Capítulo 43 – A Coroa Invisível

1260 Palavras

Anna Acordei com o barulho dos sinos improvisados que as vizinhas penduram nas portas — latas, chaves, ferragens que batem quando o vento passa. A casa respirava devagar, o bebê aninhado no berço, e eu com a sensação estranha de vestir algo que não pedi: uma coroa que ninguém vê, mas todo mundo reconhece. No espelho do corredor, meu rosto ainda tinha a palidez do parto recente; nos olhos, porém, havia uma firmeza que eu não conhecia em mim antes de ser mãe. Desci com cuidado. Rosa me ofereceu café e pão com manteiga, mas antes que eu aceitasse, o portão chiou. Três mulheres entraram em fila, trazendo presentes e sussurros. Uma encostou um terço na moldura da porta. Outra, ao me ver, murmurou: “benção, rainha”. A palavra me cortou como faca e me cobriu como manta. — Aqui ninguém é santo

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