nove

1709 Palavras
Seus pensamentos voavam para o longe naquele momento, vagando por todos os possíveis fatos que a jogaram naquela interminável linha do infinito. Talvez estivesse passando por isso há muito mais tempo do que conseguia se lembrar, talvez fosse seu dever conseguir resolver a questão que a morena de olhos tão claros quanto os seus tanto almejava. Brenda. Não podia deixar de pensar na mais velha como alguém especial, como alguém que a mesma precisava proteger, garantir a sua segurança acima de qualquer coisa. Indo por pontos de logística, não deveria sentir pela mulher tudo o que se passava dentro de si. Afinal, iriam se conhecer em poucos minutos. Quer dizer, ela própria se lembra de conhecer Brenda a exatos dois dias, mas como explicar esse ponto à jovem cientista? Como explicar que estava se apaixonando, se para a mesma, estaria terminando de lhe conhecer? Seria loucura, estava certa disso, mas apostaria no risco, se isso fosse ajudar a não caminhar diretamente para o maldito setor subterrâneo, apostaria duas vezes sobre o risco. – Posso ajudar em alguma coisa? – Já estava esperando que Damon fosse o responsável por barra-lá na porta de entrada, porém, a sua frase juntamente ao tom usado, eram novidade. O sorriso permanecia sendo algo inexistente, porém, a grosseria não gritou mais alto dessa vez. A jovem aspirante agradeceu mentalmente por isso, e diante o longo suspiro do homem a frente do seu olhar, percebeu que precisava lhe dar logo uma resposta. – Fui designada para a nova equipe do que fazem nesse setor – Poderia muito bem ter anunciado o projeto Runaways. No entanto, essa não seria uma ideia tão brilhante assim. Necessitava que alguém de dentro lhe cedesse tais explicações ou se colocaria sob suspeita, e isso não parecia ser algo essencial para o momento. Seus problemas já eram grandes o suficiente, não havia motivos para vir a aumentá-los ainda mais – Sou a estagiária, Claire Novak – Diante seu complemento, Damon apenas assentiu fazendo sua breve checagem, lhe cedendo passagem em seguida. Não estranhou a ausência de Brenda no pequeno interrogatório frente a porta. Afinal, estava atrasada tempo o suficiente para que até mesmo o chamado por Damon já tivesse ocorrido. Ou seja, muito havia mudado, mesmo que de forma sutil. – Espere aqui, irei pedir para alguém vir te atualizar sobre todo o andamento das nossas pesquisas – Usando de um tom singelo e acolhedor, Damon lhe deu as costas para ir atrás de quem estava falando, algo que não levaria muito tempo. Suas ações e falas, fugiam completamente de tudo o que Claire se permitiu estudar até o momento. Essa versão do grande homem, a confundia mais do que gostaria de admitir. Porém, nada acontece por acaso, tudo possui um propósito já definido, e mais a frente, esse conhecimento se faria presente em meio a linha de raciocínio lógico da jovem estagiária, que mesmo sabendo qual a funcionalidade de cada um dos equipamentos ali presentes, não pôde deixar de analisá-los novamente. De maneira simples, nunca deixaria de parecer ser a primeira vez, ao menos era isso para todos ali. – Pelo pouco que estou sabendo sobre a nova integração, você está um pouco atrasada, não acha? – Estava tão focada no que fazia, que m*l se deu conta de que alguém a observava, porém não escondeu um discreto sorriso ao se erguer para encarar de frente a dona de tal voz – Dra Brenda Ernandez a sua disposição, sou a responsável por uma das partes mais importantes de todo o projeto Runaways. – Estou sabendo de tudo ligado a ele, afinal, tive o prazer em estudar cada passo desse projeto, começando pelas primeiras idealizações, até alcançar todo um objetivo final. E posso dizer que existe uma onda de falhas um tanto consideráveis – Não precisava que mais ninguém a ouvisse, por isso manteve um baixo tom ao dizer, deixando Brenda completamente surpresa. Claire conhecia cada possível situação envolvida por trás do projeto, mas também estava começando a conhecer cada ponto que se referia a pessoa a sua frente. Para ela, esses dois últimos dias ao lado da dona dos olhos levemente castanhos condizentes à mistura de um verde intenso, foram mais do que aceitos. Nada lhe tirava da mente que outros momentos haviam sido proporcionados antes daquele, tinha certeza disso. Não era possível se sentir tão envolvida com apenas duas únicas oportunidades de encontro, era algo insano, principalmente pelas circunstâncias serem tão desastrosas. Porém estava disposta a garantir o bem estar da mulher ali presente, nem que isso fosse algo impossível. Ela se esforçaria para quebrar todas as estatísticas negativas. Seu tempo era curto, suas chances quase inexistentes, mas não iria desistir, havia tomado uma decisão, e faria de tudo para alcançar seu próprio objetivo. – Como isso pode ser possível? É o seu primeiro dia aqui, e tenho certeza de que o Damon não lhe disse nada, do contrário não teria me dado tal tarefa – Seus argumentos eram válidos e consistentes, a levando a uma única conclusão, mas talvez