Capítulo 42 – Sangue e Silêncio

1371 Palavras

Kadu O dia nasceu áspero. A névoa vinha da Baixada e subia a encosta como se quisesse esconder as vielas do juízo de Deus. A Rocinha, quando amanhece assim, parece um segredo contado pela metade. O rádio chiava desde cedo: recados truncados, senhas que só a gente entende, o rumor de que alguém meu — alguém meu — estava vendendo caminho por moedas curtas. Eu já tinha visto esse filme. Da última vez, apaguei o problema com pólvora. Hoje, o berço no quarto ao lado me lembrava que cada tiro carrega um eco. O nome do meu filho ainda era só projeto, mas já havia se tornado referência para os homens. “Pelo herdeiro.” “Pelo menino.” Como se a inocência dele pudesse lavar nossas mãos. Não pode. — Chefe — Vinícius entrou sem bater, rosto fechado —, confirmaram. O vazamento saiu do Galpão 3. Só qu

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