A mansão dos Levitans destacava-se no meio daquele bairro nobre em Lee’s Summit. Marie, habituada com a fachada de madeira bem polida, entrou sem prestar atenção no quão deserto estava o seu jardim. Chegando à porta, soltou a mão de seu noivo e beijou-lhe os lábios; Elliot acenou rapidamente com um sorriso, sinalizando que a esperaria do lado de fora, enquanto via Marie empurrar com força para que as portas se abrissem. A casa estava escura e vazia, nenhum sinal de que alguém passara ali nas últimas cinco horas. Franzindo o cenho, ela observou as duas grandes escadas para o primeiro andar, onde se encontrava os cômodos, para seguir seu caminho no amontoado de degraus à sua esquerda.
— Pai? — ela olhou pros lados — Mãe?
O silêncio do recinto fora a resposta que recebera. Apenas o som rítmico de seus sapatos altos era ouvido pelo lugar.
— Anthony? — Chamou — Que d***a! Por que vocês inventaram de sair e não me avisaram?
Resmungou em contragosto. Andou por um dos corredores, estranhando não encontrar nenhum empregado — nem mesmo o senhor Kane, o mordomo de longa data dos Levitans, estava na casa. Marie escutou o barulho de passos e deduziu que era Elliot. Bufando, totalmente inconformada por todos terem saído da casa sem a avisar, reclamou.
— Elliot, eles foram embora e não me avisaram! Acredita? E ainda deram folga para todos... — Ela interrompeu-se ao virar-se para encará-lo. Seu coração parou por alguns segundos e logo voltou a bater forte demais, quase saindo do seu peito ao ver a grotesca cena. Elliot, seu noivo, não estava ali.
Marie viu uma estaca de ferro enterrada no piso de madeira com a cabeça de uma homem pingando sangue no chão. Deu um passo e viu um jogo da velha desenhado no chão de vermelho, símbolo da empresa de seus pais. Com o horror estampado no rosto, a jovem aproximou-se para encarar-lhe a face. Os olhos castanhos escuros abertos e esbugalhados; o cabelo preto e sedoso bagunçado. Não havia dúvida que fosse ele: o formato redondo de seu rosto e até mesmo as rugas e as olheiras eram altamente familiares. Ela queria gritar e correr, chorar em desespero, contudo não conseguia. O estado de choque em que ela estava só a permitia encarar o sangue jorrando da cabeça de Chad Levitan.