não estivesse certa, no entanto, se sentiu tentada a perguntar, e não conseguiu se segurar quanto a isso – No momento, apenas uma possibilidade habita a minha mente, e apesar de tudo, me sinto na obrigação em perguntar. – Não sou uma espiã – Para sua surpresa, os pensamentos de Claire se alinharam perfeitamente junto aos seus, lhe dando uma resposta antes mesmo da pronúncia de tal pergunta. Porém, isso não parecia ser o suficiente para si. Precisava de mais, precisa entender porque a jovem parada a sua frente com um largo sorriso no rosto, lhe parecia tão familiar, tão única. Sentimentos controversos lutavam por uma dominância dentro de si, como se conhecesse a jovem há semanas, e não há minutos atrás. Nem mesmo sabia o seu nome até o momento, algo que rapidamente mudou de status – Meu nome é Claire – Lhe estendeu a mão para um breve cumprimento, o qual a mesma não negou – Claire Novak. – Não sei bem o porque, mas esse nome não me é estranho, sinto que te conheço de algum lugar, só não sei dizer de onde – Deveria ter sido apenas um pensamento, mas quando se deu conta,já havia dito tudo em um tom consideravelmente audível, e não soube decifrar a expressão serena e contida de Claire. Será que elas realmente se conheciam? Por que não conseguiam se recordar desse feito? Eram esses os pensamentos que lutavam por atenção em sua mente. – Brenda, preciso falar algo muito importante com você – Ao ouvir tal chamado, Claire olhou em busca do dono da nova voz, observando Gregori se aproximar com um tablet em mãos, parecia bem focado no que fazia. No entanto, não poderia lhe dar a atenção pedida, seu tempo estava cada vez mais escasso. Se quisesse alcançar seu feito sem correr o risco de ser pega, precisava agir com antecedência aos antigos horários. – Vem comigo – Pediu tomando a mão de Brenda na sua, ao seguir na direção da saída. – Espera, preciso saber o que ele quer comigo – Comentou lançando seu olhar sobre o amigo, que apenas ergueu os ombros para seu afastamento ao encontrar seus olhos. – Não temos tempo, se realmente quiser terminar com tudo aquilo que começou, precisamos ir agora – As palavras de Claire caíram feito uma descarga elétrica sobre si, a deixando estática no meio do corredor instantaneamente. Seu único pensamento, era tentar entender como a mais nova sabia desse assunto se a mesma não se lembrava de ter comentado algo a respeito com alguém. Não havia comentado, possuía certeza disso, mas ainda sim, a jovem em sua frente conhecia todos os seus planos. Diante disso, duas opções se faziam presentes. Na primeira, Claire seria uma pessoa superdotada, que assim como ela, havia feito suas próprias pesquisas sem ser descoberta, e no meio de tudo isso, acabou percebendo que mais alguém também estava em busca de respostas, por esse motivo a manteve sob análise. Queria ler cada uma de suas ações, entender suas mínimas expressões, buscando encontrar o perfil que se encaixasse na pessoa que procurava. Havia feito todo esse projeto com Damon, e com todos que se movimentaram ao seu lado, mas conseguiu perceber que era ela a tal pessoa. Parecia ser algo insano, porém poderia ser possível. Tudo se baseava em estatísticas, em algoritmos perfeitos, ações e decisões simples. Então poderia ser essa uma opção. Na segunda, Claire seria uma infiltrada enviada por Gabriela, e com certeza essa ideia não lhe agradava, apenas a mantinha com um pé atrás. Pois nessa concepção, o trabalho de Claire deveria ser muito simples. A Novak iria se aproximar, manter contato a levando direto para uma armadilha, onde a faria acreditar que estava do seu lado, que estava lhe cedendo ajuda com tudo planejado. Mas no fim, Gabriela iria aparecer anunciando game over. Não queria acreditar, mas ainda sim, era a opção mais lógica até o momento. – O que está fazendo? Não entendeu que o nosso tempo é curto? Precisamos ir agora – Claire insistiu em seu ponto, tentando mais uma vez tomar a mão de Brenda na sua. Prém, a mesma se desviou buscando entendimento para tudo o que estava acontecendo. – Quem é você? – Sua questão não fazia sentido, a jovem parada a frente do seu olhar não parecia estar entendendo onde a própria queria chegar, e isso lhe causava dúvidas – A gente m*l conversou, como pode saber tudo isso a meu respeito? – O silêncio era o que falava mais alto naquele instante, mas repostas era algo do qual Brenda precisava – Não irei a lugar algum, se não me responder. Como sabe tanto sobre mim? Dizer toda a verdade, talvez não fosse uma ideia de gênio, mas era em tudo o que Claire pensava desde que deixou a sala de Gabriela. Queria poder ser transparente com Brenda, queria que a mesma a compreendesse, não que se sentisse assustada. Seu único desejo no momento, era esclarecer todos os pontos possíveis, e torcer para que no mínimo, a mulher à sua frente não a julgasse como louca. Então não exitou mais, apenas jogou a única resposta disponível para a questão apontada para si. – Você me contou…
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