quinze

2114 Palavras
Se momentos mais cedo o horário parecia voar como se não houvesse um amanhã, a pouco mais de uma hora e meia, esse mesmo feito havia se invertido, pois o andar do relógio sobre o criado mudo ao lado da cama que ocupavam, se arrastava de forma lenta, deixando claro que não era de seu interesse alcançar o tão esperado badalar da meia noite, que significaria o fim de um dia para o início de um novo. Nenhuma das duas jovens mulheres ali presentes, tinham noção do que as esperaria quando o calendário virasse, mas esperavam poder encerrar tudo o que começaram o mais rápido possível, dessa vez, se lembrando de quem eram, pois caminhando pela lógica do projeto da cientista, ao bater zero horas naquele relógio, seria esse o momento mínimo em que poderiam retroceder, nem um segundo antes disso, não importando onde, ou com quem estivessem, iriam sempre voltar para o exato momento em que se encontravam despertas depois da meia noite. – O que acabamos de fazer, indo pela teoria, e com base naquilo que mantenho comigo como meus princípios, foi uma completa loucura, pois nos conhecemos a menos de 24 horas, e isso não deveria ter ocorrido –a de olhos verdes comentou expressando seu ponto enquanto traçava uma pequena linha imaginária pelo abdômen muito bem definido da jovem cientista, sem se afastar um centímetro quadrado que fosse do aconchego oferecido pelo peito da mesma, que lhe parecia um perfeito e macio travesseiro. Poderia adormecer ali sem o menor dos problemas devido ao leve e carinhoso cafuné que lhe era proporcionado de forma solene. Nunca havia pensado que algum dia poderia se sentir tão bem dentro dos braços de alguém, mas a vida era uma constante mudança repleta de surpresas, não é mesmo? – A minha concepção é um pouco diferente, pois eu também possuo certos princípios a serem seguidos, e entre eles, ir parar na cama com alguém que acabei de conhecer, não se encaixa na lista. Porém, buscando base nas teorias postas sobre a mesa, estamos certas de que nada é o que parece ser, e apesar de não nos lembrarmos de tudo com detalhes, ficou claro que nos conhecemos a um tempo relativamente longo, só não conseguimos expressar o quanto – Sorriu largo encerrando sua contra resposta, ao receber o olhar curioso e um breve sorriso da jovem estagiária – Dessa forma, não fizemos nada de errado, muito menos algo que vá contra os princípios ensinados pelos nossos pais. Estava afim disso tanto quanto você, e não me arrependo de nada. Mas e você, se arrepende de algo que acabamos de fazer? – Não vejo dessa forma, pois estou nutrindo sentimentos que não faço noção de como proceder a respeito, mas estar ao seu lado era um deles. Me preocupo contigo desde o primeiro momento que consigo me lembrar, e agora, finalmente pude entender o porquê – As palavras usadas pela jovem de olhos verdes, acertou de forma avassaladora a cientista, deixando claro que ela não era a única a estar perdidamente apaixonada por alguém que poderia não se lembrar quando acordasse caso algo do que foi planejado não saísse da forma como desejavam, e somente ela sabia como essa mínima possibilidade a destruía por dentro. Estar com aquela jovem moça, havia se tornado uma necessidade, e não poderia manter isso em segredo. Percebeu o leve interesse da atual chefe sobre a morena de olhos marítimos, e mesmo que tenha conseguido não se demonstrar afetada com tal ação, sentia que aquilo poderia servir de estopim para algo grande, principalmente quando a jovem aspirante se afastou de seu corpo, deixando que uma brisa gelada ocupasse todo o espaço que era tomado pelo seu calor. – O que está fazendo? – Sua questão saiu de forma curiosa, e ao mesmo tempo preocupada, pois a jovem nada disse, apenas foi em busca de suas roupas, as quais rapidamente cobriam por completo o seu corpo, momentos antes, nu – Claire, eu fiz uma pergunta, o que está fazendo? – Diante o silêncio recebido, se viu obrigada a repetir tal questão, dessa vez, também indo atrás de algo para se vestir, uma vez que