— Hoje tu não trabalha — ele falou. — Eu já tava lá embaixo. — Hoje não — repetiu, firme, mas sem agressividade. — Amanhã eu faço a conta de quanto deu tua semana. Eu franzi a testa. — Não precisa. — Eu sei o que eu tô fazendo. O jeito que ele falou não era arrogante. Era decidido. Eu fiquei olhando pra garrafa na minha mão. — Tá bom — falei por fim, dando um gole. A cerveja desceu gelada, mas meu corpo ainda tava quente. Ele encostou na grade do camarote do meu lado, deixando um espaço mínimo entre a gente. Não tocava. Mas eu sentia a presença dele como se estivesse. Lá embaixo o baile tava insano. Gente pulando, DJ gritando, luz cortando a fumaça. Mas ali em cima parecia outro mundo. — Eu não quero te prender — ele disse, de repente. Eu olhei pra ele. — Então para de agir com

