefe bem tranquilo e liberal. Acho que não deve se preocupar! —Não estou preocupado, é só que, tem horas que não sei se essa relação entre chefe e funcionário é realmente funcional, genuína e saudável— ele me constatou. —Olha, também não sou muito próxima de Marcos ao ponto de saber se ele está sendo verdadeiro e se devo ou não me aproximar dele, ou se tenho que sempre ter um pé atrás e pisar em ovos até nos momentos mais descontraídos, porque, no fim das contas, ele continua sendo o meu chefe. Só sei que, só dele ter o cuidado de manter o ambiente de trabalho saudável e aconchegante, de estimular a nossa criatividade e minimizar disputas de poder, isso já faz dele mais do que um bom chefe, mas uma boa pessoa também. —Gosto dele, gosto de verdade. As vezes me vejo muito travado em ter uma amizade um pouco mais próxima com ele justamente e unicamente por ele ser meu chefe. Acho que isso pode ser por conta de relações que já tive com outros patrões e que me fizeram querer separar muito bem essa relação para evitarmos problemas. —Gosto de como você consegue se autoanalisar, talvez eu devesse cursar psicologia, não para atuar, mas para entender melhor a mente humana e conseguir, assim, compreender os fundamentos por trás de que eu era e quem eu me tornei. —Vai por mim, eu faço muito análise. Psicólogos também precisam de tratamento psicológico e pelo menos duas vezes ao mês, encontro a minha terapeuta. —Deve ser superlegal ser atendido por um colega de profissão, porque se eu precisasse de um serviço de publicidade, por exemplo, eu faria sozinha. Só que nem em todas as profissões, conseguimos nos atender, isso é interessante. —Posso ver que você é uma pessoa que pensa e reflete bastante sobre a vida, mas de uma maneira positiva, isso é bom, Brenda! —Vai ser meu analista pelos próximos meses? —Não posso, acredito que, de alguma forma, vamos nos envolver demais para isso... Como amigos e “parceiros no crime”, eu digo. Eu ia responder alguma coisa, sobre aquela frase que, antes de ser corrigida, poderia ser facilmente interpretada em um duplo sentido. Porém, antes que eu conseguisse formular algo para falar, avisei o carro de Tuane, entrando na garagem. —Pronto para colocar o plano em ação? —perguntei. —Nasci pronto— ele disse, abrindo a porta do motorista. Respirei fundo abri a porta e estiquei meu corpo para o banco traseiro, pegando a minha bolsa que estava ali. Quando ia me levantar, Matheus apareceu ao meu lado, segurando a minha mão para me ajudar a sair. —É assim com todas as suas namoradas? —cochichei, para que só ele conseguisse ouvir. —Sou um perfeito cavaleiro— ele piscou um olho, entrelaçando os seus dedos aos meus. Ouvia o barulho dos meus sapatos a cada passo que eu dava e, como tínhamos propositalmente escolhido a vaga mais distante do elevador, para ter certeza que teríamos que passar pelo carro de Tuane, sabia que ela acabaria por nos ouvir, enquanto nos aproximávamos dela. —Deveríamos estar conversando sobre algo, para parecer mais natural— eu disse, com um pequeno sorriso no rosto, aquele que permanece durante um dia inteiro, quando as coisas estão muito boas. —E então, a sua mãe já conseguiu fechar com o airbnb que vamos ficar, em Angra? —ele perguntou, quando nos aproximamos o suficiente para que ela escutasse o que estávamos falando. Precisei de um segundo para raciocinar sobre como ele tinha entrado no personagem tão rapidamente. Falei logo em seguida: —Conseguiu, finalmente. Ela já estava ficando nervosa e com medo da nossa viagem pré-natal ser cancelada. —Se eu já estou ansioso para uma viagem rápida com a sua família, m*l posso esperar para as festas de fim de ano, oficialmente. —Sinto muito que a usa família esteja no Líbano e não possa se juntar a nós— falei, dando uma pequena pausa proposital, ao andar. Matheus soltou a minha mão e passou o braço ao redor da minha cintura, se aproximando e dizendo: —Não faltarão oportunidades, estou feliz de passar com a sua família e, ano que vem, com certeza estaremos todos juntos. Meus e seus parentes! Olhei de r**o de olho para o lado, antes de começarmos a andar, vendo Tuane saindo de seu carro. Infelizmente, para manter a naturalidade de nosso plano, não pude a encarar por muito tempo e tivemos que seguir o nosso caminho até o elevador, deixando-a para trás. Não demorou mais que um segundo até eu ouvir barulhos de sapatos altos que não eram os meus, portanto, calculei que ela estaria a apenas alguns passos de distância de nós. Não poderíamos deixar o assunto morrer, logo naquela hora. —Você vai dormir no meu ap, hoje? Minhas roupas limpas, que estavam no seu, já acabaram, então preciso ir para a minha casa— falei, piscando um olho discretamente, na direção de Matheus. —Pode ser, amor. Contanto que você não vá para um lado e eu para o outro, está perfeito para mim. Ainda tenho algumas roupas na sua casa, também— ele abriu um pequeno sorriso e nós enfim chegamos ao elevador. Os passos atrás de nós se aproximaram, enquanto eu apertava o botão solicitando a caixa metálica, e então eu sabia que Tuane já estava ali.
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