catorze

1660 Palavras
A questão jogada pela cientista, não surpreendia em nada a mais nova, havia entendido o jogo, e faria o possível para permanecer nele. Em nenhum momento durante toda aquela conversa, pensaram que fossem ser obrigadas a ter de suportar a ameaça causada pela presença da chefe em um ambiente tão informal quanto aquele. Mas para a jovem aspirante, o local onde se encontravam não mudaria em nada as convicções e ações da mulher à sua frente. Seu poder era alto, e com isso, poderia muito bem colocar fogo no juíz em um dia e sair em férias para o Novo México no dia seguinte. Com os contatos certos, nem mesmo seria acusada. Mas o que de fato importava naquele exato momento, era descobrir como iriam conseguir sair daquele ultimato com vida, pois era óbvio o que as duas pessoas nada humoradas a sua frente desejavam, não era preciso ser um gênio para saber isso, não depois dos resultados passados. – Por favor Dra Ernandez, não dificulte as coisas. Sabemos que tem se metido em assuntos que não lhe dizem respeito, e claro, as afrontas contra o meu irmão não são uma boa ideia – A jogada de Gabriela foi perfeita, usar Gregori como um de seus argumentos desestabilizou a jovem cientista, e isso ficou visível para todos ali, o que resultou em um irônico e satisfatório sorriso estampado nos lábios da atual presidente dos negócios Mendes, a diretora do projeto Runaways – O que se passou pela sua mente brilhante quando decidiu começar a sabotar todo o andamento do projeto? – Eu sinceramente não faço ideia do que possa estar falando, srta Mendes – Era esse o seu jogo, se manter firme na defensiva, dar tempo para que tudo pudesse ser resolvido, ou que algo parecido viesse a acontecer. Conhecia os pontos, e não estava afim de cede–los tão facilmente, pois antes de deixar um poder dessa magnitude nas mãos de alguém como a cientista chefe, preferiria perder a vida. E m*l sabia que para a jovem aspirante, ver tal cena já estava começando a se tornar um peso muito grande, mais do que a própria seria algum dia capaz de admitir. – srta Novak, imagino que hoje deveria ter sido o seu primeiro dia dentro de uma nova área estabelecida, estou certa? – Claire não possuía ideia do que dizer, estava focada em tudo, menos no assunto presente a sua frente, e por esse motivo se prontificou a apenas assentir. Estava pensando, buscando uma forma de sair dali sem muitos problemas, e talvez estivesse tendo êxito quanto a isso, mas não diria em voz alta, talvez fosse melhor nem mesmo se pronunciar. Se possuíam a ligação que seus sentimentos gritavam que sim, a dona dos olhos de avelã a entenderia sem precisar do uso das palavras – Se ainda me lembro bem, havia solicitado a sua presença para lhe informar o seu novo posto, porém você não apareceu. Poderia me dizer o porquê? – Não possuo um porquê específico, apenas julguei ser algo inoportuno, além de estar um pouco atrasada – Tentou manter a simplicidade de sempre em sua resposta, porém não seria assim tão fácil. – Atrasada – Repetindo a última palavra de sua frase, Gabriela tomou para si uma Beretta 22, o que se difería radicalmente da 9mm usada em todas as vezes anteriores a essa, e talvez não fosse algo possível, mas a mulher de olhar firme e rudemente severos, pareceu conseguir sentir o seu nervosismo ao ter tal arma em sua mão, e a mantendo engatilhada, deixou que seu melhor faz tudo tomasse conta das ações da cientista, enquanto a mesma, se manteria encarregada da jovem estagiária – Até onde eu sei srta Novak, você é uma modelo em relação aos horários, sempre muito pontual. E hoje não foi diferente, segundo a portaria. No entanto, não pude contar com a sua presença em minha sala, tão pouco se dirigiu diretamente para a sua área de trabalho, o que levanta duas questões muito interessantes. Onde a primeira, se baseia em seu súbito saber, pois em nenhum momento foi dito o setor, ou a ala em que você continuaria com o seu estágio, e mesmo assim, você apareceu por lá, à procura de alguém que sequer conhecia, mas sabia o nome. A segunda questão, deixa em aberto onde você se manteve durante a uma hora e meia de intervalo entre a sua chegada ao Instituto, e o seu curto diálogo com o meu querido Damon – A jovem aspirante jamais havia se sentido daquela forma, mas pela primeira vez na vida, estava encurralada e não fazia ideia de como sairia dali. As especificações da mulher atrás de si, foram perfeitas, detalhadas ao extremo. E dessa forma, não poderia ceder qualquer resposta, então optou pelo que estivesse mais próximo a verdade, mas que não fosse as prejudicar, era apenas para ganhar tempo – Por favor, Claire, me esclareça onde se manteve durante este período, e como sabia para onde