voltar para a cama, não era mais algo planejado para o momento. – Eu preciso ir para casa, já estou atrasada o suficiente, e não posso demorar mais – Explicou deixando seu olhar cair sobre o relógio que marcava pouco mais de 23 horas, deixando claro que em alguns minutos, poderiam cair em sono profundo, para despertar horas depois, pensando em como prosseguir com o andamento de tudo o que haviam planejado até o momento. – Fica aqui, espera ao menos virarmos a noite – O pedido da morena de olhos tão claros quanto os seus, era algo tentador, porém não ao seu alcance. Poderia ser dona de si há alguns poucos anos, mas sempre deveria ter um enorme respeito pela mãe, o que incluía, não deixá-la preocupada com seus desaparecimentos sem prévio aviso. Torcia para que a resolução de seus problemas estivessem andando no caminho correto, que aquela virada de dia viesse acontecer de forma simples como sempre deveria ser, de forma natural. – Não posso Brenda, minha mãe deve estar muito preocupada comigo, pois não a deixei sobreaviso em relação a esse enorme atraso, e devo muito a ela, inclusive estar aqui essa noite – O modo como falava sobre a mãe, deixava claro o enorme carinho que sentia pela Novak mais velha, o que não passou despercebido pela jovem cientista, entendia o seu lado, e não seria ela a se colocar entre mãe e filha, sabia de como esse laço seria sempre importante. Sentia falta de momentos parecidos, mas se conformava com a ideia de que a Sra Ernandez estaria em um lugar muito melhor, olhando por ela de forma simples, a colocando sempre no caminho correto – Vejo você pela manhã, e com sorte, poderemos acabar com tudo isso. Sabendo que não poderia ir contra a decisão da mais nova, a jovem cientista se limitou a assentir e soltar um longo suspiro, tudo isso enquanto seguia até o andar térreo ao lado de quem lhe roubava a sanidade. Poderia não obter uma recordação muito plena sobre todos os acontecimentos até o momento, mas estava certa de que não reclamaria se todas as vezes fosse empurrada na direção da de olhos esverdeados, pois tinha certeza de que sempre manteria aceso dentro de si, aquele sincero sentimento de conhecimento, aquela profunda paixão. De todas as coisas, era essa a que realmente importava para ambas, se lembrar uma da outra. Apesar de todos os fatos mostrarem que jamais encontraria aquilo que procurava sob o poder de uma das duas jovens, Gabriela optou por esperar, por ficar presa em um posto enquanto esperava o momento certo para agir. Algo dentro de si lhe dizia que ambas estavam mentindo, e mesmo tendo essa certeza, escolheu jogar de forma limpa em relação a jovem aspirante. Havia apenas um motivo para ter a enviado junto de sua nova equipe, o que a fez se sentir muito m*l ao vê–la no apartamento de sua melhor cientista. Seu interesse sobre a de olhos verdes, seria notável para meio mundo, porém, antes de ceder aos próprios caprichos, precisava garantir o progresso e sucesso do seu projeto. Não queria que fosse algo necessário, mas estava disposta a tudo para recuperar os códigos escritos na placa dos servidores principais, pois sem eles, as chances de obter aquilo que tanto almejava, caíram consideravelmente. Diante disso, deixou de prontidão, um de seus melhores espiões, pois precisava obter a certeza antes de agir, ou correria grandes chances de não conseguir se manter no auge perante a fraca justiça do seu país. Estava por optar pela desistência ao notar que se aproximavam da virada da noite. No fim, se deu conta de que os argumentos da jovem aspirante, eram mais do que verídicos, e sendo assim, passaria a noite no apartamento da brilhante cientista. Contudo, não negou a surpresa ao receber o toque de que estavam deixando o elevador no andar térreo, então pediu para que uma sondagem fosse feita, pois queria saber nos mínimos detalhes tudo o que poderia estar sendo relatado entre as duas jovens. – Acha que vamos mesmo conseguir por fim nessa bagunça toda? – O áudio ouvido não era dos melhores, mas havia a certeza de que