O GRANDE DIA

2627 Palavras
As ruas ao redor da igreja matriz estavam cobertas de carros. Afinal estava se casando a única filha de um dos maiores empresários da cidade. O carro que Sarah havia pedido pelo aplicativo de celular se tratava de um CAMRY TOYOTA na cor prata. Bryam Martim, o motorista, desceu e educadamente e abriu a porta para ela, o que não era de costume. Ela estava se sentindo poderosa com seu vestido. Afinal se tratava de um belo Fraga azul turquesa longo e possuía um glamoroso rachado até o joelho esquerdo que revelava suas sandálias de saltos exageradamente altos que haviam sido escolhas de Mary. Ela tinha muito bom gosto. Antes de descer do veículo percebeu que Bryan estava com um sorriso malicioso no rosto. Sarah pôde perceber ao longo da viagem que ele não parava de lhe olhar pelo retrovisor do meio do carro, e nem ao menos se esforçava para disfarçar. O que estava deixando-a bastante desconfortável, pois não estava acostumada com tal admiração masculina. Tentou ignorar aqueles olhos que lhe devoravam e se virou de costas. Mas ele continuava imóvel lhe observando. Quando finalmente estava fora do veículo ela respirou fundo e deu alguns passos à diante. Mas continuava tensa. Então olhou as horas através do celular, se apavorou, percebeu que estava muito atrasada. Ficou imaginando como conseguiria encarar a fúria da senhora Eva Beneth. Fez uma leve careta. Felizmente esta seria a última vez que se encontraria com Eva. Caminhou na direção da entrada principal da igreja e quando estava quase chegando à escadaria, toda elegância foi se desfazendo na medida em que Sarah se atrapalhou e acabou se desequilibrando. Ela sabia que cair no chão se espatifando não seria nada agradável, além de sujar seu vestido, a queda poderia lhe machucar, e ela não esperava começar assim. De repente sentiu uma mão forte e masculina lhe segurando pela cintura. — Cuidado! — disse ele enquanto a amparava em seus braços. Foi tudo muito rápido. As mãos que lhe seguravam eram fortes e quentes. A n***z de suas costas revelada pelo vestido permitiu sentir o calor daquele toque inesperado. Ela temia encará-lo, aquele que havia lhe socorrido. Não conseguia reconhecer apenas pela voz. Seria o motorista? Esta ideia lhe deixou mais envergonhada ainda. Após se erguer tentou se recompor temerosa em descobrir de quem eram as mãos. Se não fossem por elas, àquela altura já estaria no chão. Ela retirou uma mecha de cabelo do rosto e se virou a fim de encará-lo, pois precisava agradecê-lo por seu ato heroico de lhe salvar. Ficou em choque quando descobriu de quem se tratava. Jamais imaginaria que pudesse ser ele... Antony Sillve. Só poderia ser brincadeira do destino! Definitivamente hoje ela não estava com sorte. Ele parecia ser mais alto do que nas fotos, moreno de olhos esverdeados, e seus cabelos estavam bem penteados. Ficava elegante com aquele smoking preto bem diferente dos uniformes de jogadores que costumava usar. Sarah ficou rubra de vergonha, e pediu aos céus para que ele não percebesse. Aquela era uma situação um pouco estranha. E assim ela refletiu sobre todos os seus planos que pareciam terem sido frustrados. Seu encontro com ele, havia sido mais desastroso do que ela imaginava. Não conseguia definir apenas um sentimento naquele momento. Mas sabia que o mais sensato era enfrentar aquele turbilhão de emoções e encará-lo de frente. A voz rouca e grave a tirou de seus pensamentos: — Você deve ser a minha... O restante da frase Sarah não conseguiu compreender. Era como se tudo parasse naquele instante. O seu coração batia tão depressa e forte em uma arritmia cardíaca. Se ele ao menos parasse de sorrir com aqueles dentes tão perfeitos, talvez facilitasse as coisas. Estava lhe deixando desconcertada. Ou talvez estivesse se divertindo com toda aquela situação, afinal não era todos os dias que ele via uma mulher desequilibrar e quase cair daquele jeito. — S-i-m... Sou... sua! Ela