Era uma tarde quente e abafada, como se o ar carregasse segredos não ditos. Marta caminhava pelo corredor em direção à sala de sessões, os saltos batendo com precisão, cada passo uma tentativa de controle. Mas, por dentro, era um campo de batalha. Desde o último encontro com Navalha, algo dentro dela havia se deslocado — e agora tudo doía. Ele já estava lá dentro quando ela entrou. Sentado, aparentemente relaxado, mas os olhos escuros seguiam cada movimento dela como se ele pudesse desvendar os pensamentos que nem ela admitia. — Hoje sem armadura, doutora? — ele disse, com aquele meio sorriso que não era totalmente deboche, nem totalmente ternura. — Armadura está no coração, não na roupa, senhor Navalha — respondeu, enquanto se sentava, cruzando as pernas e abrindo o caderno de anotaçõe