tal pergunta partia da morena de pele ávida e olhos tão verdes quanto as florestas em seu auge máximo. – Acredito que sim, pois estamos enfim um passo à frente, e ao que parece, o universo decidiu sorrir pra gente – Poderia não ser o suficiente para provar o que buscava, mas Gabriela havia chegado ao seu limite, e o complemento da cientista não serviu de grande ajuda – Queria lhe agradecer pelos acontecimentos dessa noite, significou muito te ter ao meu lado durante todo esse tempo – Em resposta ao que lhe foi dito, a de esmeraldas brilhantes, apenas se aconchegou no abraço oferecido pela mais velha, aproveitando ao máximo o seu toque, deixando evidente o quanto se sentia bem dentro daquele abraço. – Por um momento, achei mesmo que estivessem sendo sinceras, mas confesso não ter me surpreendido a ponto de não saber como agir – Ouvindo tal voz, a primeira ação vinda da parte da jovem cientista, foi tomar a frente, deixando a mais nova sob uma intensa p******o. Faria o impossível para manter a estudante em segurança – Onde está a placa principal dos servidores do instituto? – Não sabemos do que está falando – A voz da morena mais velha soou firme, e no mesmo instante caiu de joelhos ao chão recebendo um único disparo contra seu abdômen. Era meio óbvio que órgãos internos haviam sido atingidos, pois a dor era latente, e fazer pressão contra o ferimento não era o suficiente. – Resposta errada, Dra Ernandez – Seu deboche preenchia todo o tom de sua voz. Sua expressão gélida, parecia assustadora ao se colocar a altura da cientista, que levou seu olhar ao único ponto que lhe importava – Me dará a resposta que procuro? – A ironia parecia melodias para si própria, mas a visão das mais novas era completamente oposto – Não? Tudo bem, veremos até onde o seu silêncio irá quando for quem ama em tal posição – Deixou em aberto se colocando de pé,e parando de frente para a jovem estagiária que se encontrava segura pelo firme aperto de Damon. Seu olhar tomado pela umidade, fixado sob a cientista que começava a sentir mais do que estaria disposta a demonstrar – Qual a sua resposta, srta Novak? – Não sei do que está falando – Repetiu a fala da de olhos da cor de avelã, que fazia até mesmo o impossível para se manter acordada. A única coisa que Claire queria no momento, era poder lhe ceder apoio. – Tic tac, srta Novak – Ao ouvir isso, rapidamente o olhar da jovem estagiária caiu sobre o relógio que levava em seu pulso, percebendo que faltava apenas sete minutos para as horas zerarem, e diante disso, sabia que precisava agir o mais rápido possível, o tempo para salvar a vida de quem amava era curto. Então precisava jogar de forma sábia, ou não conseguiria alcançar nenhum dos pontos pretendidos – Me diz o que preciso saber, e estará livre para ajudá-la. – Não diz nada – Com a dor transparecendo em sua voz, Brenda pediu. Mas vê–la morrer sem fazer nada a respeito, não era uma opção para a de olhos verdes. Desse jeito, havia apenas uma coisa a se fazer. Não estava com o pequeno controle remoto em seu poder, pois esperava virar aquela noite sem problemas, então precisava ir urgentemente atrás do mesmo, pois o relógio marcava apenas cinco minutos, e não parava de cair. – No apartamento, deixei escondido no apartamento – Jogou rapidamente a resposta, e lamentou o olhar que recebeu da jovem cientista, mas era o certo a se fazer. Dessa forma, Gabriela apenas deu sinal para que Damon a acompanhasse até o local mencionado, e não demorou para que já estivessem vasculhando pontos estratégicos dentro do espaço. – Vamos logo com isso, a minha paciência é curta – O homem tratou de apressá–la, não entendendo o porquê de a mesma aparecer em sua frente sem nada em suas mãos, a não ser um pequeno objeto – O que acha que está fazendo garota? Onde está o que procuramos? – Em algum lugar dentro do prédio do Instituto – Confessou a verdade ao checar os últimos segundos daquele dia antes de teclar uma vez mais aquele pequeno botão.
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