Para alcançar um ponto diferente daquele que foi obrigada a viver três vezes seguidas, Claire tinha para si, que as mudanças seriam essenciais. A certeza de que seguir caminhos diferentes de todos os passados seria a solução, foi o que a fez ignorar a sala de Gabriela quando chegou, seguindo diretamente para a sala de servidores.
Poderia ter se dirigido para o laboratório do setor 17, mas já havia feito esse trajeto em uma ação anterior, e não poderia repetí–la. Dessa forma, após sabotar por completo o sistema do servidor principal e manter a placa mãe muito bem escondida, decidiu enfim se encaminhar para o ponto que tanto almejava. Mas ainda procurando manter toda uma diferença, não se apresentou como um novo m****o da equipe de novatos do projeto, não pretendia adentrar aquele laboratório.
– Posso ajudar em alguma coisa? – O tom de Damon seria sempre grosseiro, até quando o mesmo não queria assim. Ele não parecia ser um homem tão dotado de bons modos, ao menos não em relação a sua vida profissional. Aos olhos de Claire, ele demonstrava ser alguém muito arrogante, prepotente ao extremo, e diante suas ações em nome de Gabriela, um magnífico faz tudo.
– Claro, gostaria de falar com a Dra Ernandez – Jogou de forma simples e direta, não buscando pela enrolação, pois sentia que poderia não ter tempo o suficiente para isso.
Desde o início desse complicado jogo de xadrez, era tudo o que Brenda parecia querer colocar em sua mente. Não entendia o porquê, pois até onde entendia, poderia deixar uma brecha passar, para assim, tentar concluí–la no dia seguinte. Ao menos isso é o que sua mente projetava e guardava para si, mas por motivos desconhecidos,não parecia ser essa a verdadeira realidade de tal questão.
– Poderá fazer isso em seu horário de almoço, no momento ela se encontra muito ocupada – A forma como jogou a resposta para o pedido da jovem, fez parecer que a mesma não tinha ciência de seus próprios atos, que não saberia quando estivesse agindo de modo inconveniente. Porém, ela não se importava com a opinião de ninguém, sabia muito bem o que podia ou não fazer, e não seria intimidada por alguém como o homem bem estruturado em sua frente.
– Conheço muito bem as normas desse lugar, e não estaria aqui se não fosse algo muito importante. Preciso falar com ela o quanto antes – Diante sua insistência,Damon havia se dado conta de que não adiantaria tentar uma negação perante a jovem na frente dos seus olhos, ela não desistiria, e buscou deixar clara essa perspectiva ao seu olhar. Não saberia como, nem mesmo o porquê, mas tais ações o lembrava de algo, o lembrava de alguém. Alguém que o mesmo não conseguia obter uma lembrança, mas possuía uma pequena história no passado distante, que merecia ser relatada.
Deixando claro o seu enorme descontentamento, o homem de porte alto e aparência jovem, soltou um longo suspiro antes de sussurrar algo praticamente inaudível já se virando para voltar ao lado de dentro do laboratório.
Havia ficado claro que seu pedido viria a ser acatado, mesmo que a contra gosto. Dessa forma, Claire não poderia fazer mais nada a não ser esperar, e esperar um pouco mais, pois a passagem de tempo não parecia estar ao seu favor, longe disso. Seus passos caminhando de um lado para o outro repetidas vezes, seriam capazes de fixar todo o mínimo trajeto ali estabelecido. Essa inquietação, era sinal de que sua ansiedade estava se unindo a impaciência, a deixando levemente agitada, precisando se controlar a qualquer custo. Por esse motivo, se manteve de costas para a porta de entrada do laboratório enquanto fazia o impossível para controlar sua respiração juntamente a falta de ar que ameaça a tomar conta. Porém, ao se virar e segurar o olhar da jovem cientista com o seu, todo o m*l estar que sentia, simplesmente desapareceu, dando lugar a uma sensação de conforto, lhe arrancando o mais sincero dos sorrisos. Havia se apaixonado tão intensamente, que não conseguia nem mesmo manter tal sentimento escondido da forma que talvez devesse. A noção de que esse tipo de sentimento poderia vir a prejudicar toda a operação, estava presente em sua mente. Não poderia arriscar o sucesso do trabalho por causa dos seus sentimentos, que apesar das chances mínimas, poderiam nunca serem retribuídos.
– Eu conheço você? – Foi essa a primeira questão a sair por entre oslábiosde Brenda, pois estava curiosa em saber o nome da moça.
