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Melhores Amigos Apaixonados

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Sinopse

Chanel Brook e Mateo Groham, são amigos desde pequenos, e com o passar dos anos, sua amizade se torna cada vez mais forte.

Porém, os sentimentos muda.

Ele, está atraído por ela.

Ela, está atraída por ele.

Ele, foge dos sentidos.

Ela, persegue o sentimentos.

Mateo, acha que os sentimentos pode causar o fim da sua linda amizade.

Chanel se encontra disposta a mostra, que os sentimentos pode fazer, eles irem além da amizade.

E assim se dá início a uma brincadeira de sedução, paixão, submissão, e dominação.

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Capítulo 1
Com o cabelo preso em um coque alto e despojado, que insistia em soltar fios rebeldes, e vestindo um pijama de algodão branco — uma peça tão velha que o tecido quase perdia a cor original —, eu estava sentada no chão da sala, cercada por uma fortaleza de livros de literatura inglesa. O silêncio da noite, apenas interrompido pelo som das teclas do meu notebook, foi subitamente invadido pelo estalo da porta do banheiro se abrindo. Segundos depois, um aroma intenso, amadeirado e inconfundivelmente masculino, tomou conta de todo o apartamento, tornando o ar quase sólido. ​— Sinto cheiro de perfume novo — comentei, sem desviar os olhos da tela, elevando o tom de voz para que Mateo, meu melhor amigo e colega de apartamento, pudesse ouvir. — Pelo visto, o bonitão tem um encontro importante esta noite, hein? ​— Não posso ficar cheiroso para você, por acaso? — a voz dele veio do quarto, carregada de uma falsa inocência que eu conhecia como a palma da minha mão. ​— Claro que pode, Mateo, mas nós dois sabemos muito bem que esse aroma não é para mim — respondi, tirando os óculos e deixando-os sobre o teclado, um gesto de quem estava pronta para o embate. — Se fosse, você não estaria impecável. Estaria usando aquele seu moletom cinza que está pedindo socorro, sentado aqui no sofá, comendo um resto de pizza e reclamando amargamente que eu estudo demais e que não dou a atenção que você acha que merece. ​— Me machuca profundamente saber que você pensa isso de mim — ele dramatizou, a voz aproximando-se à medida que caminhava até a sala. Seus passos pararam exatamente atrás de mim. Eu não precisava virar para saber que ele estava ali, parado com aquela pose de galã de catálogo. — Nem sempre fico no sofá reclamando; na maioria das vezes, estou na cozinha preparando o seu jantar porque você esquece de comer. ​Analisei-o com um olhar crítico enquanto ele entrava no meu campo de visão. Mateo tinha feito uma escolha certeira para a noite: calça jeans preta, botas de couro do mesmo tom, uma camisa branca impecável sob uma jaqueta de couro preta. Era muita informação para um homem só, mas era inegável que o preto realçava o azul gélido de seus olhos e o corte perfeito do seu cabelo castanho, penteado para trás com um charme displicente. Sem falar na mandíbula marcada, que parecia ser o ponto final de qualquer conversa. ​— Gostando do que vê ou vai continuar me secando? — ele provocou, com aquele sorriso de canto que sempre me dava vontade de revirar os olhos. ​— Nem um pouco. Estou apenas avaliando os danos — fiz uma careta para ele. — Como diria Camila Cabello: "...Um pouco mais velho, uma jaqueta de couro preta, uma má reputação e hábitos insaciáveis...". Será que alguma das suas ex-namoradas escreveu essa música pensando em você? Ela se encaixa tão perfeitamente que chega a ser um pecado. ​— Você não cansa de tentar ferir meu ego, não é? — ele se jogou na poltrona, levando a mão ao peito em um gesto teatral de ofensa, fingindo uma dor lancinante. ​— Com quem você vai sair hoje, afinal? — inclinei-me na direção dele, mantendo o tom de conspiração. — Felicity ou a Juliana? A dúvida me corrói. ​— Vou sair com a Felicity. Ela descobriu que esta noite é minha folga e insistiu, praticamente me sequestrou para sair — ele suspirou, jogando a cabeça para trás, como se fosse uma vítima das circunstâncias. ​— Não sei o que você viu nela, Mateo. Sou muito mais a Juliana. Ela tem classe. ​— Felicity tem o que a Juliana não tem, e a Juliana tem o que a Felicity não tem — explicou ele, como se fosse a obviedade do século, girando o dedo no