Kadu A Rocinha parecia respirar ódio. O ar carregava o som dos rádios chiando, dos passos apressados nas vielas, dos meninos armados se movendo como sombras obedientes, atentos a qualquer sinal. Eu, no meio de tudo, era o homem que todos chamavam de rei. Um título pesado, forjado no sangue e na necessidade de controle em um lugar onde a lei do mais forte prevalecia. Mas um rei cercado de rachaduras, com medo de que qualquer uma delas se abrisse – e engolisse o que ainda restava de paz, tanto em mim quanto no pequeno império que havia construído. As luzes das casas empilhadas morro acima eram como olhos vigilantes, testemunhas silenciosas de um poder que era tanto meu quanto da própria favela. Cada grafite nas paredes descascadas, cada beco escuro, cada esquina escondia histórias de leald

