Capítulo 39 – O Grito do Morro

1202 Palavras

Anna Três meses se passaram desde aquela noite em que Kadu mostrou o homem por trás do rei. Desde então, o tempo pareceu correr com a pressa de quem teme que algo sagrado se perca no caminho. A barriga cresceu, o corpo mudou, e eu aprendi a lidar com o peso e a bênção de gerar uma vida. A cada madrugada, quando o morro dormia e o som distante das motos cessava, eu passava a mão sobre o ventre e sentia os pequenos chutes — o lembrete constante de que, mesmo no meio do caos, havia algo puro nascendo dentro de mim. As mulheres da comunidade vinham me visitar quase todos os dias. Umas traziam chás, outras rezas antigas, e todas traziam olhares curiosos, misturados entre respeito e medo. Era estranho — eu, que antes fui prisioneira, agora era tratada como uma rainha. Rainha temida, é verdade,

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