David estava jogado no chão, a fumaça da maconha envolvia o ar, mas a raiva dentro dele queimava muito mais do que qualquer droga. As fotos de Eloísa e Lucas estavam espalhadas pelo quarto, amassadas, rasgadas, como se ele tentasse apagar tudo o que ela representou para ele. A mulher que ele confiou, a mulher que ele amou, e a filha que se foi... tudo por causa do cara que ele achava que era amigo, e daquela v***a que ele chamava de esposa.
Coringa: c*****o, Eloísa, você me fez de o****o, sua vaca! Eu te dei tudo e o que você fez? Me traiu com o Lucas, seu desgraçado! p***a, o cara que eu chamava de amigo, o filho da p**a que tava se fazendo de irmão, e enquanto eu tava ali acreditando que você tava me amando, você tava com ele na minha cama, no meu sofá, me fodeu por trás! E a pior parte, me deixou com uma dúvida filha da p**a! Será que aquela p***a da minha filha era minha mesmo? Ou você também me fodeu com isso. Que merda!”
Ele deu um soco na parede, os dedos latejando de dor, mas a raiva não sumia. David estava consumido, o ódio corroendo seu peito, e ele não conseguia mais se controlar.
David :“Eu te amava, Eloísa! Eu confiava em você, p***a! E o que você fez? Me destruiu, me fez achar que a minha filha era minha, quando talvez nem fosse! E você morre junto com ela, me deixa nessa merda, sem nem a chance de te fazer pagar! p***a, tudo o que eu fiz foi te dar amor, te dar tudo, e o que você fez? Me matou aos poucos, filha da p**a!”
David se levantou, cambaleando, com os olhos ardendo de ódio, encarando as fotos rasgadas com um olhar assassino.
coringa:“Você morreu, mas f**a-se! Eu não vou deixar isso passar em branco! Se eu não pude fazer você sofrer enquanto tava viva, eu vou fazer todas as mulheres que cruzarem o meu caminho sofrerem! Ninguém vai passar impune, ninguém vai escapar do inferno que eu vou criar! Vai ser o inferno, p***a! Vão saber o que é ser destruída, assim como você me destruiu!”
Ele cuspiu no chão, o rosto contorcido em raiva pura.
coringa:“f**a-se Deus, f**a-se tudo! Olha onde você me deixou, p***a! Onde tava Ele quando você me fodeu desse jeito? Onde tava Ele quando você e esse filho da p**a do Lucas me fizeram de palhaço, me mataram aos poucos, e agora, me deixaram sem fé em p***a nenhuma? Olha onde eu tô agora! Em um buraco, sem minha mulher, sem minha filha, sem nada, tudo por causa de vocês, seus filhos da p**a!”
David deu uma risada amarga, com ódio em cada palavra.
—Eu não vou mais amar ninguém, f**a-se. Nunca mais. Não tem mais esse negócio de confiança, de amor, de perdão. Eu vou fazer todas as vagabundas que cruzarem o meu caminho sofrerem o que você não deixou eu te fazer! Vão pagar, vai ser dor e sofrimento. Eu vou mostrar o que é f***r com alguém de verdade! E quem vier vai ver o inferno, Eloísa! Eu vou fazer elas pagarem, porque você me destruiu e eu não vou deixar barato!”
BEATRIZ
Beatriz estava de pé, sua postura ereta e firme enquanto ouvia o pastor falar sobre perdão, fé e renovação. Ela tentava ouvir atentamente, mas o peso das lembranças ainda a perseguiam, como sombras que se recusavam a sair. Seus pensamentos voltaram para aquele momento terrível de sua infância, quando o homem que ela chamava de padrasto destruiu sua vida. Ele matou sua mãe e, durante anos, foi uma figura de terror, manipulando sua dor e forçando um silêncio sombrio sobre tudo o que aconteceu.
Agora, ela estava ali, no lugar sagrado, tentando se reerguer, mas havia algo em seu coração que não se curaria facilmente. Algo que não deixaria ela nunca mais ser a mesma. Ela olhou para o altar, mas seu olhar estava fixo em algo além das palavras que o pastor proferia. Era a sua promessa silenciosa, uma promessa que fizera para si mesma. Ela respirou fundo, como se estivesse tomando coragem para dizer essas palavras para o universo, para Deus e para o mundo.
“Eu nunca mais vou abaixar a cabeça para nenhum homem. Nunca mais vou deixar ninguém me tocar de forma que eu não queira. Nunca mais.”
Beatriz sentiu a força dessas palavras ecoando dentro dela, como se finalmente tivesse encontrado sua verdadeira voz. Ela sabia que não seria fácil, e que a dor de seu passado poderia tentar consumi-la, mas ela se recusava a ser a vítima de novo. Ela se recusava a ser frágil diante das mãos daqueles que, de alguma forma, queriam impor seu poder sobre ela. Nunca mais.
O pensamento de que nenhum homem, nenhum ser, teria poder sobre ela fez sua espinha se erguir. "Eu sou mais forte do que isso." Essas palavras começaram a tomar forma em sua mente e em seu coração. Ela não precisava de mais ninguém para se sentir inteira. Ela não precisava do abraço de um homem para se sentir segura. Ela sabia que tinha a força dentro de si mesma para se reerguer e para proteger seu filho, que era o único amor que realmente importava agora.
Ela pensou em seu filho, que estava na escola naquele momento. "Ele vai crescer sem saber o que meu passado foi. Ele vai crescer em um ambiente onde a violência não tem espaço, onde a dor não será uma sombra sobre ele." Ela jurou para si mesma que faria todo o possível para proteger seu filho dessa vida que ela mesma vivera. Ela não queria que ele soubesse sobre os abusos, sobre a dor, sobre o medo. Queria que ele soubesse apenas do amor genuíno que ela tinha por ele. Queria que ele crescesse acreditando que o amor verdadeiro é aquele que vem sem dor, sem medo, sem manipulação.
Ao olhar para o altar, uma sensação de paz a envolveu, mas também havia algo mais, algo inabalável. "Eu sou uma mulher de fé. Deus me deu essa força. Eu vou me curar, vou seguir em frente. Mas nenhum homem, nunca mais, vai fazer o que fizeram comigo."
E enquanto as palavras do pastor continuavam a fluir, Beatriz se sentiu mais certa de sua decisão. Ela sabia que a luta não seria fácil. O que ela tinha vivido era pesado demais para simplesmente se desfazer em um instante. Mas ela estava pronta. Ela estava pronta para lutar, para não se deixar abalar por mais nada e por mais ninguém.
Ela olhou ao redor da igreja, para as outras mulheres que também estavam ali, talvez algumas com histórias parecidas com a sua. Beatriz desejou a elas a mesma força que ela sentia crescer dentro de si. Todas elas eram guerreiras. Mas ela, naquele momento, precisava ser mais do que isso: precisava ser mãe, precisava ser a mulher que jamais baixaria a cabeça para ninguém. Jamais permitiria que seu corpo fosse tocado ou sua alma fosse ferida.
“Eu sou mais forte agora. Porque eu tenho fé. E eu sou filha de Deus.” Essas palavras a sustentaram enquanto ela saía da igreja, sentindo-se mais forte, mais segura. Ela estava, finalmente, no controle de sua vida. Ela nunca mais permitiria que qualquer homem tomasse a posição de poder sobre ela. Ela estava decidida a lutar com tudo o que tinha, pela sua dignidade e pela dignidade do filho que ela amava. E isso, para ela, era o maior amor que ela poderia oferecer.