praguejou mil vezes em sua mente por não ter conseguido dizer a frase sem gaguejar. — Minha? — Antony perguntou em um tom irônico. Naquele instante ela soube que ele estava colocando um duplo sentido em sua fala. A cada minuto ficava mais nervosa com toda aquela situação. Não conseguia controlar seu corpo e muito menos sua fala. E para piorar o sorriso de Antony revelava duas covinhas nas bochechas. Aquelas que ela conhecia bem. Havia sonhado com elas desde que soube que seria a madrinha no casamento ao lado dele. Mas nunca conseguiu entender o motivo daqueles sonhos. — Minha PARCEIRA, a madrinha! — Ele finalmente lhe ajudou. Ela sabia que precisava colocar a cabeça no lugar urgentemente e parar de agir feito uma desorientada. Não poderia continuar assim tão vulnerável. Rápidos flashes vinham em sua mente, as de uma adolescente, aquela menina com seus horríveis aparelhos sendo desprezada como se não existisse, aquela que se sentia inferior a todos, e que havia sido ignorada por esse homem a sua frente. Então soube que ainda estava em tempo e poderia dar a volta por cima. — Sou a madrinha de Mary. Muito obrigada pela... Ajuda... — falou conseguindo se recompor e se afastando dele. Ela ajeitou os cabelos novamente, afim de distrair um pouco e assim poderia evitar de olhá-lo nos olhos — Percebi por causa do vestido. Parece que todas as madrinhas deverão usar essa cor. — Sim, foi Mary quem escolheu esse tom! Agora sim ela se sentia orgulhosa. Havia conseguido ter um diálogo comum com aquele homem. Apesar de que em sua barriga parecia ter várias borboletas dançando ao mesmo tempo. — Bela escolha. Inclusive você está muito linda. Prazer sou Antony Sillve. Então o viu lhe estender a mão gentilmente. Aquele momento durou menos que um segundo, mas que pareceu uma eternidade. Talvez por que seu corpo não queria obedece-la. Mas finalmente conseguiu dar uma ordem ao cérebro que devolveu o cumprimento estendendo-lhe a mão de volta. Olhou rapidamente para não parecer m*l educada. — Sarah Carter. Ele a olhou de volta desconfiado. Aquilo fez suas pernas estremecerem. Franzindo a sobrancelha ele ficava mais charmoso ainda. — Tenho a impressão de que eu já te conheço? — Ele fez uma pausa como se tentasse se lembrar de algo. — Mas acho que uma beleza como essa eu jamais esqueceria. Naquele instante ela percebeu que estava prendendo o fôlego. — NÃO... Nós não nos conhecemos! — respondeu rapidamente. Era melhor assim. Ele não se lembraria daquela moça tão insignificante que estudou com ele no passado. Mas o importante era o presente. Agora, Sarah tinha se tornado uma bela mulher, confiante, bem diferente daquela adolescente insegura. Queria impressiona-lo e mesmo com seu deslize, parecia que havia despertado algo nele, afinal a olhava com admiração, tanto quanto o motorista do aplicativo. O que lhe deixava um pouco mais conformada afinal não havia sido tão r**m assim quanto pensava. Antony não conseguia tirar os olhos dela, mas se ele esperava que caísse aos seus pés, estava completamente enganado. Ela não iria se convencer com seus elogios baratos. Certamente agia sempre assim diante de uma mulher. A voz de Camila uma das madrinhas, soou da entrada da igreja: — Sarah você está...— ela tentou terminar sua frase no mesmo tom de arrogância que havia começado, mas ao notar a presença de Antony, a patricinha respirou fundo e tentou ser o mais delicada possível. — Olá, Antony. Sarah revirou os olhos irritada, seria sempre, esta, a reação das mulheres diante dele? — Acho melhor entrarmos, pois já estamos atrasados... Não é mesmo Camila! — Sarah sugeriu um tanto irônica. — Você tem razão, vamos! — concordou ele. Sarah não se agradou muito do tom autoritário que ele usou, quando disse vamos! Mas vê-lo oferecendo os braços em ato gentil e cavalheiro, lhe surpreendeu. A convidou a entrelaçar os braços nos seus para que entrassem juntos, afinal eram o par um do outro. Ela fez uma