onze

1457 Palavras
Desde o início, Claire sentiu que todos aqueles acontecimentos eram mais do que isso, sentia que viver dentro daquele ciclo infinito poderia lhe fazer perder por completo a sua sanidade. Para muitos, aquilo que se passava com a jovem aspirante, não era possível. Na verdade, se a mesma viesse a contar, seria facilmente considerada como louca, diriam que a mesma estava fora si, de forma parecida ao que aconteceu com Brenda antes de seus fatos e a possível prova serem apresentados. Para a de intensos olhos verdes,a relação que vinha estabelecendo com a mais velha era confusa, porém seus sentimentos estavam criando enormes expectativas quanto a isso. Não sabia como resolver essa questão, mas possuía noção do que poderia esperar, pois um problema ainda maior precisava de uma solução o quanto antes, e se não quisesse sentir a dor por vê–la perdendo a vida em seus braços mais uma vez, teria de pensar antes de agir. Até o momento, suas tentativas não pareciam boas o suficiente, mas tinha certeza de que a última daria certo, apenas não conseguia encontrar uma resposta plausível para o que aconteceu antes do fim. Afinal, como Gabriela ficou sabendo? Melhor ainda, como ela as procurou diretamente fora do prédio? Não poderia ser apenas uma simples e infeliz coincidência, não seria possível, não quando as câmeras acabaram sendo adulteradas desde que tudo começou. Toda vez que voltava ao início do dia, mesmo que algumas coisas sofressem mudanças irrelevantes, ninguém se lembrava dos fatos passados. Aqueles que não a conheciam, permaneciam dessa forma, precisando novamente que as apresentações fossem feitas. O fato de Gabriela parecer estar sempre um passo à frente, não fazia muito sentido. Na verdade, deixava a jovem estagiária em uma grande confusão. – Tchau mãe! Estou de saída – Esse era o seu marco, independente de tudo o que estava acontecendo, sempre se despediria de sua mãe, isso jamais sofreria mudanças consideráveis. Percebendo estar mantendo o mesmo horário da primeira vez, Claire respirou fundo. Manteria a normalidade enquanto fosse necessário, queria ter uma ideia do quanto os acontecimentos lógicos poderiam sofrer mudanças de acordo com a sua escolha de ações. E torcia para que não muitas, pois já havia planejado uma nova tática, precisava que tudo estivesse nos mínimos detalhes para poder dar certo. Para isso, iria ser necessário fazer com que Brenda a entendesse novamente, e dessa vez, de maneira rápida e sem o menor dos surtos. Não sabia o que estava procurando, ou se deveria realmente encontrar algo, mas por motivos que desconhecia, fez questão de revirar por completo cada pequeno espaço do porta luvas do seu carro, isso até encontrar uma pequena folha de papel dobrada ao meio com o nome da de olhos da cor de avelã ali. Buscando entender como aquele pedaço de papel foi parar dentro de seu automóvel, a jovem estudante se limitou a ler e reler com atenção tudo o que estava escrito na parte de dentro, para no fim, se dar conta do que precisava fazer com aquela pequena página de diário. – Bom dia Raquel? – Exibindo um breve sorriso, fez o comentário esperado para o momento antes de apenas seguir pelo corredor. Quando teve seu sono interrompido uma vez mais naquela manhã, a primeira coisa que se passou por sua cabeça, foi seguir exatamente com tudo aquilo que parecia ser programado. No entanto, suas convicções haviam se tornado outras quando tomou aquele pedaço de papel em suas mãos. Claire sabia que seguir com a normalidade não levaria a nada, mas estava disposta a seguir assim se houvesse a mínima oportunidade. Porém, uma nova ideia sobre o que poderia ser feito se fez presente em sua mente, e ela não pôde ignorar esse fato, iria fazer mais aquela tentativa, precisava arriscar. Dessa forma, antes mesmo de ir atrás de Brenda, o seu primeiro destino foi justamente a sala dos servidores na ala 5 do setor 12. Antes de explicar tudo o que estava acontecendo para a jovem cientista, queria estar um passo à frente de Gabriela ao menos uma vez. Em suas contas, aquela já se totalizava a quarta tentativa, mas nada a faria pensar de forma diferente. Aquilo já havia acontecido bem antes do que sua mente conseguia lhe apresentar, possuía essa certeza, mas não fazia ideia de como provar para