"Eu julgava que te conhecia, mas apenas te amava."
Esse fora seu erro: não conhecer Pierre, apenas projetar nele uma ideia de amor. Katherine agora repudiava cada lembrança do marido, perguntando-se como saíra de um casamento morno para cair diretamente no radar de um homem como William Trajano.
No meio do corredor do hospital, ela o viu. O "excelentíssimo" William estava deitado em uma maca qualquer, fingindo uma agonia que não condizia com o brilho predatório em seus olhos.
— Esse cara é louco — murmurou Katherine para si mesma.
Ela aproximou-se, seguida de perto por Tarcísio, que parecia um satélite orbitando ao seu redor desde que os boatos da separação ganharam força. Katherine assumiu sua máscara profissional, endurecendo o olhar.
— Olá, senhor Trajano. Como posso ajudá-lo?
— Graças a Deus você chegou, doutora! — William abriu um sorriso largo, descaradamente cínico. — Aquelas dores no peito... aquele desconforto que me deixa louco... voltou com tudo. Preciso de você agora.
Enquanto falava, ele desabotoou três botões da camisa de linho, revelando o físico imponente. Algumas enfermeiras ao redor pararam, hipnotizadas. Katherine sentiu uma pontada de raiva — um ciúme irracional por um homem que ela m*l conhecia.
— Vamos para a minha sala. Agora — ordenou ela, ajudando-o a levantar.
William fingiu um tropeço, agarrando a cintura de Katherine para se equilibrar. O toque firme fez a pele dela formigar. — O que diabos você está fazendo? — ela sibilou no ouvido dele enquanto caminhavam.
— Estou com dor, doutora. Preciso de uma especialista excelente. O que há de errado nisso? — William respondeu, aproveitando a proximidade para roçar os lábios na orelha dela. O gesto foi tão rápido que ninguém percebeu, nem mesmo Tarcísio, que os seguia como uma sombra.
Entre Paredes e Pecados
Assim que entraram no consultório, William deitou-se na maca de exames. Tarcísio parou à porta, claramente incomodado com a i********e da cena. — Não gosto de espectadores, doutora. Resolva isso — ordenou William, com a autoridade de quem manda no mundo.
— Pode ir, Tarcísio. Já estou habituada ao histórico do senhor Trajano — mentiu Katherine, indicando a saída. O diretor hesitou, mas acabou recuando.
Assim que a porta se fechou e o trinco estalou, Katherine virou-se, bufando. — Você é maluco? Onde dói, afinal?
Ela aproximou-se e pressionou o peito dele com certa força, tentando manter o profissionalismo. William mordeu o lábio inferior, sustentando o olhar dela. Lentamente, ele terminou de desabotoar a camisa, abrindo-a por completo. Ele guiou a mão de Katherine pelo seu peitoral musculoso, descendo-a até que ela sentisse a pulsação acelerada dele.
— Bem aqui — ele disse, a voz rouca.
Katherine estava trêmula. Ela sabia que aquilo era um jogo, mas seu corpo não aceitava o blefe. — Pode ser gases... ou um princípio de infarto. Vou encaminhá-lo a um cardiologista — disse ela, tentando se afastar.
William não permitiu. Ele levantou-se da maca e cercou-a contra a parede. Katherine sentiu o calor do peito nu dele contra suas costas. — Você é a única especialista que me interessa. Totalmente.
Ele deslizou os dedos pelo braço dela, descendo até a barriga, puxando-a para trás contra seu corpo. — Quem é o cachorrinho que te segue pelos corredores? — perguntou, a voz carregada de uma possessividade perigosa.
— É o diretor do hospital — Katherine respondeu, tentando recuperar o fôlego. — E ele me quer. O que tem de mais nisso? Estou praticamente solteira, só falta o divórcio.
Foi um erro desafiá-lo. William a virou de frente para a parede, pressionando seu corpo contra o dela. Através da divisória de vidro da sala, ela via vultos passando no corredor, o que aumentava sua excitação e seu medo na mesma proporção.
— O que foi que você disse? — ele murmurou no pescoço dela, apertando sua cintura. Katherine soltou um gemido baixo, incapaz de esconder a reação ao domínio dele.
— William, saia... eu vou perder o emprego — ela implorou, a sanidade lutando contra o desejo.
Ele a virou de frente, forçando-a a encarar a imensidão gélida e focada de seus olhos. — Entenda uma coisa, Katherine: a partir de hoje, você é minha. Não ouse dar atenção a esse doutorzinho ou a qualquer outro. Minha. Entendeu?
Antes que ela pudesse protestar, ele a beijou. Foi um beijo profundo, proprietário, que roubou todo o oxigênio do consultório. Quando se afastaram, ambos estavam ofegantes.
— Saia, por favor... — ela pediu novamente, embora seus olhos dissessem o contrário.
William sorriu, um olhar sedutor e vitorioso. — Te colocar nos meus lençóis não é uma má ideia. Mas fique calma... eu não vou mais tocar em você hoje.
Katherine o olhou confusa. A ideia de não ser tocada a perturbava ainda mais do que o toque em si. — Não aqui. Não antes que você me implore — completou ele, caminhando até a porta.
— Vai sonhando! — Katherine rebateu, recuperando um pouco de sua postura enquanto apontava a saída.
William parou no batente, olhou-a uma última vez e reforçou o veredito: — Não se esqueça. Minha.