O sol ainda não havia nascido quando Marta acordou. O quarto estava abafado, o lençol todo revirado. Seu corpo úmido, como se tivesse corrido por horas dentro do próprio sono. A garganta seca. O coração aos pulos, batendo contra as costelas como se quisesse fugir dali. Ela se sentou na cama de um salto, os olhos arregalados, buscando ar como quem acabara de emergir de um afogamento. Levou alguns segundos até lembrar onde estava. Mas o gosto do sonho ainda estava em sua boca. O cheiro, o sangue, a dor... E o olhar dele. Ela levou as mãos ao rosto. Ainda estava chorando. As lágrimas vinham em silêncio, quentes, como se brotassem de uma ferida recém-aberta. E, no entanto, o que mais a assustava não era o pesadelo — mas a vontade que sentiu de permanecer ali. Ela esteve no pesadelo com