si mesma que estava com a razão. Tendo feito tudo o que exerceu anteriormente, conseguiu desarmar o alarme e retirar a placa mãe com grande facilidade, mas não a levando junto a si. Dessa vez, seus planos eram diferentes, ainda tinha em mente que a destruição de tudo aquilo era o melhor, mas por algum motivo, não era a ideia de Brenda. Percebeu isso diante a ação passada, quando a cientista deixou claro o quanto queria manter os arquivos daquela placa a salvo, longe de mãos inimigas. E se era o que a morena de sorriso hipnotizante queria, seria exatamente isso o que faria. Estava apaixonada e não poderia mais negar, estava disposta a quase tudo para saber até onde esse seu interesse sobre a mais velha iria levá–la. E bem lá no fundo, sentia que seus sentimentos poderiam ser devolvidos na mesma proporção, sentia que toda vez em que era obrigada a reviver o dia, Brenda a olhava da mesma forma, como se confiasse o mundo em suas mãos. Não conseguia esquecer o rápido selar de lábios ocorrido na segunda vez em que voltou, e esse acontecimento era um dos principais motivos para que a sensação de reciprocidade tivesse sido estabelecida dentro de si. Nunca pensou que entenderia tão a fundo o que Henry Roth passou durante todo o enredo da trama " Como se fosse a primeira vez ". Olhar para a sua atual situação, era praticamente se colocar no lugar do personagem de Adam Sandler perante aquele filme que agradou meio mundo em sua época. Claire nutria uma pequena paixão pelos clássicos escritos até o ano de 2019, adorava as narrativas daquele ano, mas nunca se imaginou vivendo algo parecido em pleno presente. Não possuía as pequenas cargas explosivas usadas antes, mas sabia muito bem o que fazer para causar um curto circuito irreparável dentro de um tempo determinado, e foi exatamente o que tratou de fazer para que enfim pudesse seguir atrás da jovem cientista que se mantinha atenta a tudo que fazia até o momento. Pois apesar de não concordar com metade do que era desenvolvido dentro daquele laboratório, não poderia levantar suspeitas sobre suas ações. Possuía uma ideia básica de até onde Gabriela seria capaz de levar os seus objetivos, e não estava disposta a concretizar tudo aquilo que era formado por sua mente. Surpresa por ter o trabalho interrompido justamente por quem parecia a manter sob uma constante vigia, apenas acenou positivamente para o que lhe foi dito, vendo Damon apenas respirar fundo antes de lhe dar as costas e ir atrás de seus próprios afazeres. – Gregori, pode terminar essas revisões aqui, por favor? – Chamou o amigo, que prontamente se colocou ao seu lado para se atualizar sobre o que precisava ser feito exatamente – Não é nada complexo, só precisa se certificar de que esses gráficos se alinhem aos da projeção, preciso resolver algo. – Pela cara do Damon, parece que alguém decidiu importunar – Sorrindo largo, o homem disse fazendo a amiga negar instantaneamente ao lhe dar as costas já seguindo para a saída – Ao menos me conta do que se trata depois? – Tentou, mas Brenda se limitou ao silêncio, não daria ainda mais assunto para o adulto de mente adolescente, com o qual mantinha uma bela e saudável amizade, desde que Gabriela não fosse integrada a algum de seus assuntos, pois suas opiniões sobre a mulher, não poderiam ser tão diferentes. Brenda não fazia ideia de quem poderia estar a sua procura, mas um sentimento um tanto estranho a tomava por completo. Não um sentimento r**m, porém uma sensação de conhecimento, como se já soubesse quem poderia ser a pessoa do lado de fora daquela porta, o que apenas se fez aumentar ao deixar o laboratório e percorrer o olhar sobre a jovem impaciente, agora, a sua frente. Sua análise foi rápida, e não soube explicar todo aquele arrepio que percorreu a sua espinha ao ter seu olhar se encontrando com a tonalidade escura dos verdes sobre si, deixando claro que não foi a única com sentimentos indecifráveis, pois não entendeu o sorriso recebido. No entanto, se limitou a retribuir, possuía dentro de si, a certeza de que aquele olhar não lhe era estranho, o conhecia tão bem quanto aquele sorriso, mas apesar do grande esforço, não conseguia ter uma lembrança de onde, como ou quando, apenas sabia que o conhecia.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR