Capítulo 6

1022 Palavras
O grande salão do castelo principal do Inferno estava tomado por uma tensão esmagadora. Asura, atual rei do Inferno, estava sentado no trono n***o no centro da sala, sua expressão impenetrável como sempre, mas por dentro, um turbilhão de ódio e desespero crescia. Ao seu lado, seu pai, Dantalion, o ex-rei, mantinha uma postura rígida e fria, seus olhos percorrendo a sala como se já estivesse prevendo traições. Dagon, o pilar mais forte do Inferno e avô de Raya, estava de pé, com os braços cruzados, seu olhar afiado analisando cada detalhe do ambiente. Ele não estava ali por Dantalion ou Asura, e sim para garantir que sua neta sobrevivesse. Os três estavam cientes do risco absurdo que corriam ao permitir arcanjos dentro do coração do Inferno. Muitos demônios ali presentes murmuravam entre si, discordando veementemente daquela decisão. — Isso é um erro. — Dantalion resmungou, seus olhos semicerrados. — Abrir as portas do castelo para esses malditos é implorar por uma traição. Dagon soltou um riso seco e sarcástico. — Você é mesmo um i****a, Dantalion. Como se fosse qualquer coisa além da sua incompetência que nos levou a esse ponto. Se tivesse tomado uma decisão decente no passado, não estaríamos negociando com os malditos arcanjos agora. Dantalion virou-se para encará-lo, seus olhos brilhando de fúria. — Você fala como se tivesse feito melhor do que eu! Mas me diga, Dagon, onde estava quando sua neta foi envenenada? Ah, sim, brigando com arcanjos ao invés de garantir o bem estar da família real, que também é sua família agora, fingindo ser o protetor supremo do Inferno. Dagon apertou os punhos, contendo a vontade de partir para cima do ex-rei. — Cuidado com sua língua. O único motivo pelo qual ainda não a cortei fora é porque temos um inimigo maior diante de nós. — Então parem e foquem no que importa. — Asura interveio, sua voz cortante e fria como uma lâmina. Ele não tinha tempo para brigas entre seu pai e Dagon. Tudo o que importava era Raya. Os três ficaram em silêncio quando uma presença divina preencheu o salão. As portas se abriram lentamente e três figuras atravessaram o umbral. Na frente, um arcanjo de cabelos brancos e olhos azuis gélidos. Seu rosto era a própria expressão da arrogância e do desprezo. Valkar, o arcanjo que havia enfrentado Dagon e Dantalion no dia anterior, agora estava diante deles, acompanhado de mais dois poderosos guerreiros divinos. Um de cabelos loiros e expressão serena, mas mortal, chamado Seraphiel. O outro, de cabelos castanhos e olhos dourados, trazia um ar mais soturno e avaliador. Seu nome era Mikhail. Os três exalavam um poder esmagador. Todos na sala sentiram a tensão aumentar. Se uma luta começasse ali, não haveria vencedor sem destruição massiva. Valkar olhou para os demônios reunidos com um sorriso de puro escárnio. — Honestamente, eu nunca pensei que veria o dia em que precisaria fazer um acordo com uma espécie tão suja e egoísta. — Sua voz era carregada de desprezo. Dantalion cruzou as pernas, sua expressão tão petulante quanto a do arcanjo. — O sentimento é mútuo. Não há nada mais nojento do que lidar com seres narcisistas e mesquinhos. Afinal, fomos atacados sem motivo, minha neta foi envenenada e agora querem que negociemos com vocês? Não faz sentido algum. Valkar riu, mas seus olhos permaneceram frios. — Sem motivo? Vocês demônios continuam capturando anjos sempre que os encontram para drená-los de sua energia vital. Como podemos ter paz quando nossos irmãos vivem com medo de serem caçados como animais? O Inferno nunca foi confiável. Um acordo com vocês vale tanto quanto poeira ao vento. Asura se levantou abruptamente. — Cuidado com suas palavras, arcanjo. Quem quebrou o acordo foram vocês. Quem iniciou essa merda toda foram vocês. Minha filha, minha família, minha gente foram atacadas por nada. Se o que vocês querem é guerra, vão tê-la! Porque, se minha filha morrer, eu mesmo irei até Heaven e reduzirei aquele lugar a cinzas! O salão mergulhou no silêncio absoluto. Todos podiam sentir a fúria queimando no olhar de Asura. Dantalion, apesar de não discordar do filho, colocou uma mão firme sobre seu ombro, um sinal claro para que se recomponha. Qualquer deslize e tudo poderia ruir. Dantalion voltou-se para os arcanjos. — O que vocês querem para nos dar a cura? Os três arcanjos trocaram olhares. Seraphiel parecia hesitante, enquanto Mikhail mantinha a expressão neutra. Valkar, por outro lado, parecia incomodado, como se a resposta lhe desse náusea. — Queremos a princesa. — Valkar finalmente declarou, sua voz sem hesitação. A sala explodiu em murmúrios e tensão. Asura avançou um passo, pronto para atacar, mas foi segurado por Dantalion. — O que querem com ela? — Dagon perguntou, sua voz carregada de ameaça. Valkar manteve o olhar fixo nos três. — Precisamos de uma garantia de que a paz realmente será mantida. Se qualquer anjo for morto por um demônio novamente, todos saberão que a princesinha do Inferno pagará por isso. Queremos sua filha como uma moeda de troca. Asura rosnou. — Eu nunca vou entregar minha filha. Valkar deu um sorriso condescendente. — Se não a entregar, ela morrerá. Não importa o quanto procurem, não encontrarão a cura sozinhos. Entreguem-nos Raya, e não apenas a salvaremos, mas também forneceremos a receita para curar os outros envenenados. Dagon estreitou os olhos. — Como podemos confiar em vocês? — A questão não é confiança. — Valkar cruzou os braços. — É que vocês não têm escolha. O silêncio que se seguiu foi esmagador. Os arcanjos haviam colocado o Inferno contra a parede. A vida de Raya agora pendia por um fio, e apenas uma decisão poderia selar seu destino. Valkar observou a sala e então acrescentou: — Dou uma semana para pensarem. A princesa tem apenas oito dias de vida. A escolha é de vocês." O coração de Asura se apertou, entregar Raya não é algo que ele possa fazer, pois não tem como controlar todos os demônios que vivem no inferno, se algum anjo for morto sua filha sofrerá no céu, a morte pode ser menos pior que isso.
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