– Certamente sim, só não sei dizer a quanto tempo – Sorriu com a própria resposta, ao se colocar para analisar a movimentação de ambos os lados dos corredores. Não esperava por esse acontecimento, não se lembrava de nada parecido, e não era mesmo para isso acontecer, até porque seus atuais movimentos se diferenciavam por completo de todos os anteriores – Não sei no que está pensando, mas já vou te explicar tudo, apenas vem comigo. Precisamos sair daqui, ir para um lugar diferente.
– Se ainda me lembro bem dos ensinamentos dos meus pais, não devo sair por aí andando com pessoas desconhecidas – Deveria ser algo sério, porém a jovem cientista jogou seu comentário de forma solene, divertida até. Dessa forma, Claire se limitou a manter o sorriso ao tomar sua mão e guiá–la na direção alternativa para a saída do prédio, ação que deixou a mais velha atenta com seus passos. Não entendia o que se passava consigo mesma, e apesar de julgar a jovem como alguém confiável, não poderia ser tão descuidada a este ponto, precisava se certificar de que não corria riscos tão elevados – Ainda não me disse o seu nome, muito menos o que quer comigo, e sem dúvidas, me arrastar para fora do prédio não está te deixando sobre bons lençóis.
– Nada do que eu tenha para dizer, irá te convencer tão bem quanto você mesma – Foram suas únicas palavras antes de estender na direção da cientista, o pedaço de papel contendo a sua própria caligrafia.
O entendimento não era algo cabível para si no momento, porém Brenda se colocou a analisar cada parte daquela pequena página, que facilmente se alinhava a sua agenda pessoal.
Nem mesmo em um milhão de anos, saberia como explicar os motivos para aquele pedaço de papel em questão estivesse sob a posse de alguém que sequer conhecia de verdade. Muito menos como sua caligrafia registrava acontecimentos improváveis, que possivelmente deveriam ter acontecido no dia anterior, pela forma como foram relatados. Porém, a insistência perante ao que era contado, mostrava que tudo havia acontecido naquele mesmo dia, em ocasiões diferentes, mas ainda sim, era loucura demais para assimilar.
Seus passos, antes calmos, ao longo do quarteirão do Instituto, foram impedidos por si mesma ao encerrar aquela pequena leitura. De alguma forma, queria acreditar em tudo aquilo, acreditar que conhecia a jovem a pequenos passos a sua frente, queria que estar louca não fosse uma opção para o momento, que seus sentimentos por aquela menina mulher não parecessem tão impulsivos, tão novos, tão estranhos. Queria que se sentir emocionalmente atraída pela jovem estagiária não fosse tão errado para um primeiro encontro, que no fim, não era apenas isso. Mas se viu na obrigação de aceitar todos os pontos quando teve sua atenção roubada pelo atrevimento da jovem ao levar a mão até seu bolso retirando um pequeno controle remoto, que mais se assemelhava ao comandante de um som automotivo do ano de 2017.
Era o seu projeto mais detalhado, o que mais lhe agradava, e o vendo sob o poder da jovem Novak, não podia acreditar que havia mesmo funcionado.
– Tudo isso – Sua voz não parecia estar disposta a sair com tamanha facilidade, mas precisava de um esforço, precisava que a emoção não fosse um obstáculo – Se tudo isso se submete à verdade, porque estamos aqui fora, e não lá dentro indo em busca daquilo que nos colocou nessa posição?
– Porque até o momento, nada do que tentamos deu muito certo. Duas das vezes, nem mesmo chegamos ao servidor principal. Toda vez acabamos em um mesmo final, e não quero alcançá–lo novamente. Por isso, o que precisava ser feito já está em andamento – Suas palavras foram simples, porém o detalhamento ainda estava vir, mas não ali, precisava se afastar, precisavam de um lugar seguro, onde ninguém as procuraria tão cedo – Em algum momento durante o horário do almoço, eles se darão conta de que algo não está na ordem de sempre, perceberam que algo muito errado está acontecendo, e com isso, a energia será cortada devido a pane causada nos sistemas. Após uma rápida verificação sobre todas as equipes do prédio, notaram a nossa ausência, deixando claro que fosse o que tivesse ocorrido, teria facilmente uma ligação com o nosso súbito desaparecimento. Por isso não podemos perder mais tempo, temos de sair das ruas o quanto antes ou seremos pegas, e se isso acontecer, não teremos chances.