Ao voltar para a sala, eu ligo a televisão, e deixo um programa qualquer passar na mesma, já que quando estou em casa, eu não gosto de ter a tv desligada, pois passa a sensação de que não tem ninguém aqui.
- Me passa as coisas que vai no frízer. – Peço assim, que passo pelo muro que divide a sala, com a cozinha.
- Aqui? – Mateo pega a sacola, e me estende.
Abro o frízer, e começo a arrumar as coisas que compramos dentro dela, mais a minha língua está coçando, porque eu tenho que saber, o que está acontecendo com o Mateo.
- Mateo. – O chamo com quem não quer nada, e coloco mais uma lasanha no frízer.
- Sim, Chanel? – Ele pergunta, enquanto abre a parte de cima do armário, e começa a guarda as bolachas.
- Por que você terminou com a Juliana? – Eu ainda pergunto, fingindo fazer pouco caso. – Quer dizer, se você quiser terminar com a Felicity, eu até te entendo, o pouco tempo que passo com ela, é o suficiente, para me fazer arrancar os meus olhos, e ouvidos, mais a Juliana, é uma mulher maravilhosa.
- Realmente a Juliana, é uma boa mulher, mais eu acho que quero passar um tempo sozinho, ter um tempo somente para mim. – Ele me responde. – Quero saber como o seu mundo funciona?
- O meu mundo? – O pergunto, sem entender o que ele quer dizer.
- Isso, o seu mundo. Aquele que te faz passar a madrugada toda assistindo séries, o mundo onde você recusa pedidos para sair, e que troca os finais de semana de diversão, por livros, Netflix, e Fast Food. – Eu não sei se ele está falando sério, ou está brincando com a minha cara.
- A minha vida não é assim. – Resmungo alto para ele ouvir, e fecho a porta do frízer, enquanto olho para ele. – Eu saio, com as meninas, sexta passada mesmo, eu sai com Alice.
- E quando foi a última vez, que você saiu com meninos? – Ele pergunta, fechando a porta do armário.
- Você sabe, que eu saio com os meninos. – Digo me dando uma de desentendida.
- Reformulando a pergunta. – Ele estende a mão na minha direção, e eu entrego a sacola do mercado, onde ele junta as outras, e as guarda. – Quando foi a última vez, que você saiu, com um homem? Mais sem ser os nossos amigos.
- Eu...- Começo a falar, mais ele me interrompe.
- Eu sou homem, mais também não conto, para essa pergunta. – Ele avisa, com um sorrisinho de lado.
- Não sei quando foi a última vez. – Dou de ombro, e ando até me senta na bancada. – Ando muito ocupada, com a faculdade, e procurando um trabalho.
- Vou fingir que acredito nisso. – Ele ainda está com o sorriso debochado, brincando nos seus lábios. – Eu vou começa a fazer a nossa comida.
- Isso. – Concordo. – Vamos deixar a minha vida de lado, e vamos fazer a comida, pois estou com tanta fome, que sou capaz de te comer.
Só depois que eu terminei de falar, perceber que a mente conturbada do Mateo, pode levar isso para um lado malicioso.
- Não pensa besteira. – Mando fazendo cara feia.
[°°°]
Quando o Mateo terminou de fazer a comida, a comemos, e como hoje é o dia da precisa, puxamos o sofá da sala, e ali mesmo a gente deitou para assistir mais um filme da Marvel, escolhido por ele, já que eu prometi, que a televisão seria só dele hoje, eu não pude reclamar.
Eu me encontro deitada no ponta sofá, enquanto Mateo, está deitado atrás de mim, o seu braço direito, está em baixo da minha cabeça, sendo o meu travesseiro, e a sua mão esquerda, está fazendo carinho na minha cabeça, e isso está fazendo com que os meus olhos, comece a ficar cada vez mais pesados.
- Você quer me fazer dormir? – Pergunto ainda de costas para ele.
- Não. – Ouvi a risada na sua voz, e a sua mão, para de mexer no meu cabelo. – Mais se você quiser, eu posso parar com o carinho.
- Não, pode continuar. – Fala balando a minha cabeça, para que a sua mão, volte a fazer os movimentos, e assim ele volta a fazer o movimento no meu cabelo.
- Você se arrepende, de ter vindo morar aqui comigo? – Ele me pergunta de repente.
- Que pergunta é essa Mateo? – O pergunto, enquanto viro de frente para ele, e olhando nos seus olhos azuis. – Da onde veio isso?
- Eu só comecei a pensar sobre isso. – Ele dá de ombro. – Se você estivesse ainda morando com os seus pais, você não estaria brigando comigo no mercado, para ver quem paga, você estaria deitada em um sofá só seu, você não teria que se preocupar em achar um trabalho. Eu acho que se você estivesse ainda morando com os seus pais, a sua vida seria mais fácil.
- Pode ser mais fácil. – Concordo passando a minha mão, no seu cabelo, que insiste em ficar caído na sua testa. – Mais eu não teria a mesma liberdade que eu tenho aqui, e eu ainda seria totalmente dependente dos meus pais. Sem conta que já estava nos meus planos, sair daquela cidade, e fazer faculdade o mais longe possível de lá, e quando você decidiu sair de lá, você me deu uma direção para seguir. Então nunca pense que eu tomei essa escolha, só porque você saiu de lá.
- Você é tão boa. – Mateo tira a sua mão do meu cabelo, e o desce para o meu rosto, e começa a fazer carinho naquele lugar. – Estou feliz de ter você na minha vida.
- Mateo. – Levanto um pouco o meu corpo, e colo as nossas testas. – Eu vou estar na sua vida, até quando você quiser.
- Então eu quero você na minha vida, para sempre. – Ele passa o seu nariz no meu.
- Sempre é muito tempo. – Afasto o nosso rosto, e faço careta para ele. – Será que eu vou te suportar, por tanto tempo?
- Você vai. – Ele tira o seu braço de trás da minha cabeça, me deitada no sofá, e sobe em cima do meu corpo, para começar a fazer cocegas em mim. – E o seu dever me aturar, até ficarmos velhos.
Mateo e eu, temos uma boa amizade, mais tem horas que me pergunto: Será que é somente amizade mesmo?