Capítulo 46 – Herança de Fogo

1434 Palavras

Kadu O cheiro de queimado ainda vive nas paredes. A madrugada deixou suas marcas: telhas retorcidas, fios pendurados, roupas viradas carvão no varal. A Rocinha amanhece como quem conta mortos sem dizer os nomes. No pátio, meus homens esperam instrução; nas vielas, a comunidade espera água, remédio e alguém que segure o ar no peito enquanto a fumaça sai devagar. — Nada de retaliação hoje — digo, antes que o sangue lembre o caminho de sempre. — Hoje é reconstrução. Mutão. A vingança aprende a esperar quando tem criança sem teto. Vinícius morde o lábio, Lipe balança a cabeça. Eles conhecem meu passado; estranham o que veem no presente. Eu também. Descemos com a primeira leva: sacos de cimento, telhas, kits simples de primeiros socorros. Laísa organiza as mulheres como se regesse um coral

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