pausa. Estava incerta se aceitaria ou não. Entretanto, resolveu aceitar afinal tudo não passava de mera formalidade. Quando finalmente chegaram ao salão principal da igreja. Todos os olhares estavam voltados para eles. Na verdade, o foco principal era ele, o jogador de futebol Antony Sillve. Como já previsto, Eva Beneth fuzilava Sarah com um olhar pelo atraso. Mas foi salva pela celebridade ao seu lado. Eva se aproximou deslumbrada com o acompanhante de Sarah. Seu sorriso estava de orelha a orelha. Ela nem ao menos se dava ao trabalho de disfarçar. Então, era realmente este o efeito que Antony causava nas mulheres. — Antony, é um prazer ter você aqui! — a senhora Eva dizia quase se jogando para cima dele com um tom exageradamente gentil. — O prazer é todo meu. Desculpe pelo atraso, tive problemas com meu voo. Acreditem, a senhora Eva continuou a sorrir, e sua resposta a seguir foi ainda mais surpreendente: — Tudo bem. Imprevistos acontecem — disse enquanto piscava. Sarah bufou incrédula com o que estava vendo. Entretanto era melhor que fosse assim. Pelo menos estava tão ocupada se jogando para cima de Antony que lhe deixou em paz. Decidiu ignorá-la também, e felizmente a senhora Eva precisou sair do salão para atender um chamado em seu ponto eletrônico. Lógico que antes de sair abriu um largo sorriso para Antony. Não podia negar que ficava incomodada. Porque todos tinham que se desmanchar diante do "Senhor perfeitinho"? Naquele momento todos queriam ver Antony. Afinal ele era uma celebridade. Era visível a admiração que tinham por ele. As mulheres não paravam de cochichar umas com as outras se derretendo enquanto ele era abraçado por alguns amigos e parentes. Finalmente Eva deu ordem para que todos se colocassem aos postos e entrassem, pois a cerimônia iria começar. Tudo estava incrível. Mary havia escolhido cada detalhe com muito carinho. Além do mais tinha bom gosto e requinte. A igreja estava toda decorada com lírios. Um tapete de veludo vermelho dava um charme à decoração. Estava tudo como ela havia planejado, seus convidados a aguardavam ansiosos. Mas o centro das atenções realmente eram Sarah e Antony, pelo fato dele ser um jogador de futebol, era o orgulho da família Sillve e daquela cidade inteira. Sarah sentiu seus maiores temores vir à tona quando percebeu toda atenção voltada para si. Não era nada fácil para ela e os minutos não passavam. A cada passo dado, se lembrava de seus pesadelos na adolescência: “Era sua festa de aniversário e ela completava quinze anos”. Estavam reunidos os rapazes mais bonitos e populares da escola. incluindo Antony. Todos bem vestidos com trajes de gala. Porém os seus sonhos sempre terminavam em pesadelo onde uma bola de futebol surgia do nada e lhe atingia. Os seus óculos caiam e todos riam dela ridicularizando.” Todos seus medos a deixavam mais tensa, além do mais eram muitos flashes e olhares direcionados a eles. O que não facilitava as coisas. Havia um jornalista se esforçando para conseguir uma boa fotografia deles, afinal era a acompanhante de Antony isso lhe renderia uma boa reportagem. Por isso ela via o tamanho de sua responsabilidade. Sentia-se na obrigação de sair daquela igreja com elegância, pois aquela adolescente pálida e desdentada havia ficado no passado. Agora ela estava ali, ao lado de um homem charmoso com toda atenção voltada pra si, sendo invejada por todas as mulheres. A voz da senhora Eva, vinha em sua mente todo o tempo com suas repreensões: "Sarah Carter postura! Assim você parece estar com vinte toneladas nas costas Sarah!” "Essa menina nunca teve aulas de etiqueta, não é possível!" Assim, entendeu que precisava superar toda sua baixa autoestima e mostrar para todos que era uma grande mulher. Então ergueu sua cabeça, ajeitou sua postura e deu um belo sorriso. — Você tem um lindo sorriso, senhorita Carter! Ouviu a voz dele, e nem ao menos percebera que ele a olhava. Não podia negar que ficava