Capítulo 34 – P.O.V - LILY
Eu estava triste, mas alguma coisa na presença do Lucio deixava as coisas um pouco mais suportáveis para mim, não tinha nada de calmaria na presença dele, mas me deixava de um jeito mais confortável. O caminho até a ilha não era absurdamente longo, mas também não era como ir a esquina, e o silêncio do carro já não estava tão insuportável.
- Ei, você está com fome? - ele me perguntou assim que entramos na cidade - conseguiu comer alguma coisa lá no baile? - não sei se era uma pergunta ou uma acusação, ele queria me torturar falando daquele fato?
- Não, eu não comi... bebi algumas taças de bebida, mas eu também não estou com fome Lucio, só estou cansada - respondi meio de mau humor, não era como eu queria parecer, mas, foi tudo o que eu consegui entregar no momento.
- Já vamos chegar no meu apartamento... se o trânsito ajudar.
- Sabe Lucio, você fez um montão de perguntar sobre mim, mas eu não perguntei nada sobre você, por que decidiu se mudar para lá com a sua irmã?
- Me mudei... por... - ele parecia estar tentando inventar um motivo - ah, eu gosto da vista e da calmaria.
- Tudo o que não temos lá é calmaria desde que você e Ara se mudaram... - eu sorri - mas ainda bem, pelo menos muitas coisas ficaram claras por lá! Desculpa eu estou com o coração pulsando aqui dentro do meu peito, e considerando que a minha vida já virou um belo inferno eu posso dizer para você o que me incomoda...
- O que te incomoda Lily? - ele parecia ainda mais nervoso segurando o volante, ajeitou o banco e buzinou para o trânsito, o motivo era o trânsito ou era o que eu ia perguntar para ele que o deixava em extremo sobressalto? - Droga de trânsito, eu odeio essa cidade! Você não vai falar nada? - ele disse insistindo
- Você está suando! o que está havendo? - eu falei tocando o braço dele e ele me repeliu na mesma hora, como se fosse um crime maior do que ele arrancar a minha calcinha em cima do piano, era ambígua aquela situação e me irritava tanto...
- Nada, só fala o que tem te incomodado! - ele insistiu de novo
- Por que você ignora totalmente o que nós dois fizemos? por que não falou comigo sobre isso? só simplesmente fingiu que não aconteceu, exatamente como está fazendo agora.
Ele riu - você acha que eu ignorei o que houve entre nós dois? realmente é isso que você pensou? - respirou fundo - não teve um minuto depois do que aconteceu que eu não senti necessidade de atravessar a rua e tirar você de dentro daquela casa, não teve um segundo que eu não quisesse estar com você de novo ou que eu não tivesse remoendo a porcaria daquele momento, tentando pensar em todos os minutos com você para entender se eu perdi algum detalhe no caminho, se você se sentia como eu... então, por favor não fala o que você não sabe Lily! - continuou respirando bem forte, irritadiço com o que eu o acusei de ser.
- E por que não me disse nada disso? - eu falei baixinho.
- p***a, o que você queria que eu te falasse Lily? você tem um marido, você tem uma vida... nada é como antigamente mais e nunca vai voltar a ser.
O que? antigamente? do que ele estava falando, aquilo foi como um despertar para mim, do que exatamente ele estava falando?
- Antigamente? se explica Lucio! - falei irritada
- Foi um modo de dizer... não leva isso a sério! - era mentira, muita mentira, o rosto dele dizia isso e não tinha como disfarçar.
- Não, não foi... eu vou perguntar só uma vez Lucio, você me conhecia antes do acidente? era da minha vida antiga... sabe alguma coisa de alguém desse período? era um namorado ou sei lá? me fala agora, por que eu estou com essa incógnita na minha cabeça que não sai desde o dia que eu acordei naquele hospital.
- Um milênio serve como conhecer alguém? e não, eu não sabia do acidente, não tinha uma vida antiga... tem o que aconteceu e só isso, e não é conversa para eu ter com você na p***a do trânsito se você não se importa.
- Como assim um milênio? você ficou louco?
- você não sabe quem é, você nunca se encaixou, suas costas doem do nada, você sente que algo foi tirado de você... quando agarrou aquele livro nojento você se sentiu abraçada por ele, não parece que sua casa é sua casa, você adora janelas porque a brisa que bate no seu rosto te dá uma sensação de algo que você viveu e agora não pode viver mais. Consegue sentir a maldade de todos os seres humanos apenas olhando firme nos olhos deles, e acha qualquer assunto que eles giram em torno extremamente irritantes, você quer ver o mundo todo, mas nunca tem coragem de sair do ninho que construiu por que tem medo de se sentir rejeitada de novo... é Lily, eu conheço essa sensação, ela não pertence só a você...
- Você vai me dizer que também foi achado cheio de machucados em uma poça de lamas no meio da rua e acordou em um hospital cheio de pessoas que você não conhece? sem nenhum parente? por que se me disser isso vamos ter que ir a esses programas de televisão! não é possível duas pessoas com histórias miseráveis no mesmo metro quadrado!
- Lily, você vai saber de tudo no tempo certo, vai entender todas as coisas... por enquanto quero aproveitar essa mulher que está do meu lado, porque quando você souber exatamente quem é... você vai mudar!
- Mudar? você está me assustando? - falei com os olhos arregalados
- Sim, mas olha lá... chegamos ao prédio, vamos subir, comemos alguma coisa e eu ajeito o quarto para você dormir! - ele estava tentando a todo custo mudar de assunto, e quem poderia culpar o cara? aquilo tudo era mesmo uma merda! Eu não queria ouvir, porque agora eu tinha medo de virar algum tipo de megera s*******o, e esse nunca foi o meu alvo.