seguir sem receber nenhuma coordenada quanto a isso? – Não estava me sentindo muito bem, precisava resolver alguns problemas o quanto antes, por isso não passei em sua sala, segui diretamente para o vestiário pois é onde mantenho o meu medicamento para esses momentos. Se não estou errada, os mesmos são citados em minha ficha – Usando de benefícios verídicos, a jovem estagiária confessou algo que alarmou a cientista ao seu lado. Não era a sua intenção, porém não poderia fugir de toda a verdade se quisesse manter os Srs armados fora da linha correta – Não foi tão rápido quanto eu gostaria, mas assim que consegui me recompor, voltei aos corredores e seguir para tal área. Não sabia que seria o meu novo local de funcionamento, tanto que nem mesmo me apresentei dessa forma, queria apenas um tempo com alguém que tem se tornado importante pra mim, e sabia onde encontrá–la, até porque a mesma me disse em nosso primeiro encontro há quase uma semana – Suas palavras foram verdadeiras ao extremo, fazendo o coração da jovem cientista se acelerar com tudo o que foi dito, mas seus olhares nunca se encontrando. Estava nervosa, temendo que tivesse dito algo inapropriado para o que seus sentimentos realmente buscavam. A incerteza de que a dona dos belos olhos de avelã não a acharia uma pessoa direta, que a jovem cientista não viesse perder todo o interesse demonstrado momentos atrás. – Está tentando me dizer que suas ações foram todas obras do acaso? – Não estou tentando dizer nada srta Mendes, são apenas os fatos falando por mim, nada mais além disso. Não sei o que lhe trouxe aqui, mas garanto que é o motivo errado – A todo momento, a firmeza em suas falas era de impressionar. Se antes estava nervosa, agora esse nervosismo não existia mais, havia dado lugar a segurança de sempre, a qual lhe caía muito bem, e de certo modo, pelo enorme sorriso exibido, agradou a morena de grande autoridade regional. – Certo, vocês estão com este ponto ganho, mas tomem bastante cuidado para não perdê–lo. Vamos embora Damon – Deixando claro o seu aviso, devolveu a arma que portava para o lugar dela, e então deixou o apartamento da jovem cientista com o homem em seu encalço, mas não se dando por vencida. Algo na jovem aspirante chamava bruscamente a sua atenção, e queria muito entender o porquê, principalmente por essa ter sido a sua maior motivação para integrá-la a equipe de seu maior projeto em anos. E pensando nisso, achou que valeria a pena se manter ali, esperar pelo momento em que a jovem deixaria o prédio para seguir até sua casa. – O que você disse a ela, sobre os seus medicamentos – Brenda não sabia muito bem como abordar o assunto, mas sentiu que precisava entender, ainda mais parecendo já conhecer tanto da garota ali presente – Era mesmo real? – São sim – Sorriu ao dizer, se sentando novamente sobre o sofá com a cientista logo ao seu lado, não escondendo uma pequena preocupação com tudo – Me ajudam a não surtar, a manter a minha alta eficiência nos estudos e no trabalho. Foram receitados há algum tempo, quando eu... – Estava no início de sua adolescência – Ao ter completado a fala da de olhos verdes, se deu conta do que aconteceu, de como pequenos lapsos memoriais se fizeram presentes por breves segundos, o que jogava no ar uma questão um tanto perigosa – Se lembra de ter me contado isso em algum momento durante esses três dias passados? – Em nenhum momento falamos de mim ou de você, o foco sempre foi destruir até mesmo a ideia desse projeto i****a – Confessou não entendendo tudo aquilo, afinal, era algo novo, não estava em seu script atual – Como você sabia disso? – Esse seu problema... – Não, esquece ele – Interrompeu de forma rude, mesmo que involuntariamente, mas não se arrependia, queria poder entender aquele novo caminho a ser seguido – Só me fala como sabia disso, nada mais. – Não erramos em nada, estamos mesmo presas nesse triângulo a mais tempo do que conseguimos nos lembrar. O que não é tão r**m, pois minhas ações não farão de mim alguém tão imprudente assim – Suas palavras foram simples, verdadeiras, da mesma forma como seu sorriso maroto. Se sentiu livre de suas próprias algemas ao se dar conta desse fato, e ter enfim algo em mente para lhe ajudar, mesmo que fossem pequenos flashes, era uma vitória. – Eu com certeza não estou te entendendo, mas ainda quero poder ao menos compreender ao que se refer... – Tomando enfim a atitude que vinha a dominando desde o momento em que deixou seu quarto longas horas atrás, se inclinou sobre a jovem estagiária tomando seus lábios para si, a impedindo de prosseguir com aquilo que sentiria enorme prazer em explicar um pouco mais tarde.
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