A sala estava silenciosa, como sempre, mas o peso do momento entre eles era palpável, como se o ar tivesse se tornado denso, carregado de algo que nenhum dos dois ousava nomear. Navalha estava ali, imóvel, mas dentro dele, uma tempestade. Ele sentia como se tivesse perdido o controle — ou talvez nunca tivesse tido controle sobre nada. Marta sentou-se na frente dele, com um olhar firme, mas seus olhos, de alguma forma, entregavam a fragilidade que ela tentava esconder. Ela o observava, não mais apenas como terapeuta, mas como alguém que conhecia a profundidade de sua dor. Ele não sabia se queria tirá-la de dentro de sua mente, ou se queria que ela ficasse para sempre. O dilema o consumia. Por um lado, desejava a liberdade, por outro, ele sabia que ela já tinha deixado uma marca irreversíve

