Navalha encarava o próprio reflexo no espelho do alojamento. O rosto imóvel, mas os olhos… os olhos estavam em guerra. Uma guerra silenciosa, surda, entre o monstro que aprendeu a ser e o homem que começava a reaparecer — ou talvez, surgir pela primeira vez. Ele estava se tornando perigoso demais. Para ela. Para a base. Para si mesmo. A decisão estava quase tomada: pediria desligamento. Desapareceria antes de destruir o que ainda não entendia, mas que já precisava. Mas quando Marta soube, não o deixou sair. — Vai fugir? — ela perguntou, firme, cruzando os braços diante da porta. — É o melhor pra todos. — Navalha respondeu, sem encará-la. Ela se aproximou devagar, com os olhos marejados, mas a voz firme como nunca. — Se você for… vai continuar ouvindo meus gritos. — Marta… — P

