Capitulo 10

826 Palavras
No decorrer do dia, Katherine tentou ancorar-se em sua rotina. Atendeu emergências, suturou feridas e fugiu o quanto pôde da perseguição de Tarcísio. Mas o esforço era inútil. A cada investida polida do chefe, a voz de William ecoava em sua mente, um sussurro possessivo que parecia vibrar em seus ossos: "Você é minha". William reduzira Tarcísio a nada. Perto da lembrança daquele homem imponente e de pegada avassaladora, o diretor do hospital parecia um rascunho inacabado. “Que droga, Katherine! Sua i****a!”, ela se punia mentalmente, mas o perfume amadeirado dele parecia ter grudado em suas narinas, transformando seu consultório em um santuário de memórias proibidas. Enquanto ela lutava contra o desejo, William agia. Ele não era homem de deixar o destino ao acaso. No caminho de volta para o cassino, revisou a ficha de Katherine. Descobriu que ela era uma mulher de méritos próprios, uma médica exemplar que não se curvava ao luxo da família. Isso o instigou. Mas saber que Tarcísio estava à espreita o fez cravar os dedos no volante com fúria. Ninguém cobiçaria o que ele já havia marcado como seu. O Mercado de Almas No cassino, Pierre estava exatamente onde William queria: afundado em dívidas e cercado por seguranças. Ao ver o "Senhor Trajano", o covarde gelou. — Eu sei que devo, Trajano! Vou dar um jeito. Você pensou na minha proposta? Ela é uma boa mulher, servirá bem aqui no cassino — balbuciou Pierre, oferecendo a própria esposa como se fosse uma mercadoria barata. O soco de William veio rápido e pesado, jogando Pierre contra uma cadeira. O mafioso sentia um asco profundo por aquele homem que não merecia nem o chão que Katherine pisava. O celular de Pierre tocou no momento exato: era ela. — Olha, é ela! — Pierre mostrou a tela, tentando recuperar a dignidade. — Vou pedir para ela vir aqui. Quando você a conhecer, verá que tenho razão. William deu um sorriso de lado, um gesto carregado de ironia mortal. “Coitado”, pensou. — Mande-a vir. Mas não ouse pronunciar meu nome. O Divórcio à Queima-Roupa Katherine entrou no cassino com o sangue fervendo. Ver Pierre naquele ambiente degradante só confirmava o quanto ele era um erro. Ela nem notou o homem sentado nas sombras de uma mesa de cartas até estar bem próxima. — Não sei o que passa nessa sua cabeça doentia, Pierre! Trazer-me a esse antro? Poupe-me dos seus jogos! — Ela jogou os papéis do divórcio e uma caneta sobre a mesa com um estalo seco. — Assina logo essa merda! Só então, ela percebeu que Pierre não estava sozinho. Ao ver William ali, impassível com um copo de uísque na mão, ela estacou. — William? — Espera aí... vocês se conhecem? — Pierre alternou o olhar, confuso e alarmado. — Sim, eu andei dando uns amassos nele — Katherine disparou com um deboche ácido, querendo ferir o orgulho de Pierre. — Agora assina, ou quer que eu desenhe? — Eu não assino nada! Você é minha mulher! — Pierre berrou, tentando uma autoridade que já não possuía. William levantou-se. A cadeira arrastou-se pelo chão com um som estridente. Ele parou diante de Pierre como uma montanha de gelo. — Assina. Agora. — Por que, William? O que você tem a ver com isso? — Se ela será minha, não quero que pertença a mais ninguém. Não vejo coerência nisso se ela tiver um "Marido". Assina, p***a! — A voz de William não deixou margem para dúvidas. Pierre sentiu o gosto amargo da derrota. Ele leu as cláusulas ferozes escritas por Lia, que o deixavam sem nada sob a ameaça de um processo por fraude. — Sem nada? William, eu não posso... O som metálico da arma sendo sacada silenciou o cassino. Katherine recuou, o coração disparado. — Você tem cinco segundos — William começou a contar, a voz gélida. — Um... dois... Com as mãos trêmulas e o cano da pistola de William quase encostando em seu peito, Pierre assinou. O "fim" que Katherine tanto buscava estava ali, em um papel manchado de suor e medo. — Saia — ordenou William para Pierre. — Se voltar a este cassino ou se aproximar do que é meu, eu mato você. A Nova Prisão Katherine respirou fundo, sentindo um alívio momentâneo. — Obrigada pela ajuda, William. De verdade. Você me livrou de um peso enorme. Ela virou-se para sair, mas dois brutamontes formaram uma barreira intransponível à sua frente. Katherine parou, a confusão nublando seus olhos. — William, que merda é essa? Peça para eles me deixarem passar. William sorriu — não o sorriso sedutor de antes, mas o de um conquistador que acaba de tomar um território. Ele aproximou-se e enlaçou a cintura dela, colando seu corpo ao dele. — Quando eu disse "minha" hoje cedo, Katherine, não era uma força de expressão. Você é minha de verdade. E você não vai a lugar nenhum.
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