ar. ​— Ah, me poupe! Com certeza, a Juliana tem toda a bondade que a Felicity não tem, e a Felicity tem todo o veneno que a Juliana não tem. Não suporto essa namoradinha sua. Ela olha para este apartamento como se estivesse analisando um crime. ​— Você tem ciúmes de me ver com ela — ele provocou novamente, o olhar fixo no meu, um desafio silencioso. ​— Seria ciúmes se eu não quisesse que você estivesse com ninguém, mas, neste caso, o meu problema é apenas a Felicity. Adoro quando você traz a Juliana aqui; ela me inspira. É tão jovem, tem sua própria clínica veterinária... Diga-me, quando você vai parar de ficar um dia com uma e no outro dia com a outra? Está esperando elas se encontrarem na portaria e descobrirem a existência da outra? ​— O acaso é uma coisa engraçada, Chanel. Mas elas nunca saberão. — Ele suspirou, levantando-se. — Estou indo para o encontro. ​— Você poderia ser um cavalheiro e mostrar o quanto me ama passando no McDonald’s no caminho de volta, né? — pedi, passando a mão na barriga em um apelo dramático. — Estou morrendo de fome. ​— Posso passar, mas você sabe que vai demorar. O trânsito de Seattle à noite é um pesadelo. — Ele se abaixou e depositou um beijo carinhoso na minha testa, ignorando meu resmungo sobre a fome. ​— Tudo bem, enquanto você não chega, me contento com salgadinhos. — Mandei um beijo no ar, voltando a focar nos livros. ​— Divirta-se... estudando. Tchau, Chanel. ​— Tchau, Mateo. Tente não ser atropelado pelo seu próprio charme. ​Assim que a porta se fechou, suspirei, colocando os óculos de volta. Meu nome é Chanel Brook, vinte e um anos, terceiro ano de Literatura Inglesa. Não era a minha primeira opção, mas, depois que assisti Cinquenta Tons de Cinza, a paixão de Anastasia pela literatura e o cenário de Seattle me fisgaram de uma forma que não consegui ignorar. Com 1,65 m, olhos avelã e cabelos longos e ondulados, eu era apenas mais uma estudante sonhadora em meio à chuva da cidade. ​Quando decidi vir para cá, Mateo veio comigo. Nossas famílias são amigas de longa data e ele se tornou o meu melhor amigo desde que me entendo por gente. ​O Histórico de Uma Amizade Persistente ​Lembrar de Mateo é como folhear um álbum de fotografias onde as páginas estão manchadas de grama e suco de uva. Nossas mães adoram contar a história da nossa primeira "união". Eu tinha cinco anos e ele sete. Ele, em sua fase de garoto introspectivo que preferia brincar com soldados de chumbo a se misturar com crianças "menores", me ignorava solenemente. Ele tinha um clubinho na casa da árvore — na verdade, era apenas um galho baixo de uma velha mangueira — onde garotas não eram permitidas. ​Eu não aceitava aquela exclusão. Lembro-me claramente de ter passado uma tarde inteira sentada na base da árvore, com um livro de histórias ilustradas, lendo em voz alta apenas para irritá-lo. Eu sabia que ele estava ouvindo. Quando ele finalmente desceu, todo emburrado, reclamando que eu estava estragando o clima de guerra dele, eu apenas sorri e ofereci metade do meu chocolate. Ali, naquele momento, Mateo descobriu que eu era o único ser humano capaz de invadir suas fortalezas sem precisar de armas. ​Anos depois, aos doze, quando ele teve sua primeira desilusão amorosa no colégio, quem estava lá? Eu. Ele passou a tarde inteira chorando no meu quintal, não por causa da menina, mas por ter sido humilhado na frente dos outros garotos do time de futebol. Eu, com toda a minha sabedoria precoce de quem lia romances demais, expliquei que ele era maravilhoso e que aquela garota não tinha visão. Ele olhou para mim, limpou o rosto na manga da camisa e disse: "Chanel, você é a única pessoa que realmente me entende". Aquela frase, dita com a voz ainda oscilante pela puberdade, selou o nosso destino. ​Reflexões Internas: O Peso do "Quase" ​Enquanto tentava me concentrar no texto de Jane Eyre no meu notebook, percebi que minha mente insistia em desviar para o Mateo. Havia algo estranho naquela noite. Normalmente, ele não se esforçava tanto para se vestir quando saía com Felicity. Ele costumava usar apenas jeans e uma camiseta básica. Aquela jaqueta de couro? Era nova. O perfume? Parecia um convite. ​Senti um aperto no peito que não tinha nada a ver com a fome. Será que estou apenas acostumada com a presença dele aqui, como um móvel