fascinada com seus galanteios. Porém não daria o braço a torcer. — Obrigada! Mas a estrela aqui é você! — ela não resistiu e o provocou. — Talvez seja, porque estou bem acompanhado. Preciso me lembrar de agradecer meu primo, não poderia conseguir companhia melhor! — Opções não lhe faltavam. Veja como as mulheres se derretem por você! Se referia aos olhares que Antony recebia. Mulheres babando e se inclinando para vê-lo. — Mas eu tirei a sorte grande, nenhuma delas chegam aos seus pés. Nesse momento seus olhos se encontram. Sarah precisou engolir seco, e sabia que se desviar daquele lindo par de olhos verdes era o melhor a se fazer, porque estavam lhe deixando desconcertada e isso não era nada bom. Quando enfim percebeu, já haviam entrado e se posicionando em seus lugares no altar. Sentiu um grande alívio. Finalmente havia conseguido vencer seus medos e não cometeu nenhum deslize! Mais uma vez vibrava por dentro, estava se superando a cada instante. A cerimônia seguia emocionante. Mary entrou ao som da marcha nupcial tocada por um violinista. Estava linda. Os seus cabelos dourados estavam presos em um coque baixo e sua cabeça estava envolta por uma coroa de princesa bastante delicada de ouro branco cravada em brilhantes. O seu vestido era maravilhoso como somente um VERA WANG consegue. Breno estava radiante de felicidade e no meio da cerimônia ele se emocionou ao fazer os seus votos de casamento se desmanchando em lágrimas. A felicidade estava estampada no rosto da noiva. Durante o beijo do casal, Antony foi o primeiro a aplaudir e tornar o momento mais caloroso em meio aos assobios delirantes dos outros padrinhos e dos convidados. Sarah sentiu um leve arrepio quando ele se aproximou de seu ouvido. — Eles formam um casal perfeito! Ainda desconcertada por todas as reações de seu corpo com aquela aproximação, ela disfarçou. Afinal foi apenas um comentário aleatório, ele não estava se jogando pra cima dela. Talvez. — Sim... afinal eles se amam. — Foram as únicas palavras que ela conseguiu dizer. — Talvez algum dia eu encontre alguém tão perfeita assim, para mim. Não entendia por que Antony insistia daquele diálogo sem sentido. No entanto não o respondeu de imediato, apenas fitou-o com o olhar desinteressado. — Boa sorte! — respondeu em tom zombeteiro. Acreditava que aquele papinho fazia parte de algum plano de conquista barato, estava perdendo seu tempo, ela não estava disposta a cair na dele. Antony apenas sorriu, certamente compreendeu o que ela estava fazendo, ela só entendia o porquê de ele achar tanta graça e ainda permanecer com aquele sorriso estampado no rosto. Ao terminar a cerimônia, Sarah se sentiu mais aliviada. Enfim tudo havia ocorrido muito bem e agora ela poderia se afastar daquele homem que tanto a incomodava. Sua presença a desconcertava. Ele era muito cavalheiro e galanteador e ela tinha certeza de que tudo não passava de um personagem e que provavelmente só queria lhe impressionar. Aproveitaria a multidão na saída para fugir dele. Enquanto Antony era atacado por vários conhecidos se afastou, mas sua fuga foi impedida pela inconveniente Eva Beneth. Havia se esquecido de que os noivos precisavam fazer as fotos com os padrinhos na igreja antes de partirem para festa. Decepcionada ela precisou voltar. Antony estava novamente com aquele sorriso presunçoso, e mesmo furiosa, Sarah sabia que agora precisava enfrentá-lo. Ele imediatamente lhe abordou. — Impressão minha ou você estava fugindo? Sua voz estava cheia de sarcasmo. Apesar de que realmente ela estava fugindo, mas será que estava tão nítido assim? — Não estava fugindo — ela disse passando por ele dando-lhe as costas. — Claro... A antipatia de Sarah crescia a cada instante e agora não fazia questão nenhuma em disfarçar. Mas pelo sorriso que ele carregava, parecia que Antony ficava mais interessado a cada instante e não desistiria facilmente.
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