fixo que, de repente, percebo que pode ser levado embora? Mateo não é apenas meu colega de apartamento; ele é o meu porto seguro. Quando chegamos a Seattle, sozinhos, sem a rede de proteção das nossas famílias, houve noites em que dividimos um pacote de macarrão instantâneo no chão desta mesma sala, enquanto discutíamos se tínhamos feito a escolha certa. ​Mateo é o tipo de homem que faz qualquer um pensar: "Nossa, que lindo", e logo em seguida: "Problema". Aos 24 anos, com 1,83 m, um corpo atlético e aquele toque final de charme — a mandíbula marcada — ele era o centro das atenções. Mas ele é também o homem que me cobre com um cobertor quando adormeço estudando. É o homem que sabe exatamente como gosto do meu café, sem que eu precise pedir. ​Eu me pergunto, às vezes, se a nossa amizade não é um escudo. Eu não namoro porque estou sempre "ocupada estudando", mas, na verdade, quanto de mim eu guardo para ele? É uma dança perigosa. Se eu o perdesse, quem seria eu em Seattle? Sem a sua risada alta na cozinha, sem as suas provocações matinais, sem a segurança de que ele está apenas a um quarto de distância... eu seria apenas uma estudante de literatura solitária em um apartamento silencioso. ​Mateo Groham é a minha melhor decisão e, ao mesmo tempo, a minha maior interrogação. ​A Chegada e o Conflito ​Meu telefone vibrou. Na tela, o nome "Príncipe" piscava. ​— O que foi? Já está com saudades? — atendi, deixando no viva-voz. ​— Também — sua voz rouca soou do outro lado. — Mas trouxe o seu lanche. Desça, estou na portaria. ​— Já estou indo! — Desliguei e, para não perder tempo, vesti um casaco comprido preto dele por cima do pijama, calcei meus chinelos de pelinho e saí. ​No hall, o Sr. José, o porteiro, sorriu ao abrir o portão. Do outro lado da rua, a BMW preta de Mateo brilhava. ​— Não consegui sair sabendo que você estava passando fome — ele disse ao baixar o vidro, entregando-me o saco do McDonald’s e um milk-shake. ​— Boa noite, Felicity — disse, educadamente, forçando um sorriso. ​— Boa noite, Chanel — ela forçou o dobro, com aquele olhar de quem queria estar em qualquer lugar, menos ali. ​— Não demore, Mateo — avisei, já voltando para o prédio. ​[°°°] ​A noite seguiu, mas o sono veio inquieto. Acordei com o calor excessivo do verão de Seattle. Sem conseguir dormir, prendi o cabelo num r**o de cavalo alto e fui até a cozinha buscar água. ​— Que delícia — sussurrei quando o gelado desceu pela garganta. ​— Chanel? — a voz de Mateo ecoou na sala. ​Levei um susto ao vê-lo no sofá, ao lado de Felicity, que parecia visivelmente desgrenhada. ​— Eu não sabia que vocês já tinham chegado — falei, tentando manter a compostura. ​— Acabamos de chegar — explicou ele, com um olhar tenso. ​— Você sempre anda assim pelo apartamento que divide com um homem? — Felicity disparou, apontando para minha camisa de pijama. ​Senti meu rosto arder. Era uma mistura de vergonha e uma pontada de raiva. O apartamento era nosso, a i********e era nossa. Quem era ela para questionar o meu conforto dentro da minha própria casa? ​— Não, mas já estou voltando para o meu quarto. E, se eu fosse vocês, faria o mesmo. Este lugar não é um motel. ​Passei por eles e voltei para o meu santuário. ​— Estou levando a Felicity para casa — ouvi Mateo dizer, a voz firme, quase como uma ordem. ​— Tudo bem — respondi da cama, ouvindo o barulho das chaves e a porta sendo fechada. ​Enquanto tentava inutilmente voltar a dormir, refleti sobre o ocorrido. O peso do casaco dele que eu usara minutos antes ainda parecia aquecer meus ombros. O "Príncipe" tinha voltado para a sua rainha temporária, mas deixou o ar do apartamento carregado com a sua presença. Será que, em algum momento, o nosso "quase" se tornaria um "tudo"? Ou eu deveria apenas aceitar que, na história da nossa vida, eu sempre serei a melhor amiga que fica em casa, enquanto ele busca aventuras por aí? ​O relógio marcava quase três da manhã. Eu era Chanel Brook, uma garota de vinte e um anos, cheia de sonhos, em um apartamento em Seattle, dividindo a vida com o homem que eu conhecia desde sempre. E talvez, apenas talvez, o fato de eu sentir tanto ciúme da Felicity fosse apenas o sinal de que, entre as páginas da minha vida, Mateo nunca foi apenas um coadjuvante.

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